Influencers indonésios com prioridade para a vacina contra a covid-19

Raffi Ahmad / Facebook

O ator indonésio Raffi Ahmad

Na Indonésia, os influenciadores digitais fazem parte do grupo prioritário para receberem a vacina contra a covid-19, uma medida do Governo para incentivar a população a ser imunizada, numa altura em que o número de doses é ainda limitado, noticiou a Reuters.

Segundo a agência noticiosa, o Ministério da Saúde decidiu incluir ‘influencers’ ao grupo para a primeira ronda de inoculações, no qual constam quase 1,5 milhões de profissionais de saúde, para convencer a população sobre a segurança da vacinação. O ator Raffi Ahmad – com 50 milhões de seguidores nas redes sociais – foi dos primeiros a receber a vacina.

Embora tenha 858.043 casos de infeção e 24.951 óbitos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, a população do país está cética quanto à segurança e a eficácia das vacinas. Uma sondagem de dezembro revelou que 37% dos indonésios estavam dispostos a ser vacinados, 40% considerariam a vacinação e 17% recusariam.

Esta quinta-feira, ouros influenciadores devem receber a vacina, incluindo os músicos Ariel, da banda Noah, e Risa Saraswati, com três e 1,8 milhões de seguidores, respetivamente.

O chefe da agência de saúde Bandung, Ahyani Raksanagara, disse à Reuters que “se espera que [os artistas] transmitam uma influência positiva e mensagens” sobre as vacinas, que chegarão especialmente aos mais jovens.

No entanto, horas depois de ter vacinado, surgiram fotografias de Raffi numa festa, sem máscara e a desrespeitar o distanciamento social. Este desculpou-se, referindo: “Primeiro peço desculpas ao Presidente da República da Indonésia, Joko Widodo, ao secretariado presidencial, KPCPEN, e também a todos os indonésios por este incidente”.

Para a co-fundadora da iniciativa de dados pandémicos LaporCovid-19, Irma Hidayana, este incidente mostra “que o Governo é inconsistente ao dar prioridade” a estes profissionais. “Deviam tê-lo feito com outro trabalhador da saúde, talvez, e não com um influenciador”, sublinhou.

Zubairi Djoerban, da Associação Médica Indonésia, defendeu que esta estratégia só poderia funcionar se “os influenciadores fossem informados (…) para que pudessem ser agentes de mudança”.

  Taísa Pagno //

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