Investidores desistiram de Portugal (e a taxa das eólicas nem foi aprovada)

Gustavo Gargioni/ Especial Palácio Piratini

Duas empresas terão desistido de investir em Portugal depois da proposta do Bloco de Esquerda, revela a Associação das Renováveis.

De acordo com o Diário de Notícias, António Sá da Costa, presidente da direção da Associação de Energias Renováveis (Apren), acredita que cobrar 250 milhões de euros às produtoras de energia renovável, proposta do Bloco, “não fazia sentido nenhum, é não ter noção do que é o setor”, e, por isso, reagiu com alívio quando soube do chumbo do PS.

Ainda assim, mesmo que chumbada, a proposta dos bloquistas deixou marcas. “Dois associados nossos iam investir cem milhões de euros de capitais próprios em parceria com investidores estrangeiros. Estamos a falar de um investimento total na ordem dos 300 ou 400 milhões de euros que já não vem. Um desses empresários estava desesperado porque já havia compromissos e caiu tudo. Não é só o dano que causa às empresas que está em causa, mas também a reputação do país”, explicou.

Para a Apren, a taxa defendida pelo partido de Catarina Martins traria ao país danos irreparáveis. “Fazendo as contas, não tenho dúvidas de que quase todas as empresas iriam abrir falência se isto fosse para a frente“, explicou.

Além disso, António Sá da Costa, fala ainda nos custos acrescidos para o Estado que a taxa representaria. “O custo com indemnizações (resultantes dos processos judiciais) iria provavelmente ser maior do que a receita arrecadada com a contribuição”.

Essa justificação vai ao encontro da avançada ontem pelo Partido Socialista. Fonte da Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares afirmou que “seria imprudente a aprovação da proposta do BE pois continha riscos graves de litigância jurídica”.

Lembrando que os governos não atribuem às energéticas potência nova com tarifa garantida desde 2007, Sá da Costa assevera que aplicar taxas como a que foi proposta “é a mesma coisa que mudar agora o limite de velocidade de 120 km para 100 km e multarem-me por ter passado a 120 km na autoestrada há duas semanas. Não faria sentido e isto também não faz”, conclui.

Taxa permitia aos consumidores poupar até 40€ por ano na luz

Os socialistas justificaram o recuo na nova taxa no sector energético com possíveis “impactos reputacionais e jurídicos” da litigância com grandes empresas. Os bloquistas consideram contraditórias as explicações do PS.

A contribuição extraordinária sobre renováveis proposta pelo Bloco de Esquerda poderia representar uma poupança de 40 euros anuais por cada um dos 6 milhões de clientes de eletricidade, a acrescer à redução de 0,2% que o regulador da energia já propôs para 2018 (e que retirará à fatura da eletricidade 9 cêntimos por mês ou 1,08 euros no ano todo).

A proposta dos bloquistas, que acabou por ficar fora do Orçamento do Estado para 2018, traduzir-se-ia na cobrança às empresas de energias renováveis de mais de 250 milhões de euros por ano, para abater à dívida tarifária.

Não é aceitável que o setor renovável continue isento de qualquer contributo para reduzir a dívida tarifária e os custos energéticos das famílias, sobretudo quando beneficia de prioridade no escoamento da produção e de vultuosos subsídios”, lia-se na proposta dos bloquistas.

ZAP //

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25 COMENTÁRIOS

  1. Isto nem parece de um partido de esquerda, normalmente mais sensível a problemas ambientais. É possível que possa haver quem esteja a ganhar demasiado com as renováveis, mas é preciso incentivar essa opção, contra as energias fósseis. Afinal, o que será preferível? Pagar a eletricidade mais cara ou pagar os prejuízos de incêndios florestais e respetivas indemnizações, bem como de secas extremas e/ou tempestades? Tudo isto entre as várias consequências muito negativas e perigosas do aquecimento global?

    • Mas o que é que tem a ver uma coisa (Pagar a eletricidade mais cara) com a outra (pagar os prejuízos de incêndios florestais e respetivas indemnizações)?

      • Caro AP, vou “fazer-lhe um desenho” pois vejo que precisa:
        Opção A – O uso de energias fósseis (carvão ou gaz) para produção de eletricidade, implica eletricidade mais barata, mas também aumento do CO2 na atmosfera, que leva a aquecimento global e este a aumento da frequência, intensidade, propagação e violência dos incêndios florestais, bem como de secas e/ou tempestades mais violentas;
        Opção B – O uso de energias renováveis, por exemplo Sol ou vento, implica (pelo menos nesta fase de transição) energia elétrica mais cara, mas tem o benefício de reduzir o aumento do CO2 na atmosfera, logo, implica redução dos efeitos acima indicados.
        Compreendeu?

  2. Fica uma pergunta muito ingénua…os senhores investiam 400 milhões. Qual era o valor que o erário publico (todos nós) iríamos pagar?????? Que eu saiba ninguém dá um porco por um chouriço.

    • José
      Quanto dvocê a instituições de caridade ?
      Quando vai a restaurante paga para não comer ?

      Que esperava o senhor, que se investisse sem que depois não esperar lucros ?

  3. Afinal …António Costa teve razão (pelo menos esta) para “virar a casaca”.
    Só que veio tarde, não evitou a intenção de desinvestimento nem a polémica interna.

  4. Quem seriam os investidores? Aqueles que andam à muitos anos a viver à custa do orçamento? A constituirem Empresas e depois a fechá-las quando os subsidios acabam. Existem muitos exemplos e esses empresários muitos deles fazem parte dos orgãos da APREN.

