John Bolton denunciou pressão sobre a Ucrânia dois meses antes de sair da Casa Branca

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Gage Skidmore

John Bolton, ex-conselheiro nacional de segurança de Donald Trump

John Bolton, o antigo conselheiro de Segurança Nacional norte-americano que saiu do cargo em setembro em confronto com Donald Trump, fez saber aos advogados da Casa Branca, em julho, que estava em curso uma campanha de pressão sobre a Ucrânia.

Segundo noticiou o Público esta terça-feira, numa conversa com uma das suas principais conselheiras, John Bolton chamou a Rudolph Giuliani, o advogado pessoal do Presidente norte-americano, “uma granada que vai matar toda a gente”.

A história da forma como John Bolton lidou com as abordagens de Rudolph Giuliani, mas também do embaixador dos EUA na União Europeia (UE), Gordon Sondland, e do chefe do gabinete de Donald Trump, Mick Mulvaney, foi contada por Fiona Hill numa audição à porta fechada no Congresso norte-americano, na segunda-feira.

Fiona Hill saiu do Conselho de Segurança Nacional no dia 19 de julho e foi a primeira antiga responsável oficial da Casa Branca a depor nas audições da Câmara dos Representantes que podem levar a um processo de impugnação contra o Presidente norte-americano.

Num depoimento que durou dez horas, Fiona Hill acusou o advogado pessoal de Donald Trump, Rudolph Giuliani, de liderar um Departamento de Estado paralelo, sem prestar contas aos responsáveis oficiais, para beneficiar pessoalmente o Presidente norte-americano, revelou o Washington Post.

De acordo com o New York Times, a antiga responsável pelos assuntos relacionados com a Europa e a Rússia no Conselho de Segurança Nacional dos EUA contou os pormenores sobre uma reunião particularmente conturbada que decorreu no dia 10 de julho – pouco mais de uma semana antes da sua saída da Administração Trump.

Nessa reunião estiveram presentes, para além de Fiona Hill e do seu chefe, John Bolton, o embaixador norte-americano na UE, Gordon Sondland, o então enviado especial para a Ucrânia, Kurt D. Volker, o secretário da Energia, Rick Perry, e dois responsáveis do Governo ucraniano, cujos nomes não foram divulgados.

Stepan Franko / EPA

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy

Segundo Fiona Hill, o embaixador norte-americano na UE ficou irritado com a oposição de John Bolton à realização de um encontro oficial entre Donald Trump e o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskii, dizendo que o chefe de gabinete do Presidente norte-americano, Mick Mulvaney, já tinha combinado uma reunião entre os dois líderes se a Ucrânia abrisse as investigações que a Casa Branca queria.

Numa conversa telefónica entre Donald Trump e Volodimir Zelenskii, no dia 25 de julho – duas semanas depois da reunião no gabinete de John Bolton -, o Presidente norte-americano pediu ao seu homólogo ucraniano que abrisse investigações anti-corrupção, nomeando um caso que poderia envolver Joe Biden, um dos mais fortes candidatos a enfrentá-lo nas eleições presidenciais de 2020 pelo Partido Democrata.

De acordo com o depoimento de Fiona Hill – uma funcionária respeitada por democratas e republicanos, antiga investigadora da Brookings Institution e co-autora de uma biografia de Vladimir Putin muito crítica do Presidente russo -, a reunião de 10 de julho acabou a meio por decisão do então conselheiro de Segurança Nacional norte-americano.

E quando os outros participantes disseram que iam continuar a discutir o assunto noutra divisão, John Bolton instruiu Fiona Hill a participar na conversa e a transmitir-lhe tudo o que fosse falado entre Gordon Sondland, Kurt D. Volker, Rick Perry e os dois representantes ucranianos.

Quando Fiona Hill chegou à reunião, os cinco estariam a falar sobre as investigações anti-corrupção na Ucrânia – vistas como linguagem codificada para referir a possível investigação contra Joe Biden e o seu filho Hunter Biden.

A responsável disse então que aquele assunto não deveria ser discutido na presença dos ucranianos e regressou ao gabinete de John Bolton – depois disso, Fiona Hill reportou o caso ao advogado principal do Conselho de Segurança Nacional, John A. Eisenberg.

Juntamente com o relato das reuniões do dia 10 de julho, John Bolton – um advogado formado em Yale – terá dito a Fiona Hill para transmitir aos advogados da Casa Branca uma frase em particular, dita de forma metafórica: “Eu não estou metido em qualquer que seja o negócio de droga que o Sondland e o Mulvaney estão a organizar”.

John Bolton saiu da Casa Branca no dia 10 de setembro e até hoje não há certezas sobre o que aconteceu. O Presidente norte-americano diz que o despediu no dia 10 de setembro, mas John Bolton tem uma versão diferente. “Eu pus o meu cargo à disposição ontem à noite e o Presidente disse: ‘Falamos sobre isso amanhã'”, escreveu no Twitter.

As divergências entre John Bolton e Donald Trump eram visíveis há meses, mas até agora pensava-se que se limitavam a questões de política externa. John Bolton, que há décadas defende ataques militares contra a Coreia do Norte e o Irão para se operar uma mudança de regime, vinha sendo contrariado em público pelo Presidente norte-americano.

Gordon Sondland deverá ser ouvido esta quinta-feira no Congresso, apesar da proibição decretada na semana passada pela Casa Branca.

Taísa Pagno ZAP // //

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