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“Internamentos sociais” podem custar ao estado 100 milhões de euros

Há doentes que permanecem internados em hospitais após terem alta clínica. Segundo dados da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, 853 pessoas continuavam internadas em março, o que representa 5,4% do total de internamentos e um custo de 16,3 milhões de euros.

São os chamados “internamentos sociais”– um fenómeno de permanência dos doentes nos estabelecimentos de saúde quando já não existe um motivo de saúde que o justifique.

Cada dia que o doente passa no hospital depois de ter alta clínica é também considerado um “internamento inapropriado”, que tem custos para o erário público.

Extrapolando para o conjunto do ano, os internamentos inapropriados podem ter um impacto financeiro estimado de cerca de 100 milhões de euros para o Estado.

Além disso, prolongam a ocupação de camas, levando ao aumento dos tempos de espera para internamentos programados, contribuindo assim para a degradação dos cuidados de saúde.

Na origem deste fenómeno está, sobretudo, a falta resposta da Rede de Cuidados Continuados (RNCCI) e das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) ou lares.

Neste ano, o abandono – que em 2019 e 2020 foi a segunda principal causa dos internamentos inapropriados – foi substituído pela falta de resposta das ERPI, que provocou de 18% dos internamentos sociais em março.

Ainda assim, face ao ano passado, o número de internamentos sociais nos hospitais está em queda: eram, em março, menos 45% do que os apontados na 4.ª edição do barómetro, em fevereiro de 2020.

A informação consta da 5.ª edição do Barómetro de Internamentos Sociais, promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que reporta dados recolhidos a 17 de março – altura em que Portugal se encontrava no final da terceira vaga de covid-19 – e engloba 43 unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Serviço Regional de Saúde da Madeira.

Na 4.ª edição do barómetro foram sinalizados 1.551 internamentos inapropriados, que correspondiam a 8,7% do total de internamentos e a quase 120 mil dias de ocupação injustificada de camas hospitalares.

Os 853 internamentos por motivos sociais assinalados em março deste ano tiveram uma duração média de 33,6 dias, uma redução de 57% em comparação com fevereiro de 2020 (com uma média de 77,4 dias), e representaram aproximadamente 29 mil dias de ocupação de camas hospitalares.

No Algarve, 38% dos internamentos sociais dizem respeito a crianças e jovens que aguardam decisões judiciais ou da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

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No Alentejo, a incapacidade de dar resposta por parte da família e dos cuidadores tem igual peso (29%) à espera por uma vaga na Rede de Cuidados Continuados.

No conjunto de internamentos inapropriados, as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte representam aproximadamente 75% destes casos, sendo que só a região Norte é responsável por quase metade dos internamentos sociais (420, que representam 49% do total).

Na caracterização dos doentes em internamento inapropriado os homens são o género mais representado (51%) e a maioria (77%) tem mais de 65 anos.

“O fenómeno dos internamentos sociais tem um elevado impacto no prolongamento da ocupação das camas em ambiente hospitalar, mas também no aumento dos tempos de espera para internamentos programados e, consequentemente, na respetiva degradação dos cuidados de saúde”, refere o comunicado que acompanha os resultados do barómetro.

Acrescenta ainda que o objetivo deste barómetro é “monitorizar e caracterizar este fenómeno crítico no sistema de saúde português e reforçar a importância de desenvolvimento de soluções conjuntas entre as diferentes entidades envolvidas, de forma a minimizar os impactos e melhorar o serviço de saúde prestado aos portugueses”.

  ZAP // Lusa

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