Há uma “caça ao tesouro” à urna de ouro oferecida por Inglaterra a França antes da Entente Cordiale

Um novo enigma literário está prestes a chegar às estantes de livros com uma recompensa incomum. Pistas em “The Golden Treasure of the Entente Cordiale” podem levar leitores no Reino Unido e França a um tesouro histórico apresentado pela Grã-Bretanha ao presidente francês em 1903.

O artista Michel Becker localizou e comprou a urna de ouro dada a França pela Inglaterra antes da assinatura da Entente Cordiale em 8 de abril de 1904, que tentou acabar com séculos de antagonismo entre os dois países.

Apresentado ao presidente francês Émile Loubet em julho de 1903, a urna foi feita pela Goldsmiths and Silversmiths Company, em Londres, e continha um pergaminho que celebrava a amizade entre os dois países.

Avaliada em 750 mil euros, de acordo com o jornal britânico The Guardian, a caixa primorosamente decorada é agora o prémio para quem resolver as pistas do próximo livro de caça ao tesouro de Becker “The Golden Treasure of the Entente Cordiale”.

Uma versão em francês e uma versão em inglês do livro foram publicadas na quinta-feira, com cada uma com pistas diferentes que levam a dois locais diferentes. Cada livro contém nove quebra-cabeças, compostos por ilustrações de Becker e um texto secreto escondido na história que o acompanha, escrito por Pauline Deysson.

Os leitores devem decifrar o código oculto na ilustração para encontrar o texto que falta, o que os ajudará a resolver o enigma.

Quando todos os nove quebra-cabeças forem resolvidos, os leitores conseguirão encontrar onde foram enterradas duas chaves de cristal de geode, uma no Reino Unido e outra em França.

“Um papel e um lápis serão suficientes para descobrir algumas soluções. Para outros, será necessário fazer pesquisas adicionais… a Internet será um aliado valioso para encontrar as informações de que precisa sem sair da cadeira”, lê-se no livro. “Esta não é uma caça ao tesouro fácil. Para ganhar, precisará de tenacidade: um tesouro só está acessível aos corajosos”.

Ao encontrar os dois cristais, que foram enterrados em baús juntamente com a documentação, os caçadores de tesouro conseguirão colocá-los juntos para abrir o armário onde Becker guardou a urna.

“Pode-se dizer que requer uma nova Entente Cordiale!”, disseram os organizadores, embora acrescentem que “uma única e mesma pessoa bilíngue” poderia teoricamente encontrar os dois cristais “ou mesmo uma única equipa que poderia incluir jogadores ingleses e franceses”.

A Entente Cordiale

O livro também contém uma história da Entente Cordiale escrita pelo escritor e historiador britânico Stephen Clarke, autor de “A Year in the Merde”. Clarke disse que viu a caça ao tesouro “como um lembrete oportuno de que os conflitos sobre quem recebe as doses da vacina são soluços temporários numa aliança chave e duradoura”.

“A Entente Cordiale de 1904 adiou em 10 anos a primeira guerra mundial e fez com que, quando viesse, os dois lados estivessem empatados. Isso também significou que os britânicos apoiaram os franceses em 1939-40”, disse Clarke.

“Só lamento que o próprio texto da Entente Cordiale seja de má qualidade. Se ler, é um acordo sórdido entre duas potências coloniais – ‘vamos deixar que fique com o Marrocos se ficar longe do Egito’. Acho que precisamos de um novo texto, uma renovação dos votos, simplesmente reafirmar que os britânicos e os franceses são vizinhos e aliados, para que a Entente Cordiale tenha um sentido mais profundo e moderno”, acrescentou.

Clarke diz não saber onde o tesouro estava escondido, mas já viu a urna. “É um pedaço de ouro muito sólido. Estou muito surpreendido que não esteja num museu ou recuperado pelo estado francês”, disse, acrescentando que “não há perigo disso, caso os caçadores de tesouros estejam preocupados”.

“Foi ideia de Michel Becker. Encontrou a caixa dourada, comprou e aprendeu tudo o que se pode saber sobre a Entente Cordiale. Apaixonou-se por esta história entre França e a Inglaterra, que existiu graças à vontade dos dois homens [Rei Eduardo VII e Loubet]. Quis trazer essa história para o mundo com esta caça ao tesouro”, explicou Vincenzo Bianca, que criou os quebra-cabeças.

“Michel é um artista. Faz coisas que alguns não entendem, mas que o divertem. Não espera ganhar dinheiro com esta operação. Se as pessoas forem apaixonadas pela aventura, terá alcançado o que queria, continuou.

Becker já ilustrou o lendário livro de caça ao tesouro de Max Valentine, “Sur La Trace de La Chouette d’Or” (“A caça à coruja dourada”). Publicado em 1993, continha 11 quebra-cabeças que, se resolvidos, localizariam a coruja dourada esculpida por Becker. Contudo, nunca foi encontrada.

A busca para encontrar a coruja dourada seguiu a sensação que saudou a publicação de “Mascarada” de Kit Williams em 1979, um livro ilustrado que continha pistas para a localização secreta de uma lebre dourada.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

 

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