João Ferreira contra “bipolarização”, apela ao voto dos descontentes em Lisboa

Miguel A. Lopes / Lusa

CDU apresenta João Ferreira como candidato à Câmara de Lisboa

Esta segunda-feira, o candidato comunista à câmara de Lisboa, João Ferreira, salientou que “é importante não deixar o descontentamento aprisionado numa encenada bipolarização”.

O candidato da CDU à câmara de Lisboa, João Ferreira, apelou esta segunda-feira aos eleitores que não deixem “confinar” o seu descontentamento e recusou a lógica da bipolarização entre o PS e o PSD nas eleições autárquicas do outono.

“Existem justas razões para o descontentamento de muitos dos que vivem em Lisboa. Mais ainda para o descontentamento de muitos que deixaram de o poder fazer. É importante que esse descontentamento se traduza numa vontade de mudança”, afirmou João Ferreira, na apresentação da sua candidatura do PCP e Verdes, no largo José Saramago, em Lisboa.

Na sessão, em que participou o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, o candidato insistiu que “é importante não deixar o descontentamento aprisionado numa encenada bipolarização” para as autárquicas na capital, “a que alguns recorrem para confinar as escolhas dos cidadãos”, de forma a garantir que “ou nada muda, ou o que muda é para pior”.

Num discurso longo, de mais de 30 minutos, João Ferreira, que vai deixar se ser eurodeputado para se dedicar à campanha autárquica, fez um balanço do trabalho dos autarcas da CDU, e criticou PS, PSD e, mais indiretamente, o Bloco de Esquerda, que faz “maioria” com os socialistas na câmara da capital.

Se nunca referir o nome de Carlos Moedas, o ex-secretário de Estado no Governo de Passos Coelho que agora se candidata em Lisboa pelo PSD e CDS-PP, João Ferreira citou “alguns que aí aparecem a prometer novos tempos, saídos do baú das velhas políticas que Lisboa já conheceu e a que não quer voltar”.

“São os mesmos que projetaram no quotidiano dos lisboetas a dureza da agressão da tróica, os que destruíram os transportes públicos em Lisboa e os entregaram à privatização, os que se opuseram ao passe social intermodal, os que fizeram e aplicaram a lei dos despejos, os que sempre se opuseram a qualquer regulação do turismo e do alojamento local, os que acham que o mercado tudo resolve”, exemplificou.

E foi nesta parte que incluiu o balanço das propostas dos comunistas, tanto a nível nacional, durante o Governo chefiado pelo PS em que houve um acordo parlamentar à esquerda, como municipal.

Apesar da “oposição do PSD, do CDS e sucedâneos, foi possível concretizar uma proposta da CDU de há muitos anos”, ou seja, “o passe social intermodal, abarcando toda a área metropolitana, todos os operadores de transporte, substancialmente mais barato”, disse.

“Foi uma conquista de extraordinária importância, do ponto de vista económico, social e ambiental”, sintetizou.

A seguir, a nível municipal, deu o exemplo da proposta dos vereadores da CDU para aprovar, na Câmara de Lisboa, a “criação de um Programa Municipal de Arrendamento a Custos Acessíveis (o PACA)” com vista a reabilitar “o património municipal disperso e na sua disponibilização, através da criação de uma bolsa de arrendamento a preços acessíveis, a par da reserva e mobilização de terrenos municipais com aptidão para fins habitacionais”, apesar de ainda estar “marcar passo”.

Indiretamente, o Bloco, que tem vereador, também foi visado, com o candidato da CDU a sublinhar que “a maioria PS-BE” na câmara “teve ao seu dispor os mais elevados orçamentos de sempre, bem acima dos mil milhões de euros no universo consolidado da Câmara e das empresas municipais”.

E, no entanto, esta “maioria PS-BE continuou a recusar as propostas da CDU para a gestão pública das refeições escolares, melhorando a qualidade dessas refeições e as condições dos trabalhadores que as confecionam, mantendo a opção pela entrega a privados deste serviço”, acrescentou.

“Podemos dizer com toda a segurança que a CDU é a força da alternativa também no plano da cidade de Lisboa, como está preparada para assumir todas as responsabilidades que a população lhe queira confiar no outono próximo”, afirmou.

O próprio candidato concordou, depois de recusar a lógica de bipolarização PS-PSD e de fazer o balanço de algum do trabalho da vereação da CDU nos últimos quatro anos, retirando algumas conclusões.

A CDU, disse, “mostrou ser conhecedora profunda da realidade da cidade, mostrou ter a vontade e a capacidade para a transformar o que está mal, mostrou estar pronta para disputar e para assumir todas as responsabilidades na gestão municipal, incluindo a presidência da Câmara Municipal”.

Uma terceira conclusão é que o facto de não ter existido, em 2017, uma maioria absoluta do PS foi, em Lisboa, “um fator positivo na criação de melhores condições para responder aos problemas da cidade”, valorizou o “papel da oposição, da sua intervenção e contributos”.

E, a seguir, fez uma crítica implícita ao Bloco de Esquerda, que tem um acordo com o PS, por ter apoiado soluções pouco diferentes do tempo em que os socialistas governavam sozinhos a maior câmara do país.

“Neste mandato, se não se foi mais longe com as atuais condições, foi porque cedo o PS contou com apoio garantido para a viabilização de orçamentos e de opções de gestão que não se afastaram de alguns dos aspetos mais negativos das maiorias absolutas do PS”, disse.

Nas autárquicas mais recentes para a Câmara de Lisboa, em 2017, obteve 9,55% dos votos (24.110) e dois vereadores. Nesse ano, o PS manteve a liderança da autarquia, com a lista encabeçada pelo socialista Fernando Medina a conquistar oito mandatos, insuficientes, porém, para assegurar a maioria absoluta.

O PS fez, por isso, um acordo de governação com o Bloco, que detém pelouros. O executivo é ainda composto por quatro vereadores do CDS-PP e dois do PSD, além dos dois eleitos pela CDU.

Lusa // Lusa

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