Jerónimo acusa Governo de “falta de vontade” para responder à crise

José Sena Goulão / Lusa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que o Governo “tem meios” e só não responde aos problemas concretos causados pela crise sanitária, por lhe “faltar a vontade”, dando como exemplo a questão das vacinas.

“O Governo só não responde porque não é essa a sua opção. Os meios, tem. O que lhe falta é a vontade. Aos problemas concretos responde com os êxitos da Presidência da União Europeia, que em nada acrescentam à vida do povo português”, criticou Jerónimo de Sousa, na intervenção de encerramento no Congresso da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), que decorreu em Vila Franca de Xira no domingo.

O líder comunista acusou ainda o executivo de “assobiar para o lado e falar de solidariedade, enquanto as farmacêuticas engordam à custa das vacinas para a covid-19″, quando questionado sobre o que poderá a União Europeia fazer pelos portugueses.

Jerónimo de Sousa admitiu que “a epidemia condicionou” os direitos laborais, de associação e de educação os jovens, mas avisou que a situação sanitária “tem as costas largas”.

“Foi agravado quer pelo aproveitamento que dela fizeram os que viram uma oportunidade para agravar a exploração ou para dar mais uma machadada nos direitos e liberdades, quer pela incapacidade de resposta do Governo, a quem nem a severidade da situação convenceu a desamarrar-se das imposições da União Europeia e do Euro, como o exemplo das vacinas dá bem sinal, ou dos interesses do grande capital, que sabe que pode contar sempre com o apoio do Governo”, criticou.

O líder comunista salientou que “o Governo nem sequer pode dizer que faltaram os apoios ou as propostas em que sustentar uma outra intervenção”, dando como exemplos iniciativas do PCP para acabar com as propinas, aumentar o salário mínimo nacional para 850 euros ou apoios extraordinários para a habitação.

“Não foram aprovados porque PS, PSD, CDS, Chega, Iniciativa Liberal convergiram para o impedir”, criticou.

Ainda assim, o líder do PCP insistiu que, se a solução “não está nas estafadas opções da política de direita do PS, tão pouco está nos projetos reacionários de PSD, CDS, a que os seus sucedâneos Chega e Iniciativa Liberal, dão voz mais desbragada”, salientando a importância da alternativa do seu partido.

“Podem atirar-nos com todos os epítetos para cima que isso não apaga que não há avanço ou conquista, no plano dos direitos sociais e económicos, no plano das liberdades, no plano cultural, que não tenham tido a intervenção ou a contribuição direta do PCP (…). Podem procurar enlamear a bandeira que há 100 anos orgulhosamente erguemos (…), que não lhes será possível falar de liberdade, de democracia, de direitos, de combate às discriminações, às injustiças, sem falar do Partido Comunista Português”, acentuou.

Num discurso muito centrado nos problemas dos jovens, o secretário-geral comunista considerou que os últimos meses colocaram no centro das atenções os ataques aos direitos dos trabalhadores, das populações e da juventude, “perpetrados a coberto da justificação da epidemia”.

Milhares foram despedidos ao abrigo do período experimental, que PS, PSD e CDS permitiram que fosse aprovado no final da anterior legislatura. Muitos viram os salários cortados, os direitos postos em causa, os horários desregulados. A precariedade alastra mais depressa que a epidemia”, alertou.

Na área da educação, Jerónimo de Sousa salientou que os estudantes do ensino secundário e superior foram confrontados “com quase dois anos letivos postos em causa”.

“Perda de conteúdos, dificuldades de muitos milhares para acederem a computadores, à internet, ou a um espaço para assistirem às aulas online, e, quando regressaram às aulas, lá encontraram as mesmas carências, com escolas degradadas, com problemas nos transportes públicos sobrelotados ou que passam uma vez de manhã e outra ao fim do dia”, lamentou.

Jerónimo de Sousa sublinhou que também “o direito ao desporto, à cultura, ao lazer, não apenas foi adiado, como foi posto de facto em causa”, considerando que as regras importas não tiveram em conta a importância destas atividades para os jovens, designadamente para a sua saúde física e mental.

No ano em que PCP comemora o centésimo aniversário, o líder comunista considerou que, apesar de ter “a mais longa história, é igualmente o mais jovem partido português”.

“Nenhum outro revela, como o PCP, a mesma força, a mesma energia para intervir e lutar pela transformação da sociedade portuguesa (…) Nenhum outro é capaz de uma tamanha alegria, otimismo e confiança no futuro”, defendeu.

  // Lusa

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