  5. Vamos treinar a nossa aritmética:
    1 Admitamos que a taxa tivesse sido aprovada e o estado arrecadava os tais 250 milhões/ano às empresas existentes;
    2 Em dois anos teríamos recebido (porque somos nós que acabamos por beneficiar com as receitas do Estado) 500 milhões o que É MAIS do que aqueles “beneméritos” se propunham investir,
    3 Suponhamos agora que o Estado investe esses 500 milhões em projectos de energias renováveis… Os mesmos ou melhores do que aqueles “beneméritos” se propunham fazer;
    4 Com o impacto adicional que esses novos projectos seriam de capital nacional, a receita gerada iria alimentar os cofres Portugueses em vez de ser exportado do país como lucros.
    Fácil de entender não é?
    O Sr da APREN sabe muito dos seus interesses mas não me engana. E se acha que as empresas iam falir, é fácil, venda-as ao Estado que cá a gente sabe o que fazer com elas!

    • Pois, mas o seu raciocínio peca por uma coisa… falta de lógica.
      Refere o senhor e mal “…2 Em dois anos teríamos recebido (porque somos nós que acabamos por beneficiar com as receitas do Estado) 500 milhões o que É MAIS do que aqueles “beneméritos” se propunham investir,…”
      Fez as contas muito mal feitas. Não só perde 300 a 400 milhões diretos que deixam de ser investidos (mais todos os salários, contribuições para seg. social, impostos, consumos intermédios,…) que os investimentos gerariam, como muito provavelmente não auferiria a receita que pensa porque provavelmente alguns players sairiam do mercado ou fechariam portas como refere o presidente da APREN.
      Refere ainda que: “…3 Suponhamos agora que o Estado investe esses 500 milhões em projectos de energias renováveis… Os mesmos ou melhores do que aqueles “beneméritos” se propunham fazer;”
      E aqui então é que estende ao comprido. Se o Estado investisse os 500 milhões em projetos, pelo caminho 250 milhões desapareciam em luvas, esquemas, contas em paraísos,etc.
      Depois ficaríamos com uma ou duas novas empresas públicas onde os Varas, os Penedos, os Socas e toda essa banditagem poderia demonstrar a sua larga incompetência de gestão mas poderia faturar largo… a nível pessoal.

      Uma boa notícia para si… estamos a menos de um mês do Natal! Peça a sua prenda ao Pai Natal que ele traz-lha!

      • Caro Pai Natal,
        Agora que já prendeste o Socas, Varas, Penedos e outros metralhinhas que andaram a tirar do Estado (isto é, nós) e a dar aos “privadissimos” benfeitores Ricardo Salgado, donos do Banif, do BPNetc, queria que este Natal acabasses com as PPP, hospitais de custos públicos mas exploração privada, etc, etc.
        E já agora que todos os negócios das renováveis feitos entre empresas privadas à custa do erário público passassem também a pagar impostos como eu e tu… Se eles por acaso não se quiserem continuar a sentar à mesa do nosso orçamento, não faz mal que eu conheço muitos pobrezinhos que se matam a trabalhar e nem o salário mínimo ganham. Estes ao menos não se importam de trabalhar e não vão fugir com os lucros para um paraíso fiscal.

        Oh Papai Noel você sabe o que é um integral simples? (e não lhe pergunto o que é um integral de Riemann por esse certamente não sabe…)

        • O amigo é meio apalermado… E ficou bem demonstrado que acredita no seu amigo papai noel. Seja feliz e… não esqueça de comer os seus pretensos integrais… mesmo que sejam de Lebesgue num pretenso espaço de Banach… e não na sua tradicional taça que serve igualmente para alimentar o seu Canis lupus familiaris

        • Olhem-me este artolas

          “Agora que já prendeste o Socas, Varas, Penedos e outros metralhinhas que andaram a tirar do Estado (isto é, nós) e a dar aos “privadissimos” benfeitores Ricardo Salgado, donos do Banif, do BPNetc,”

          O amigo não percebeu que tiraram e ficaram com o o que tiraram?! É deste mundo ou os ETs chegaram?

      • O MV e o Newton_pt são estranhos! Pela forma como defendem o estadismo da coisa… devem ter interesse em um tachito ou umas luvas agora para o inverno.

        Nunca confies num homem que usa luvas o ano inteiro.

  6. Não podemos estar sujeitos ao que vem de fora com regras próprias e que naturalmente valorizam o princípio do lucro máximo a recair sempre na bolsa do consumidor final, é assim a lógica capitalista da oferta e da procura. Investir 400 milhões para sermos nós a pagar a factura final cujo valor não iria diminuir, bem pelo contrário, como temos constatado noutros casos, não parece verdadeira justiça social. Todo o investimento é bem vindo se for vantajoso para ambas as partes.

  7. Não importa que os investidores comecem a fugir deste paraíso, os bloquistas mais os comunas se encarregarão de arranjar trabalho para todos, quanto a salário isso é que poderá ser outra conversa mas isto de ideologia política também é uma forma de alimentar muita gente.

  8. Ganância para o costa só os impostos das eólicas afasta os investidores .O imposto Mortágua não , entre outras reversões..Não há transparência

  9. Mais “investidores” parasitas!…
    Só investem quando é para andar pendurados na mama do Estado e com lucro assegurado pelos subsídios!!
    O presidente da associação mafiosa da eólicas (que são altamente subsidiadas) deve pensar que andamos todos a dormir… que vá contar estorias de investidores “fantasma” a quem não o conhece!…
    E claro que os contratos mafioso foram feitos para que a empresas tenham sempre rendimento garantido – de um modo ou de o outro, o povo paga sempre!!

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