O chefe do Governo italiano, Giuseppe Conte, prometeu esta terça-feira um novo orçamento “nas próximas horas” para evitar um procedimento por défices excessivos ao seu país.
“O meu objetivo é evitar que a Itália tenha um procedimento por défices excessivos que prejudique o nosso país e que também seja suscetível de prejudicar a Europa. Estou no processo de finalização da proposta de que a União Europeia não poderá não ter em consideração. [O documento] surgirá nas próximas horas”, disse Conte numa entrevista ao jornal italiano Avvenire.
A proposta “não compromete os interesses dos italianos nem as reformas previstas. Tenho algumas projecções sobre o impacto económico da ‘quota 100’ (regime de reformas antecipadas) e da renda de cidadania. Isto dar-me-á margem de manobra para usar nas negociações com a UE”, acrescentou. O governante recusou dar números, explicando que “para a negociação funcionar, deve haver uma reserva”.
Na segunda-feira, no entanto, Conte tinha sugerido que o seu objetivo não era reduzir o défice para menos de 2% do PIB (Produto Interno Bruto).
A Comissão Europeia rejeitou em 23 de Outubro e numa decisão inédita o projeto de orçamento italiano, que oficialmente prevê um défice de 2,4% do PIB, muito acima do esperado e fora dos limites europeus.
Bruxelas abriu então caminho para sanções contra Roma, dizendo que “justificava” a abertura de um “procedimento de défice excessivo” baseado na pesada dívida. A Itália tem o rácio dívida/PIB mais elevado da área do euro (131% do PIB), atrás da Grécia.
A Comissão Europeia acolheu na segunda-feira a “mudança de tom” da coligação populista no poder em Itália, mas disse que ainda esperava um esforço “significativo” para garantir o cumprimento das regras da UE. “É positivo que o tom das discussões tenha mudado (…) Mas um ajuste significativo do orçamento de 2019 também é necessário”, disse o vice-presidente Valdis Dombrovskis.
“Estamos a fazer progressos nas nossas discussões com as autoridades italianas”, disse o comissário para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, observando “uma mudança de método” por parte dos italianos. “Vamos ambos continuar o diálogo, incansavelmente (…) e, ao mesmo tempo, continuar a preparar as decisões” para o procedimento de infração,.
Mais uma vez, o patronato italiano criticou duramente a lei das finanças, dizendo que não promove crescimento, e pediu uma mudança.
ZAP // Lusa