Maduro antecipa festas de Natal para outubro e acusa a Inglaterra de roubar ouro da Venezuela

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(h) Miraflores Press / EPA

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que a economia venezuelana registou o maior crescimento da América Latina e Caraíbas no primeiro semestre e instou os empreendedores a prepararem-se porque as festas de Natal vão começar em outubro.

“Empreendedores preparem-se porque a partir de 01 de outubro começam as férias de Natal na Venezuela e toda a bela atividade de partilhar, de solidariedade, de festa, de comércio, de presentes”, disse Nicolás Maduro na quarta-feira, citado pela agência Lusa.

O governante falava no evento “Quartas-feiras produtivas”, transmitido pela televisão estatal venezuelana, durante o qual sublinhou não poder avançar com dados, neste momento. “São números verdadeiramente auspiciosos e convincentes. É o maior crescimento económico da América Latina e das Caraíbas, e é a economia venezuelana que o tem”, sublinhou.

O Presidente da Venezuela explicou que se trata de um crescimento “da economia real, não a economia dos papéis, da especulação e de mentirinha”. “É da economia que produz bens reais, que produz riqueza. É da verdadeira economia venezuelana”, acrescentou.

Segundo Maduro, após “anos cruéis” em que os venezuelanos foram “torturados com sanções económicas que ainda estão em vigor”, a Venezuela “está a avançar através dos seus próprios esforços, do seu próprio trabalho, criando novas riquezas”.

“Preparem-se para o segundo semestre do ano e para o remate do final do ano, em outubro, novembro e dezembro, vão enlouquecer com as vendas de empreendimentos na Venezuela, vão enlouquecer com a atividade económica”, disse.

O Presidente da Venezuela insistiu que 2022 está a ser um ano de “avanço, em uma nova ordem económica interna” da Venezuela e que “já a economia dependente da renda petrolífera vem ficando para trás, e tem de ficar para trás”.

“Tem que terminar, de nascer uma nova economia produtiva e diversificada, não dependente das receitas do petróleo, criando os seus próprios ciclos económicos virtuosos, gerando riqueza monetária e física para se sustentar como uma economia a todos os níveis”, frisou.

Maduro acusa Inglaterra de roubar ouro da Venezuela

Maduro acusou a Inglaterra de “roubar” de maneira “descarada e indigna” o ouro venezuelano depositado no Banco de Inglaterra, uma semana após o Tribunal Comercial de Londres ter decidido a favor do líder da oposição, Juan Guaidó, no caso do controlo do ouro venezuelano depositado no Banco de Inglaterra.

“Vejam vocês o ouro que nos estão a roubar em Londres de uma forma descarada e indigna para toda a comunidade venezuelana, para todo o povo da Venezuela”, disse num evento transmitido pela televisão estatal local.

Maduro sublinhou tratar-se de uma “operação de (…) roubo de ouro venezuelano depositado nos cofres do Banco de Inglaterra pelo Banco Central da Venezuela”.

“Mas a Venezuela deve saber que se trata de um ato de pirataria. A pirataria é roubo e o mundo inteiro deve saber que não há segurança jurídica em Londres, nem no Banco de Inglaterra, que em qualquer momento qualquer país ou banco central do mundo pode ver as suas reservas internacionais, de ouro, roubadas. Essa é a verdadeira verdade. Não há segurança jurídica, não há respeito pela lei”, frisou.

O Presidente sublinhou ainda que esse ouro pertence ao Banco Central da Venezuela e aos venezuelanos e que, por ele, o seu Governo continuará a lutar, “a protestar, para o recuperar”.

“Continuaremos a protestar contra os abusos, sanções, sequestros e roubos de bens venezuelanos no estrangeiro. Um dia chegará a hora da justiça, da verdade. Recuperaremos essa riqueza, esses bens, esse ouro, essas empresas, esses aviões, Citgo [petrolífera venezuelana nos EUA] e as contas bancárias que pertencem à Venezuela”, disse.

O político venezuelano acusou a Argentina de ter pretensões de “roubar um avião gigantesco, moderno, de carga” que é “legalmente propriedade da Venezuela, por ordem de um tribunal imperial do estado da Florida”, nos Estados Unidos (EUA).

Maduro fazia alusão a um avião Boeing 747 Dreamliner, propriedade da empresa iraniana Mahan Air que atualmente pertence à Emtrasur, subsidiária do Consórcio Venezuelano de Indústrias Aeronáuticas e Serviços Aéreos (Conviasa), que se encontra retido em Buenos Aires, Argentina, por ser alvo de sanções dos EUA.

“A Venezuela levanta o seu protesto e pede ao povo argentino todo o seu apoio para recuperar o avião que pertence a uma empresa venezuelana e que pretendem roubar depois de ter sido sequestrado durante dois meses (…) tal como tentam roubar o nosso ouro em Londres, a companhia Citgo“, disse.

Segundo Maduro o avião retido na Argentina era usado para transportar ajuda humanitária aos países das Caraíbas e de África. “[É] o avião em que trazemos medicamentos da China, Rússia, Índia e que desempenhou um papel fundamental na vida humanitária da Venezuela”, explicou.

A 29 de julho, O Tribunal Comercial de Londres decidiu a favor de Guaidó no caso do controlo do ouro venezuelano depositado no Banco de Inglaterra.

A juíza Sara Cockerill disse que não pode manter as decisões do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano (TSJ) que anularam as nomeações de Guaidó para o conselho de administração do Banco Central da Venezuela (BCV), uma vez que não existe base legal no Reino Unido para o fazer.

No entanto, a juíza não autorizou a equipa da oposição a aceder às reservas, questão que será determinada noutra audiência (em setembro ou outubro), apesar de considerar válido a administração de Guaidó ser reconhecida pelo Governo britânico como o presidente legítimo, numa base provisória, do país latino-americano.

A decisão surge após o Supremo Tribunal do Reino Unido já ter decidido sobre uma série de questões preliminares em 2021 e reconhecer Guaidó, e não Maduro, como o líder da Venezuela.

A 14 de maio de 2020, o presidente do conselho de administração oficial do BCV, Calixto Ortega, acusou o Banco de Inglaterra de violar o contrato ao não transferir 930 milhões de euros das reservas de ouro venezuelanas para um fundo da ONU para combater a pandemia covid-19 no país.

O BCV tem depositadas em Inglaterra 31 toneladas em barras de ouro, avaliadas em cerca de 1950 milhões de dólares (cerca de 1900 milhões de euros no câmbio atual).

  Lusa //

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