Madeira suspende vacinação devido a embalagens da Pfizer com sinais de humidade

Jean-Francois Monier / AFP

A campanha de vacinação contra a covid-19 foi interrompida esta segunda-feira na Madeira porque algumas embalagens das vacinas da Pfizer apresentaram sinais de humidade externa, anunciou o Governo Regional.

“Informamos que a campanha de vacinação contra a covid-19 será hoje [17 de maio] interrompida, em virtude do facto de duas das cinco embalagens das vacinas entregues, hoje, na farmácia do Hospital Dr. Nélio Mendonça apresentarem sinais de humidade externa”, lê-se na nota divulgada pelo gabinete do secretário da Saúde e Proteção Civil do arquipélago.

No documento, o executivo madeirense adianta que a farmácia do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, “comunicou de imediato com a Pfizer e recebeu indicações para não utilizar as vacinas”.

Também salienta que esta situação “está a ser avaliada pelos técnicos da farmácia” da unidade hospitalar do Funchal, em articulação com a equipa de qualidade global da farmacêutica.

“A decisão final ficará a cargo da Pfizer”, sublinha a mesma nota, complementando que as pessoas que foram convocadas para a vacinação no dia de hoje terão a administração “oportunamente reagendada”.

De acordo com os últimos dados divulgados pelas autoridades de saúde da Madeira, já foram administradas na região 122.456 vacinas.

O último boletim epidemiológico difundido no domingo pela Direção Regional da Saúde (DRS) indicava que tinham sido diagnosticados no arquipélago oito novos casos de covid-19, existindo 252 situações ativas e 233 em estudo, mantendo a região os 71 óbitos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.381.042 mortos no mundo, resultantes de mais de 162,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.009 pessoas dos 842.381 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Vacina pode ser guardada no frigorífico até um mês

Um frasco da vacina anticovid-19 da BioNTech/Pfizer pode ser armazenado num frigorífico normal até um mês, anunciou também esta segunda-feira a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), esperando que a alteração facilite o processo de vacinação.

Em comunicado, o regulador europeu explica que o seu comité de medicamentos humanos “recomendou uma alteração às condições de armazenamento aprovadas para a Comirnaty, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela BioNTech e Pfizer, que facilitará o manuseamento da vacina em centros de vacinação em toda a UE”.

Em concreto, “esta alteração alarga de cinco dias para um mês – 31 dias – o período aprovado para armazenamento do frasco não aberto e descongelado a 2-8°C, ou seja, num frigorífico normal após a retirada do congelador”, acrescenta a EMA.

A agência europeia explica que esta decisão surge após uma análise dos “dados adicionais do estudo de conservação apresentados à EMA pelo titular da autorização de introdução no mercado”, adiantando esperar que esta “maior flexibilidade no armazenamento e manuseamento da vacina tenha um impacto significativo no planeamento e logística da administração da vacina nos Estados-membros da UE”.

O regulador europeu conclui estar ainda em “diálogo contínuo com os titulares da autorização de introdução no mercado das vacinas contra a covid-19”, isto é, as farmacêuticas, caso queiram “introduzir melhorias no fabrico para melhorar a distribuição de vacinas na UE”.

Assente na tecnologia do ARN mensageiro, a vacina Comirnaty (nome comercial da vacina Pfizer/BioNTech) é uma das quatro aprovadas na UE, às quais se juntam os fármacos da Moderna, Vaxzevria (novo nome do fármaco da AstraZeneca) e Janssen (grupo Johnson & Johnson).

A ferramenta online do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) para rastrear a vacinação da UE e que tem por base as notificações dos Estados-membros, revela que até ao momento uma média de 14,4% da população da UE está totalmente inoculada (com as duas doses da vacina contra a covid-19), enquanto cerca de 36% recebeu a primeira dose.

Em termos absolutos, isto equivale a 183 milhões de doses de vacinas administradas de 217 milhões de doses recebidas, sendo que os dados do ECDC dependem sempre das comunicações dos países.

Além dos constantes atrasos na entrega das vacinas e em doses aquém das contratualizadas por parte da farmacêutica AstraZeneca, a campanha de vacinação da UE tem sido marcada por casos raros de efeitos secundários como coágulos sanguíneos após toma deste fármaco, relação confirmada pelo regulador europeu, como aliás aconteceu com a vacina da Johnson & Johnson.

A vacina da Pfizer/BioNTech tem sido a mais procurada pela Comissão Europeia para superar estes problemas e manter o ritmo de vacinação na UE.

ZAP // Lusa

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