Líderes das “big tech” respondem no Congresso dos EUA sobre eventuais abusos de posição

Anthony Quintano / Wikimedia

Mark Zuckerberg, o criador da rede social Facebook.

Mark Zuckerberg vai ser questionado no Congresso sobre eventuais abusos de posição dominante e sobre a pertinência de leis “antitrust”, juntamente com responsáveis de outros gigantes tecnológicos.

O fundador do Facebook disse que a empresa, “orgulhosamente americana”, não teria tido sucesso sem “leis que encorajam a concorrência e a inovação”.

De acordo com extratos do discurso consultado pela agência France-Presse da audiência de Zuckerberg no Congresso norte-americano, prevista para esta quarta-feira, o fundador do Facebook defende a sua plataforma, acusada tanto pela esquerda como pela direita de se tornar demasiado dominante.

Os responsáveis pelos quatro gigantes tecnológicos (big tech) Google, Amazon, Facebook e Apple (GAFA) vão ser questionados no Congresso, no quadro de um inquérito sobre eventuais abusos de posição dominante e sobre a pertinência de leis antitrust existentes. Além de Zuckerberg, também Sundar Pichai (Alphabet, empresa-mãe da Google), Tim Cook (Apple) e Jeff Bezos (Amazon) serão ouvidos.

No discurso a que a AFP teve acesso, Zuckerberg apela em particular ao patriotismo económico dos eleitos. “Acreditamos em certos valores — democracia, concorrência, inclusão, liberdade de expressão — sobre os quais a economia americana foi construída”, refere, salientando não existirem garantias de que esses valores irão vingar, fazendo uma comparação com o mercado chinês.

“A China, por exemplo, está a construir a sua própria versão da Internet sobre ideias muito diferentes e a exportar essa visão para outros países”, declara.

Mark Zuckerberg já tinha utilizado este argumento numa audição de outubro, sobre o seu projeto de uma moeda digital, perante a Comissão de Serviços Financeiros do Parlamento Europeu. Nessa ocasião, disse também que, na sua opinião, os governos e os reguladores devem “desempenhar um papel mais ativo” na “atualização das regras da Internet” em termos de moderação de conteúdos.

No discurso esta quarta-feira conhecido, o milionário antecipa as críticas previsíveis que provavelmente enfrentará. Muitos democratas e a sociedade civil pronunciaram-se contra esta rede social, que acreditam ser demasiado laxista a lidar com mensagens e vídeos de extrema-direita ou algumas das observações insultuosas do Presidente dos EUA, o republicano Donald Trump.

Os republicanos, por outro lado, sentem-se censurados por plataformas com sede em Silicon Valley, Califórnia, um reduto democrata.

O Facebook está ainda a processar a autoridade europeia da concorrência por pedir demasiados dados, escreve o Observador. A rede social defende que estão a ser pedidos dados muito pessoais. Desde o início da investigação, o Facebook já entregou 1,7 milhões de páginas de 315 mil documentos diferentes à Comissão Europeia.

Os documentos pedidos agora são “predominantemente irrelevantes” e não têm nada a ver com a investigação em curso, defende o conselheiro geral do Facebook, Tim Lamb. “Esses pedidos devem ser analisados ​​pelos tribunais da União Europeia”, lê-se no comunicado.

ZAP ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Estes processos contra estas empresas, já agora responsáveis pela criação de milhões de empregos directos e indirectos no mundo inteiro, são na generalidade absurdos. Na maior parte dos casos resumem-se a “esta empresa é demasiado grande e não podemos permitir isso”. Nada como penalizar o sucesso…

  2. Aliás, o que é que impede uma empresa de desenvolver um novo sistema operativo, ou um novo motor de busca, ou criar um novo telemóvel ou tablet, ou uma nova rede social, etc. Nada. Todas estas empresas, quando apareceram, eram pequenas empresas a enfrentar gigantes já estabelecidos. Nada impossibilita que o ciclo se repita.

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