“O meu palpite é que ele vai avançar. Tem de fazer alguma coisa.” Joe Biden antecipa invasão da Ucrânia pela Rússia

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Brendan Smialowski / AFP

Vladimir Putin e Joe Biden apertam as mãos na Cimeira EUA-Rússia de Villa La Grange, Genebra, 16 de Junho de 2021

Presidente dos Estados Unidos alertou que uma invasão da Rússia à Ucrânia poderia seria a ação com mais consequências para a paz mundial desde a Segunda Guerra Mundial.

Numa das suas declarações mais extensas sobre o assunto até ao presente, Joe Biden admitiu que a Rússia deve invadir a Ucrânia num futuro próximo, sendo esse o cenário que o presidente dos Estados Unidos da América vê como mais provável, apesar de reconhecer que a postura de Vladimir Putin em relação ao tópico é ainda incerta. “Eu não tenho certezas em relação ao que ele vai fazer. Mas o meu palpite é que vai avançar. Ele tem de fazer alguma coisa”, respondeu aos jornalistas.

Biden afirmou ainda que, em caso de ataque, Moscovo enfrentaria “duras consequências“, impostas não só pelos Estados Unidos, mas também pelos restantes aliados da NATO. No entanto, reconheceu que ainda não existem uma postura concertada entre os membros da Aliança Atlântica quanto às respostas que uma invasão à Ucrânia iria despoletar. “O que vamos ver é a Rússia a ser responsabilizada caso invada e dependendo da forma como o faça“, avançou.

Sobre este ponto, o presidente dos Estados Unidos da América tentou distinguir as diferentes escalas de um possível ataque, ressalvando que as reações terão que ser adaptadas caso se trate de uma “incursão menor”, como ataques cibernéticos ou a presença em território ucraniano de agentes de inteligência russos — que Washington diz já estar a acontecer.

Um cenário de uma grande invasão das tropas russas à Ucrânia seria a linha vermelha, explicou Biden, que categorizou tal ação como “o acontecimento com mais consequências no mundo, em termos de guerra e paz, desde a Segunda Guerra Mundial”, com riscos de se dispersar para fora das fronteiras ucranianas e até ficar “fora de controlo“. “Há diferenças no que respeita ao que os membros da NATO estão dispostos a fazer, dependendo do que aconteça. Se a Rússia atravessar as fronteiras… penso que isso muda tudo”, apontou.

Pouco tempo depois da declaração do presidente dos Estados Unidos da América, Jen Pskai, tratou de esclarecer algumas das ideias transmitidas anteriormente, esclarecendo que qualquer movimento feito pelas forças russas e que implicasse a transgressão das fronteiras ucranianas seria interpretado como uma invasão. “O presidente Biden tem sido claro com o presidente da Rússia: se alguma força militar russa se move na fronteira ucraniana, será uma invasão renovada, e terá “duras consequências”, impostas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados”, pode ler-se no documento assinado por Paski.

“O presidente Biden também sabe devido à sua longa experiência que os russos têm um extenso livro de agressões que não passam pela ação militar, como ciberataques ou táticas paramilitares. Hoje ele afirmou que essas agressões russas seriam acompanhas de uma resposta decisiva, recíproca e unida.”

O esclarecimento foi também uma forma de a diplomacia norte-americana acalmar os responsáveis ucranianos, que interpretaram a escolha de palavras de Biden como uma “luz verde para que Putin entrasse na Ucrânia a seu belo prazer” já que evidenciavam as divergências existentes entre os membros da NATO e as incertezas relativamente ao tipo de resposta que as movimentações russas iriam merecer por parte destes.

  Ana Rita Moutinho //

15 Comments

  1. Estas pequenas invasões da russia sobre território historicamente ligados à Russia com alegações que o faz para proteger uma minoria de ascendência russa e a inércia por parte do Mundo Ocidental faz lembrar as vésperas da 2a Guerra Mundial e as pequenas guerras de Hitler na Europa Central .. será que a história alguma vez se repete?

    • A proxima crise que se avizinha é fome, a Ucrânia é rica em cereais, por sua vez tambem o gás russo atravessa a Ucrânia, Putin ou seja a Rússia não teria de pagar pela travessia da conduta de gás para a Europa, como se asseguraria de campos férteis em cereais.

