O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um “mestre das redes sociais”. Mas para quê?

Marcelo Camargo / Agência Brasil

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, utiliza mais as redes sociais para passar as informações que pretende do que o homólogo norte-americano Donald Trump, conhecido por “inflamar” o Twitter, indica um artigo do Independent. Mas serão essas publicações sobre o seu governo e as políticas nacionais?

Embora se diga, em tom de brincadeira, que os políticos no Brasil só começam a trabalhar quando o Carnaval termina, este ano, os tweets explosivos do presidente Jair Bolsonaro não “respeitaram” a data, ironiza o Independent. A 5 de março, postou um vídeo de um folião a urinar em cima de outro, durante uma performance artística.

“Isso é o que muitas festas de rua de Carnaval se tornaram”, lamentou. O tweet acabou por receber 87 mil “curtidas”.

Dias depois, a 10 de março, criticou um jornalista de São Paulo, que está a investigar o seu filho, Flávio, senador do Rio de Janeiro. O termo “EstadãoMentiu”, usado pelo presidente, tornou-se um dos tópicos mais badalados do Twitter no Brasil. Apesar de ter sido criticado pela Ordem dos Advogados pela sua conduta, não retirou o tweet.

Estes são apenas dois dos exemplos que mostram como Bolsonaro confia mais nas redes sociais do que Donald Trump, cujas opiniões sobre o mundo compartilha. No entanto, ao contrário do presidente americano, o primeiro “não realiza comícios estridentes”. Os dois vão reunir em Washington, a 19 de março.

Em contraste com Luiz Inácio Lula da Silva – ex-presidente brasileiro que agora cumpre pena por corrupção -, Bolsonaro também não gosta de contato físico com os seus militantes, evitando tanto quanto possível aparecer na televisão. Ao invés disso, atinge a maioria dos brasileiros através dos seus ‘smartphones’, utilizando as redes sociais.

O seu sucesso, argumenta o artigo do Independent, deve-se em parte “à paixão fervilhante dos brasileiros pelas redes sociais”. No Orkut – extinto em 2014 -, havia mais brasileiros do cidadãos de qualquer outro país. Em 2011, essa rede social tinha 33 milhões de utilizadores brasileiros. Atualmente, ocupam a terceira posição no ‘ranking’ dos maiores utilizadores do Facebook, depois dos indianos e dos americanos.

“As redes sociais foram a única saída de Bolsonaro quando este lançou a campanha presidencial nas costas do Congresso do Brasil”, visto que a “sua minúscula aliança eleitoral deu-lhe pouco direito ao tempo livre de rádio e televisão”, lê-se no Independent.

Cansados da violência, dos escândalos e da recessão profunda que assola o país, os eleitores estavam prontos para as mensagens do atual presidente sobre o crime, a corrupção e os valores familiares.

“Os seus primeiros defensores desconfiam dos grandes órgãos de comunicação”, disse Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo, que entrevistou dezenas deles. “Eles assumem que as redes sociais são mais sinceras, porque aí têm contacto com amigos e familiares”.

Enquanto presidente, Bolsonaro ainda publica com frequência para os seus 10,7 milhões seguidores no Facebook e 3,7 milhões no Twitter. Segundo o Independent, acredita-se que seja outro dos seus filhos, Carlos, vereador no Rio de Janeiro, quem administra as suas contas nas redes sociais e escreva muitos de seus textos.

No dia 07 de março, o presidente deu uma palestra de 20 minutos no Facebook Live, indicando que esse era o primeiro de uma série semanal. A questão é se o mesmo pode ou se vai usar essas palestras para promover os programas do seu governo.

A verdade é que, refere o Independent, ao contrário de Donald Trump, Bolsonaro “não pretende ser um especialista na maioria das áreas políticas”. Prova disso é ter passado a reforma previdenciária – vital para estabilizar as finanças do governo – para o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a força pública para o ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Bolsonaro utiliza as redes sociais para felicitar os seus seguidores, mais do que esclarecê-los. Uma análise do Estado sobre os seus primeiros 515 tweets como presidente, publicados entre 01 de janeiro e 05 de março, indica que 95 felicitavam amigos e aliados, 51 eram ideológicos, 31 criticavam a imprensa, 30 rebatiam críticas e apenas cinco mencionavam a reforma previdenciária.

De facto, para avançar a sua agenda, Bolsonaro precisa reunir os cidadãos comuns mais do que os seus antecessores. O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, acredita que o mesmo deveria usar as redes sociais para explicar às pessoas “que o atual sistema de pensão está seco e o país será ingovernável caso se continue assim”.

Contudo, na sua primeira palestra no Facebook, o presidente falou sobre a “nova previdência” apenas durante 90 segundos, antes de retornar para assuntos mais agradáveis. Aproveitou ainda para criticar o governo por distribuir folhetos informativos sobre saúde sexual a adolescentes e prometeu eliminar progressivamente as câmaras de velocidade.

TP, ZAP //

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