O Inverno está a chegar: o pior desde 1930, mas Portugal está no “canto certo”

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UNU-WIDER / Flickr

Economista Tuomas Malinen

“Se a Alemanha sobreviver ao Inverno, a Itália está feita. Vai passar frio”, avisa o economista Tuomas Malinen.

A crise energética nunca foi assunto tão frequente – e tão preocupante – neste século. A guerra na Ucrânia tem multiplicado as conversas, os debates, os artigos, os estudos.

Portugal, como não está muito dependente da energia proveniente da Rússia, “não vai passar muito mal”, acredita o economista Tuomas Malinen.

“Vocês têm sol e mar. Se olharmos para a geografia da Europa, vocês estão no canto certo do continente. Estão bastante longe da Rússia, estão perto de África e podem obter energia de países africanos, que não vos cortarão o fornecimento. Não se sentem ameaçados militarmente por ninguém. É um bom país para se estar neste momento”, comentou no jornal Expresso.

Ainda sobre as situações dos diversos países na Europa, o economista de uma consultora de macroeconomia, com sede em Helsínquia, avisa: o pior lugar neste momento é a Itália.

E explicou porquê, com a Alemanha incluída na justificação: “Se a Alemanha conseguir encher as suas reservas de gás, responder às necessidades totais da engenharia e cortar o consumo de gás a tal ponto que poderá sobreviver ao Inverno, Itália está feita. Os italianos vão passar frio. Ou a Alemanha transfere algum gás para Itália – não sei se será fisicamente possível -, será muito complicado. Era o que a Alemanha deveria fazer”.

Tuomas acha que alguns países europeus vão ter problemas de falta de electricidade ou gás, a partir de Dezembro deste ano.

E deixou uma ideia sobre as energias verdes: “A revolução da energia verde é uma mentira. Todos os grupos políticos estão a falhar massivamente, estão a ser improdutivos”.

Voltando à Alemanha, Tuomas Malinen não compreende porque os alemães não aposta na energia nuclear: “Foi um passo suicida e agora estamos todos a pagar o preço dos erros da Alemanha. Mais uma vez, eu diria. Costumo usar esta expressão: a Alemanha está mais uma vez a conduzir a Europa para o abismo. Por que haveríamos de seguir a Alemanha, pela terceira vez, até à fossa? Eu não compreendo”.

O especialista não defende uma união total nesta fase. Os países que conseguirem atravessar melhor o que vem aí “devem seguir por si mesmos. Devemos deixar que esses países reconstruam a Europa depois de tudo isto passar. Se nos mantivermos juntos, vamos afundar-nos juntos”, avisou.

Vai durar três ou quatro anos

Tuomas Malinen estuda há uma década o crescimento económico e as grandes crises que abalaram as economias do mundo inteiro. E compara o próximo Inverno com a década 1930, o período pós-depressão de 1929.

“É para isso que nos dirigimos. E diria que este cenário pode manter-se por três ou quatro anos. Começará dentro de meses“, alertou, prevendo que o problema será “grave” se houver mobilização militar total por parte da Rússia.

Mesmo sem mobilização total, vem aí o “choque económico mais severo que a Europa presenciou em muito tempo”. E a inflação pode chegar a 20% durante o Inverno.

“O principal problema é cairmos numa profunda depressão económica. Estou bastante consciente de que estamos a caminho de uma depressão. Já vemos sinais disso”, continuou o economista, que deixou exemplos.

“Há empresas por toda a Europa que estão a começar a fechar ou a reduzir a sua produção para metade. Teremos um choque grave ao nível do consumo, com o aumento dos preços da energia impulsionados pelas taxas de juros que estão a subir, e subirão. Estes impactos vão ser uma onda gigante para os consumidores, vão bater-nos de frente, com muita força“, analisou Tuomas Malinen.

  ZAP //

5 Comments

  1. Temos tido turistas que vêm à procura do sol, este inverno talvez venham à procura de apartamentos climatizados, quentinhos, eis uma oportunidade de negócio.

  2. Portugal sempre foi um país “bom para se estar”. Tem um pequenino problema: a poluição sob forma dos indígenas, os portugueses…

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