  2. Putin tomou o pulso da comunidade internacional com a anexação da Crimeia. Os EUA, a Europa e a NATO nada fizeram para além de condenações verbais, o que mostrou que Putin tem carta branca para continuar a ameaçar, ter presidentes fantoches e até invadir paises vizinhos. A comunidade internacional, começando pela Europa são uns cobardes, não tomam quaisquer medidas, apesar de apregoarem altos valores morais olham sobretudo para o dinheiro. São hipócritas ao mais alto nivel. Na Europa não há qualquer poder militar ou poder de influênciar seja o que for neste momento. Sanções económicas a alguns dirigentes é igual a nada. Acredito que ninguém se queira envolver numa guerra para defender principios democraticos noutros paises, quem fará isso na Europa ? Ninguém digo eu, como se não tivessem um impagável divida com os EUA e os Ingleses que mandaram os seus filhos virem morrer nas praias da Normadia pela liberdade da Europa, Mas esquecendo isso ao menos um embargo total e incondicional a todos os produtos da Russia, a congelar todos os bens da Russia, a fechar qualquer linha comercial seria o minimo a fazer. Espero que a Europa crie a coragem que não tem tido em nenhum conflito , deve isso à sua memória e devemos a nossa liberdade a outros que vieram em nosso auxilio quando tudo estava perdido.

    • A Europa tinha a obrigação de já se ter armado convenientemente na proporção das ameaças exteriores que já não são poucas, deve fazê-lo com urgência, mas nesse entretanto a Nato é o garante da integridade Europeia, a Europa globalmente tem que apoiar e reforçar o poder da Nato e ser clara nas suas posições.

    • O que é que a extrema esquerda tem a ver com isto?
      Ou que responsabilidade é que se lhe encontra para defender a Rússia.
      A Rússia é uma Oligarquia de inspiração capitalista que nada tem a ver com os ideais da extrema esquerda, nem mesmo da esquerda.
      Isto é um conflito civilizacional em que nós, o Ocidente, com todos os países aliados e clientes do Estados Unidos a assumir uma postura de superioridade cultural que não permite opções ao estilo de sociedade que abraçou.
      Com os chineses baixam a bola (e aí pouca gente fala e aí, sim, podia questionar-se a extrema esquerda sobre o seu silêncio).
      Mas quando toca à Rússia, que perdeu 20% do seu território na aventura soviética e que agora está a ser acossado pelos ‘vencedores’ da guerra fria, toda a gente se empolga e quer a cabeça do Putin numa bandeja.
      Já se perguntaram, porque será? Porque é que a Rússia incomoda tanta gente?
      De onde é que saiu tanta russofobia?
      Se fosse no Reino Unido ou nos EUA, ainda se explicava por ‘bias’ ou ódio histórico.
      Mas entre os portugueses,…qual é a razão para esta postura tão vocifera?
      Eu faço uma ideia do porquê, mas deixo essa interrogação para fazermos a nós próprios
      O QUE É QUE OS RUSSOS NOS FIZERAM PARA ESTARMOS TÃO ‘ENGALINHADOS’ COM ELES???

      • Mais um iluminado…
        “Com os chineses baixam a bola (e aí pouca gente fala e aí, sim, podia questionar-se a extrema esquerda sobre o seu silêncio).”

        Mas quê… a China é comunista?! É uma ditadura! De comunista tem pouco ou nada. O número de instituições financeiras chinesas e de milionários chineses nos respetivos rankings a nível mundial demonstra o seu “suposto” comunismo.

      • Não entendo esta posição, isso quer dizer que o nosso compromisso com a Europa é só receber fundos e vacinas, quando outros colocam em risco a segurança territorial e a soberania Europeia, quebram-se as alianças. Isso sim seria extrema cobardia, se um dia formos ameaçados não é isso que esperamos dos nossos aliados ou é?

  3. Esperemos que ele não avance. O mundo não precisa de mais guerras. Parece que ele quer voltar a anexar os países á Rússia para fazer novamente a URSS. Começa com Ucrânia e depois vai por aí fora. Ele era director do antigo KGB, por isso deve estar ainda com o bichinho de querer a URSS de volta. Se a Ucrânia fizesse parte da NATO, iriam obrigar a Europa e USA a entrar em conflito com a Rússia, caso a Rússia avançasse.. Por isso que a Europa não está a aceitar a entrada da Ucrânia na Nato, para evitar o conflito. O Putin também não quer ter a Nato á porta. A Europa está a “sacrificar” a Ucrânia para não ter que entrar em conflito.

      • geopoliticamente, interessa-lhe muito mais a ucrania do que a letoanizita ou a estoniazita. 2 natos pequeninas , ele ainda aguentou, mas uma grande ucrania com o 2º maior exercito da europa a fazer parte da nato, seria demais para ele.

        • Fazendo parte da NATO, o país ser grande ou pequeno não faz diferença… e a opinião do Putin também não interessa, porque aquilo não é território russo!!

          • O Putin já anexou a Crimeia , a Rússia já “manda” em 2 territórios da Ucrânia e a Ucrânia nada fez para se defender. O Putin lá sabe porque é que está interessado em anexar a Ucrânia ou então está só a provocar os ocidentais. Não é território russo, mas isso não interessa nada a Putin, parece que ele faz o que lhe apetece. Mesmo que lhe apliquem sanções , não serão suficientes para o deter, se ele quiser mesmo invadir a Ucrânia.

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