Incêndio em canil de Santo Tirso matou 52 animais. Proprietários impediram entrada de apoio

Canil onde morreram 54 animais já tinha sido alvo de queixa, em 2018, que foi arquivada. “Não há crueldade em ter animais num sítio com lixo e dejetos”, concluiu o Ministério Público.

Um incêndio em Agrela, Santo Tirso, destruiu o canil “Cantinho das Quatro Patas” e matou 54 animais. O canil “Abrigo de Paredes” também foi afetado pelo incêndio. O caso está a gerar polémica, uma vez que as pessoas que acudiram ao incêndio e o PAN queixam-se que os proprietários do espaço não permitiram a entrada de apoio durante a noite de sábado.

“Isto é de loucos. Continuamos sem conseguir entrar, não sabemos o estado dos animais. Veem-se alguns a tentar andar e ouvem-se latidos. Não deixam nem dar água aos anjos que tentam sobreviver. Isto é revoltante”, lê-se numa publicação de uma utilizadora na página da Facebook ‘Movimento Anjos Serra Agrela’.

Além disso, escreve o Público, os populares denunciaram a lentidão na resposta da GNR. As autoridades rejeitaram esta ideia e, numa publicação divulgada no Facebook, dizem que “enquanto o incêndio deflagrava, ainda durante a tarde, a ação da GNR foi essencial para permitir que tivessem sido resgatados, com vida, a maior parte dos cães”.

Mais de 113 mil pessoas assinaram, em menos de 24 horas, uma petição a pedir justiça pela falta de auxílio a animais que estavam em abrigos em Santo Tirso. Os 190 animais recolhidos com vida em dois canis atingidos por um incêndio na freguesia de Agrela foram acolhidos em canis municipais, associações e por particulares, informou hoje a câmara municipal.

Segundo os números da câmara de Santo Tirso, devido ao incêndio morreram carbonizados cerca de meia centena de animais, especialmente cães, com populares a acusarem a GNR de ter impedido a entrada no local e a GNR a dizer que foram salvos os animais que foi possível e que impediu a entrada de pessoas por uma questão de segurança.

O tema suscitou muita polémica no domingo e envolveu declarações da autarquia, de partidos políticos e de organizações de defesa dos animais.

Em comunicado, o município presidido pelo socialista Alberto Costa informou que, no domingo, implementou um plano para o realojamento dos 190 animais vivos que se encontravam nos dois abrigos: “Cantinho das Quatro Patas” e o “Abrigo de Paredes”.

Segundo a autarquia, 113 animais foram realojados em canis municipais e associações e os restantes 77 foram acolhidos por particulares.

“A Câmara Municipal de Santo Tirso irá disponibilizar a todas as associações e aos particulares que acolheram os animais daqueles abrigos a vacinação e esterilização dos animais”, lê-se no comunicado.

O município adianta ainda que durante o dia de hoje “será feita uma vigilância em toda a área envolvente dos dois abrigos de animais, no sentido de encontrar outros animais que não tenham sido realojados”.

“Relativamente aos animais que morreram em virtude do incêndio que deflagrou no sábado, a Câmara Municipal de Santo Tirso também já recolheu os corpos que foram transferidos para o PET Nordeste”, acrescenta.

Num comunicado divulgado durante a tarde de domingo, a autarquia revelou que morreram 54 animais, dos quais 52 cães e dois gatos, e que apenas pôde executar o plano de retirada durante esse dia “porque não estavam, de acordo com as autoridades de proteção civil, reunidas as condições de segurança para o realojamento dos animais durante a madrugada”.

A GNR afirmou no domingo que a morte de animais no incêndio em Santo Tirso não se deveu ao facto de ter impedido o acesso ao local de populares, mas à dimensão do fogo e à quantidade de animais.

“É importante salientar que as consequências trágicas deste fogo não tiveram qualquer correspondência com o facto de a Guarda ter impedido o acesso ao local por parte dos populares. A essa hora, já tinham sido salvos os animais que foi possível salvar”, explicou a GNR, em comunicado.

O PAN informou que apresentou queixa ao Ministério Público por “crime contra animais de companhia” e pedirá esclarecimentos ao ministro da Administração Interna sobre a morte de dezenas de animais na sequência do incêndio.

O Bloco de Esquerda, por seu turno, anunciou que quer explicações dos ministros da Administração Interna e da Agricultura no parlamento, bem como da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), sobre a situação.

A associação Animal solicitou ao Governo e ao parlamento que sejam apuradas responsabilidades no caso das mortes de animais naquele abrigo particular em Santo Tirso.

⬇️POR FAVOR LEIA ESTA MENSAGEM NA ÍNTEGRA⬇️1 – ℹ️A ANIMAL escreveu esta manhã ao Primeiro Ministro, com conhecimento…

Publicado por ANIMAL em Domingo, 19 de julho de 2020

Lançada no domingo, a petição pede justiça em relação aos maus tratos aos animais que estavam naquele canil, atingido pelas chamas.

“Esta situação não pode ficar impune”, diz-se no texto da petição, acrescentando-se a seguir que os animais têm direitos e houve uma “negação de auxílio à vida”, sem que a GNR ou a proprietária do terreno tivessem feito algo para salvar os animais e sem que deixassem que fossem socorridos.

