Livre defende a exclusão da disciplina de Educação Moral e Religiosa da escola pública

Patrícia Gonçalves, candidata às eleições legislativas pelo Livre, considera que “não faz sentido haver ensino confessional” na escola pública.

Em entrevista ao Público, Patrícia Gonçalves, número cinco da lista do Livre por Lisboa, explicou o que motiva o partido a defender a exclusão da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) do currículo das escolas públicas.

“Achamos que na escola pública não faz sentido haver ensino confessional. As pessoas têm a liberdade de escolher o ensino confessional que quiserem, mas podem fazê-lo fora da escola pública, na escola pública isso não deve ser feito”, considerou.

Para o fazer, o Livre defende que esta disciplina deve deixar de ser curricular, ou seja, “deve poder ocupar extremos de horário para não estar dentro do horário normal das outras disciplinas”. “Não acredito que seja possível resolver esta questão de uma vez.”

Patrícia Gonçalves considera que a segunda questão tem a ver com os professores. “Os professores de Educação Moral e Religiosa são pagos pelo erário público, como os outros professores, e têm de ter validação do Patriarcado. Ao mesmo tempo são funcionários públicos que, se perderem a confiança do Patriarcado, não podem dar mais aulas e ficam impedidos de trabalhar”, explicou.

“Por isso, o segundo passo é que estas pessoas deixem de ser pagas pelo erário público, deixem de ser funcionários públicos. O caminho é afastar este tipo de ensino da escola e levá-lo para a catequese, para as igrejas, onde ele deve ser ensinado”, disse a candidata.

O Livre considera que o primeiro passo é mais simples do que o segundo, uma vez que “os professores deixarem de ser pagos pelo erário público é uma luta grande”. “São mais de dois mil professores de EMRC no país e isto tem implicações na vida das pessoas e também no equilíbrio da Igreja Católica.”

Quanto à polémica em torno desta proposta, Patrícia Gonçalves considera que isso acontece pelo facto de a Igreja Católica ter muito poder em Portugal. “Em Maio de 2018, tínhamos 35% de católicos praticantes e 48% de não praticantes. A grande parte dos não praticantes nem sequer acredita no que está na Bíblia. No que toca à religião, as pessoas ou estão muito ligadas por razões emocionais e de educação ou são supersticiosas, por isso, acham complicado mexer nestes assuntos.”

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Só quem não tem ideias nem mais nada para inventar se vai lembrar de proibir o que é opcional há décadas…
    Portugal a precisar de alternativas sérias para e só nos calham duques.
    Enfim.

  2. Concordo, menos com a interpretação do Livre no último parágrafo. Não tinha que se meter numcampo que não é o de um partido político.
    Efetivamente, não faz sentido nenhuma educação religiosa na escola pública. Seja qual for a confissão.O que é curioso em Portugal é que no ensino privado, podendo ter essa disciplina e dar-lhe o relevo que muito bem entenderem, tanto quanto sei a maioria dos colégios estão-se nas tintas para a religião e não estão para perder tempo (horários) com isso. E, surpreendentemente, para a boa educação, para os pais e para a sociedade civil está tudo bem

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