Inquérito do caso Cabrita conclui que chefe de segurança deu localização errada

Paulo Cunha / Lusa

O carro onde seguia o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que envolveu uma vitima mortal por atropelamento

O inquérito à atuação do INEM concluiu que o chefe de segurança pessoal do ex-ministro Eduardo Cabrita deu a localização errada do acidente.

O DIAP de Évora determinou “a reabertura da investigação” no caso do processo do atropelamento mortal na A6, envolvendo a viatura do ex-ministro Eduardo Cabrita, para “apreciar a eventual responsabilidade de outras pessoas”.

O objetivo é investigar a conduta de Eduardo Cabrita, que deverá mesmo ser constituído arguido por suspeitas do crime de homicídio negligente por omissão.

Além de Cabrita, também o responsável pela segurança do então governante, Nuno Dias, está a ser investigado, para apurar a sua eventual responsabilidade criminal.

O Ministério Público solicitou à Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar do deputado Eduardo Cabrita, para que possa ser constituído e interrogado como arguido.

Segundo o relatório final do inquérito feito à atuação do INEM citado pelo Observador, “a atuação do INEM fez-se em conformidade com os procedimentos instituídos”.

O problema partiu da informação inicial sobre a localização do acidente, dada pelo chefe de segurança pessoal de Cabrita. Entre o momento do acidente e a chegada do INEM passaram 40 minutos e foram feitas três chamadas para os serviços de urgência.

O INEM concluiu que se a informação da localização tivesse sido a correta, estes teriam chegado mais cedo ao local para socorrer o trabalhador.

Vários elementos dos centros de operações de socorro tentaram perceber a localização correta do acidente, voltando mesmo a telefonar para o chefe de segurança pessoal do ministro.

Depois da primeira chamada às 13:08, o chefe de segurança pessoal é contactado de volta às 13:14, uma vez que poderá ter havido erros na localização. Nuno Dias insiste na localização: é após sair de Montemor, sentido Évora-Lisboa, ao km 77,6.

Mais tarde, um contacto com a Brisa revela outra localização do acidente, numa chamada às 13:35.

Às 13:38, o CODU liga para a Viatura de Emergência Médica (VMER) para indicar nova e correta localização.

“Epá, isso é para o lado errado, pá. Estamos praticamente a 70 km do local”, refere o médico, citado pelo Observador.

  Daniel Costa, ZAP //

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