A Lua tem 200 vezes mais radiação do que a Terra (e isso é mau)

Uma equipa de cientistas alemães e chineses mediu, pela primeira vez, a radiação na Lua. A descoberta pode ter implicações para o futuro das viagens espaciais humanas.

A exploração espacial traz vários riscos, um dos quais é a exposição à radiação espacial. Fora da bolha protetora que é o campo magnético da Terra, partículas do Sol e do resto da galáxia são um sério perigo para a saúde humana.

Uma equipa de astrónomos da Alemanha e da China conseguiram quantificar, pela primeira vez, o nível de radiação os astronautas na Lua podem esperar ser expostos – e é muito.

A equipa estima que a dose equivalente de radiação que os astronautas experimentariam diariamente é de cerca de 1,3 miliSievert (uma unidade que mede a dose de radiação recebida de uma fonte radioativa). Isto é 2,6 vezes superior à experiência dos astronautas e cosmonautas na Estação Espacial Internacional.

“Os níveis de radiação que medimos na Lua são cerca de 200 vezes maiores do que na superfície da Terra e 5 a 10 vezes maiores do que num voo de Nova Iorque a Frankfurt”, disse Robert Wimmer-Schweingruber, um dos autores do estudo, num comunicado citado pelo IFLScience. “Como os astronautas estariam expostos a esses níveis de radiação durante mais tempo do que passageiros ou pilotos em voos transatlânticos, essa é uma exposição considerável.”

Este nível de radiação é maior do que o que a Agência de Proteção Ambiental espera que um norte-americano seja exposto num ano (1 milliSievert). Quem trabalha especificamente com radiação só pode ser exposto a um máximo de 50 milliSievert num ano.

Segundo estes cálculos, um astronauta na Lua cruzaria esse limiar em 38 dias e 12 horas.

As medições informativas vêm da experiência Lunar Lander Neutrons and Dosimetry a bordo do módulo chinês Chang’e 4, que está estacionado do outro lado da Lua. Esta experiência não é a primeira medição de radiação na Lua, mas é a primeira a atingir este nível de precisão.

Este estudo levanta a questão da segurança dos astronautas. A radiação espacial é uma preocupação constantemente investigada, especialmente quando se trata de planear missões de longa duração no Espaço profundo, como um regresso à Lua ou uma viagem ainda mais longa até Marte. Ter um habitat construído no solo lunar ou coberto por ele ajudará na proteção contra radiação. No entanto, com base nalgumas das medições da Apollo 17, a radiação dos neutrões pode ser maior nesses assentamentos.

Assim, visitar a Lua não deve ser muito arriscado, mas viver permanentemente nela pode, encurtar a vida.

Por outro lado, a equipa destaca que as medições foram colhidas durante um período de mínimo solar, portanto, as medições devem ser consideradas um limite superior para os raios cósmicos galácticos.

Este estudo foi publicado na revista científica Science Advances.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. A sério que foi a primeira vez que mediram a radiação na lua?? Então em 1969 os atornautas foram à lua sem saber dos níveis de radiação?? Podem dizer o que vos apetecer mas é tão verdade os estadunidenses terem ido á lua como eu ter escalado o Everest!!

  2. A lua tem níveis de radiação insuportáveis para a vida humana… E isso é mau?? Ainda bem! Ainda bem que não se pode viver na lua nem em Marte! Queriam destruir mais um planeta? Já basta destruírem a Terra!

    • Como se você estivesse fazendo algo tão inovador pra criticar assim. Eu queria muito que todos cuidassem da terra. Mas isso é impossível

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