Investigadores de Cambridge criaram jogo para combater “fake news”

Bad News / University of Cambridge

Uma imagem do jogo “Bad News”

Investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, pensam ter descoberto uma forma de “inocular” o público contra as chamadas notícias falsas.

Segundo o Science Alert, a solução pode estar num simples jogo online, lançado no ano passado e batizado de Bad News, no qual qualquer pessoa que assim o deseje pode entrar de forma segura na mente de um propagandista da Internet nos dias que correm.

“A investigação sugere que as notícias falsas se espalham mais rápido e mais profundamente do que a própria verdade, por isso combater a desinformação depois do facto pode ser como lutar uma batalha perdida”, afirma Sander van der Linden, co-autor do artigo publicado, no final de junho, na revista científica Palgrave Communications.

“Queríamos ver se conseguíamos desmascarar de forma preventiva notícias falsas, expondo as pessoas a uma dose fraca dos métodos usados para criar e disseminar desinformação, para que entendessem melhor como poderiam ser enganados”, explica.

Esta tática é aquilo a que os psicólogos chamam de “teoria da inoculação”, isto é, quando se tenta persuadir uma pessoa a não ser persuadida por outra. Tal como uma vacina, expor as pessoas a um argumento fraco pode ajudá-las a desenvolver um sistema de defesa, através do qual argumentos mais fortes não serão tão contagiosos ou prejudiciais no futuro.

O jogo online funciona dentro de uma simulação de uma rede social, onde os participantes são apresentados a estratégias de propaganda que podem usar para construir uma plataforma que espalhe medo, ódio e raiva.

Com recurso a ‘bots’ do Twitter, Photoshop e outras estratégias, os jogadores podem fazer surgir um escândalo nacional ou roubar a identidade de outra pessoa para aumentar a sua própria credibilidade. Ao longo desta jornada, os jogadores ganham medalhas pela sua manipulação bem-sucedida. Mais importante ainda, antes e depois de jogar, foi pedido que avaliassem a confiabilidade de uma série de diferentes manchetes e tweets.

Até agora, milhares de pessoas já jogaram o jogo de 15 minutos e a análise de 15 mil desses resultados foram agora publicados. Embora o jogo não tenha mudado a forma como os participantes compreendem as notícias reais, foram, em média, 21% melhores em determinar a confiabilidade das notícias falsas depois de terem jogado.

Isto sugere que o jogo não deixa apenas os participantes mais céticos, mas também os capacita a perceber estratégias específicas de fraude. Melhor ainda, aqueles que eram mais suscetíveis a manchetes de notícias falsas no início do jogo pareceram beneficiar ainda mais dessa “inoculação psicológica”.

Enquanto que, no geral, os idosos e os conservadores foram os grupos mais suscetíveis a notícias falsas, a inoculação pareceu funcionar em toda a demografia, incluindo géneros, níveis de educação, grupos etários e ideologias políticas.

Porém, tal como explica o Science Alert, a própria natureza do jogo traz algumas desvantagens científicas. Exemplos disso são, por exemplo, o facto de o tamanho da amostra não poder ser representativo do público em geral e o estudo não ter um grupo de controlo tradicional, ou seja, para minimizar o problema, os autores incluíram duas questões de controlo de “notícias reais”.

E, antecipando já algumas críticas, os investigadores estão confiantes de que o jogo não encoraja um mau comportamento online. A divulgação de notícias falsas geralmente é feita por razões financeiras e/ou políticas, e essas motivações não são inspiradas no jogo.

Além disso, apontam, qualquer pessoa que tenha perdido algum do seu tempo na Internet já se deparou com todas estas estratégias e técnicas. Os mecanismos de notícias falsas já não são um segredo, mas estão a tornar-se rapidamente um contágio.

“Estamos a mudar o alvo das ideias para as táticas. Ao fazer isto, esperamos criar aquilo que podemos chamar de ‘vacina’ contra notícias falsas, em vez de tentar combater cada conspiração ou falsidade específica”, conclui o outro co-autor do estudo, Jon Roozenbeek.

ZAP //

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