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Investigadores do Porto desenvolvem vacina comestível contra a covid-19

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José Coelho / Lusa

Produção da vacina portuguesa anti covid, comestível, desenvolvida por um laboratório do Instituto Politécnico do Porto

As vacinas são sinónimo de agulhas. Agora, uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico do Porto (IPP) decidiu quebrar a regra e produzir uma vacina comestível contra a covid-19, em formato de iogurte e sumo de frutos.

Esta ideia, que está a ser maturada desde o aparecimento da pandemia de Covid-19, começou a ganhar forma há cerca de seis meses e, desde então, muito já foi feito.

A vacina é apresentada sob a forma de um iogurte líquido, ativado por extrato de cenoura geneticamente modificado que, contrariamente à versão tradicional das vacinas — que estimula a imunidade humoral — estimula um braço complementar a esta, a imunidade celular.

A vacina tem o potencial de ser disponibilizada rapidamente a toda a população com projeções financeiras muito favoráveis e encontra-se alinhada com os ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, encorajando o fortalecimento de uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade na sua produção.

Neste momento, estão a decorrer os ensaios “in vitro” e, brevemente, começam ensaios em animais, contou à Lusa um dos responsáveis pelo Laboratório de Biotecnologia Médica e Industrial — LaBMI do IPP, Rúben Fernandes.

Falando num projeto “completamente inovador em Portugal”, o biólogo explicou que esta vacina, que finalizada poderá ser ingerida em iogurte ou sumo de frutas, tem como particularidade ter por base plantas de frutos e probióticos geneticamente modificados, referiu.

O biólogo adiantou que usando apenas probióticos esta vacina poderá ser uma realidade entre “seis meses a um ano” porque são bactérias que podem ser rapidamente transformadas.

Já utilizando os frutos, a sua concretização “será bastante mais longa” porque as plantas têm de crescer e dar frutos para que possam ser utilizados na indústria e transformados em sumo, elucidou.

Apesar de estar a ser direcionada para a covid-19, Rúben Fernandes acredita que a mesma poderá vir a ter interesse para tratar outros tipos de doenças infeciosas.

O Agro4COVID, um projeto pioneiro em Portugal e no mundo, almeja aumentar a imunidade de grupo, melhorando significativamente a vida da população e é um dos finalistas da 12.ª edição do Angelini University Award 2020/2021.

ZAP // Lusa / IPP

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