Lentidão da reacção internacional ao Ébola foi “terrorismo da pobreza”

gbaku / Flickr

Crianças da África Ocidental com morcegos acabados de apanhar

Especialistas na área da saúde reunidos em Marraquexe, Marrocos, criticaram a lentidão da comunidade internacional em agir para deter a propagação do vírus Ébola, já que os países da África Ocidental afetados não dispõem dos meios para tal.

Os especialistas, que sublinharam a urgência de acionar os mecanismos necessários para combater o surto epidémico, falavam num painel da 3.ª edição dos Diálogos Atlânticos, um fórum anual de reflexão e debate de ideias para reforço das relações entre os países banhados por esse oceano que decorre na histórica cidade marroquina até este domingo, uma iniciativa do German Marshall Fund, dos Estados Unidos, e do grupo mineiro marroquino OCP.

Segundo Paul Farmer, professor de Saúde Global e Medicina Social na Universidade de Harvard, Estados Unidos, as vítimas da febre hemorrágica, cuja taxa de mortalidade é de 90 por cento dos infetados e que já fez, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 5.000 mortos em cerca de 10.000 casos desde o início deste ano, padeceram devido ao “terrorismo da pobreza”.

A maioria dos casos registou-se em três países da África Ocidental – Serra Leoa, Libéria, Guiné-Conacri, “países que não têm staff, stuff and space” (profissionais, materiais e estruturas) para tratar os casos, “fazendo com que as pessoas sejam abandonadas à sua sorte – por vergonha, por medo de discriminação e por falta de meios – em situações de emergência como esta”.

É isto o terrorismo da pobreza“, frisou Paul Farmer.

A necessidade de atacar o problema “é premente”, defendeu, e tal passa pela formação de profissionais de saúde localmente e por “integrar a prevenção e o tratamento”, até porque “Ébola em todo o lado é uma ameaça para as pessoas em qualquer lado”.

“É preciso uma resposta para ontem”, insistiu Farmer.

Mira John / Flickr

Paul Farmer, professor de Saúde Global e Medicina Social na Universidade de Harvard, Estados Unidos

Paul Farmer, professor de Saúde Global e Medicina Social na Universidade de Harvard, Estados Unidos

Um Plano Marshall para o Ébola

O especialista liberiano Raj Panjabi, co-fundador e presidente executivo da organização não-governamental Last Mile Health, que trabalha para levar cuidados de saúde aos meios rurais mais isolados e pobres, reiterou a ideia, declarando, de forma contundente: “É preciso um Plano Marshall para o Ébola“.

Para Panjabi, o atual surto da doença poderia ter sido detido há meses se tivesse havido cuidados de saúde locais na aldeia onde a infeção começou.

“Se tivéssemos gasto algumas dezenas de milhões de dólares para levar profissionais de saúde a todas as aldeias remotas da Guiné-Conacri, da Serra Leoa e da Libéria, não teríamos de gastar os milhares de milhões de dólares que estamos agora a gastar e teríamos salvo muitas mais vidas”, defendeu.

No debate, subordinado ao tema “Novos e Velhos Desafios à Segurança Sanitária”, interveio também Deborah Birx, responsável, no departamento de Estado norte-americano, pelo Plano de Emergência do Presidente para Ajuda às Vítimas de Sida, que classificou o Ébola como “um apelo para a ação sobre o que a segurança sanitária significa e o que a comunidade internacional deveria estar a fazer conjuntamente”.

De acordo com Birx, cabe aos países prepararem-se para “a próxima inevitável epidemia”, seja ela de Ébola, gripe ou outra coisa qualquer”.

“Ela virá e todos os países precisarão de ter um sistema de alarme instalado. Não podemos apenas depender da OMS, temos de agir todos juntos”, defendeu Birx.

/Lusa

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