Imagens de satélite mostram preparativos para lançamento espacial do Irão

(h) Planet Labs Inc.

Imagens de satélite do porto espacial de Imã Khomeini

O Irão parece estar a preparar-se para um lançamento espacial, de acordo com uma perito em imagens de satélite, que analisou fotos captadas no país.

Segundo a agência AP, que cita um perito em imagens de satélite, o Irão parece estar a preparar um lançamento do seu programa espacial civil —  enquanto decorrem em Viena negociações com as principais potências mundiais sobre o polémico programa nuclear do país.

O provável lançamento, a partir do porto espacial Imã Khomeini, no Irão, coincide com a divulgação por meios de comunicação estatais iranianos da lista de próximos lançamentos de satélites  do programa espacial civil da República Islâmica, que tem sido marcado por uma série de lançamentos falhados.

A Guarda Revolucionária iraniana mantém o seu próprio programa paralelo, que conseguiu colocar um satélite em órbita, com sucesso, no ano passado.

A realização de um lançamento espacial vai de encontro à postura radical dos negociadores de Teerão, que descreveram as seis rondas de diplomacia anteriores como um “esboço” — enquanto o novo Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão advertiu que “o tempo se estava a esgotar” para os iranianos.

Segundo Jeffrey Lewis, especialista do Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação, o lançamento espacial enquadra-se no foco do novo presidente iraniano, Ebrahim Raisi.

Com o ex-presidente do Irão, Hassan Rouhani, até recentemente responsável pelo acordo nuclear, fora do poder, as preocupações sobre a rejeição das negociações com os lançamentos — que os norte-americanos dizem que ajuda o programa de mísseis balísticos de Teerão — provavelmente desapareceram.

Segundo Jeffrey Lewis, “eles não estão propriamente preocupados em evitar confrontações. O governo de Raisi tem em mente um novo equilíbrio“.

Os meios de comunicação iranianos não admitiram haver atividade no porto espacial, e os representantes do Irão nas Nações Unidas não responderam a nenhuma questão sobre o assunto.

As imagens de satélite, obtidas pela Planet Labs Inc., mostram atividade no porto espacial, nas planícies desertas da província de Semnan, no Irão, cerca de 240 km a sudeste de Teerão.

Os satélites captaram um veículo de apoio estacionado ao lado de um pórtico que, normalmente, aloja um foguetão na rampa de lançamento. O veículo apareceu noutras fotos no local, mesmo antes de ser feito um lançamento.

Também é visível um guindaste, já capturado em imagens anteriores, também usado, provavelmente, para manutenção do foguetão.

Outras imagens de satélite mostram um maior número de carros nas instalações, outro sinal de aumento da atividade, que normalmente precede um lançamento.

Este aumento de atividade no porto espacial surgiu depois de a agência noticiosa iraniana IRNA ter anunciado, a 5 de dezembro, que o programa espacial já tinha quatro satélites prontos para lançamento.

O programa foi marcado por uma série de contratempos e explosões fatais nos últimos anos, e uma delas chamou a atenção do ex-presidente Donald Trump, em 2019.

O antigo presidente americano publicou uma imagem da explosão no Twitter, a dizer que “os Estados Unidos não estiveram envolvidos no acidente catastrófico”.

Em abril de 2020, quando a Guarda Revolucionária lançou um satélite em órbita com sucesso, o acontecimento foi descartado pelo chefe do Comando Espacial dos Estados Unidos, como sendo uma “webcam em queda no espaço“.

O Irão, que há muito tempo afirma não procurar armas nucleares, insiste que os seus lançamentos de satélites e os testes com foguetes não têm componentes militares.

Mas este possível lançamento mais recente também vem de encontro às tensões que recaem sobre o programa nuclear do Irão.

Desde que Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear de Teerão com potências militares, em 2018, a república islâmica foi abandonando, gradualmente, todos os limites do acordo inscritos no programa.

Jeffrey Lewis prevê que o programa espacial continue a avançar rapidamente, tendo em conta o interesse de Raisi. “Eles não estão limitados por preocupações com o acordo sobre o programa nuclear, como Rouhani estava”, conclui.

  ZAP //

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