A GNR e a proprietária ficaram “indiferentes ao sofrimento” dos animais e devem ser julgados e punidos “pelos crimes de maus tratos aos animais de companhia, negligência e falta de auxílio”, diz o texto.

“Não há crueldade em ter animais num sítio com lixo e dejetos”

No final de 2017, os dois espaços, “Cantinho das Quatro Patas” e “Abrigo de Paredes” tinham sido alvo de denúncia por parte de populares por “uma situação de insalubridade, ameaça à saúde pública e mais grave ainda, de maus tratos e negligência a animais indefesos”.

O caso seguiu para Tribunal e em 2018 o Ministério Público (MP) arquivou o processo considerando “não haver crueldade em manter animais num espaço sujo, com lixo, dejetos e mau cheiro”, segundo o despacho.

No despacho do arquivamento o MP escrevia que “apesar de não prestar as ideais condições aos animais que ali estão acolhidos, pois poderia e deveria estar mais limpo, não existe crueldade em manter animais num espaço sujo, com lixo, dejetos e mau cheiro”.

Precisando que “um mau trato é antes um tratamento cruel, atroz, impiedoso, revelador de algum prazer em causar sofrimento ou indiferença perante o sofrimento causado”, o MP justificava ter-se apurado “que os animais não estavam em sofrimento”, mas que “viviam num local muito sujo”, concluindo não ter este enquadramento “relevância jurídico-penal”.

Joana Dias dos Santos, uma das promotoras da denúncia, disse na altura à Lusa que “ficou muita coisa por esclarecer” e que a postura do MP não foi a mais correta.

Joana Dias dos Santos contou então que, durante o período em que o processo esteve a correr, “houve no ‘Cantinho das Quatro Patas’ uma tentativa de melhorar as coisas”, mas a situação não pode ser verificada “por continuar a ser impedido pelos proprietários o acesso ao local”.

No momento da acusação de “maus tratos a centenas de cães”, os promotores alertavam para “um cenário dantesco”, com “cães acorrentados por todo o lado, saudáveis, doentes, novos, velhos”, com alguns que já tinham desistido da vida e estavam “apenas a aguardar que a morte chegue”.

ZAP ZAP // Lusa

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26 COMENTÁRIOS

  1. E a vergonha da (inesistente)justiça Portuguesa continua!
    A justiça portuguesa tem mais sangue nas mãos que qualquer assassino!

  2. Não sei, mas acho que esse fogo «foi direcionado» intencionalmente para esse lugar, para por fim às irregularidades.
    Para não deixarem ninguem entrar para acudir….
    Quem sofreu foram os animais.

  3. E assim vai a nossa sociedade… estou profundamente revoltado e envergonhado com tudo isto! Responsabilizar criminalmente todos os responsáveis, sejam quem forem, GNR incluida!

  4. Uma vergonha, devem avançar com accoes em tribunal. Peçam donativos se precisarem e avancem no apuramento das responsablidades criminais.

  5. “A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.” Mahatma Gandhi
    Com (mais) este caso, ficámos a saber tudo acerca da grandeza atual de Portugal.

    • E com o teu comentário ficamos a saber que não deves muito à inteligência e ao bom senso!…
      Como é que, de um caso, se generaliza para o modo que todo um país trata os animais??

      • Excecionalmente, vou-te dar troco só para te dizer que sim, este caso envergonha-me como português mas principalmente como ser humano. Acrescento que tu és uma pessoa que raramente comenta artigos. Limitas-te a comentar comentários porque é muito mais fácil atacar (o que tu fazes nunca é critica construtiva) os outros aí com o teu teclado do que fazer comentários a artigos que possam trazer algum enriquecimento ao assunto em causa. Gostas de insultar e tentar rebaixar pessoas que não conheces de lado algum pelo que, presumivelmente, deves ser uma pessoa que sofre de um ou mais complexos de inferioridade já que te esforças por te autovalorizar através do insulto porque através da inteligência e do respeito pelo outro não consegues. Mas tudo bem se te sentes mais inteligente e mais sensato assim… continua! PS: Não vale a pena continuar esta “conversa” porque, tendo começado por fazeres um julgamento de estúpido e insensato não há nada a “conversar”. Se insistires ficarás sem resposta. Não sou psiquiatra.

        • Oh, claro… depois da generalização a todo um país, tinham que vir as considerações pessoais!…
          Já devias saber que os comentários num espaço público são passiveis de escrutínio e de contraditório – se não gostas, tens bom remédio: não escrevas disparates!!

  6. é uma pena esta gente não ter no minimo a mesma preocupação e revolta pelos milhares de crianças abortadas anualmente no país.

    presumo que seja por terem aprovado a lei que leva a que uma criança para esta “gente”, valha menos que um animal.

    • Comparação totalmente descabida. Ser contra o aborto, é o seu direito, que eu respeito. Mas não é caso para justificar maus tratos a qualquer ser vivo. Pense primeiro e escreva depois !

        • Sim, é o que parece ao vires meter outro assunto à baila e ao tratares as pessoas que se preocupam com o bem estar dos animais por “esta gente”. És contra o aborto, muito bem, é contigo. E o que tem isso a ver com este assunto? Se vens criticar “esta gente” é porque defendes os abrigos ilegais, os maus tratos aos animais e não te incomodas com animais a arder vivos. E, no fim, deves-te achar boa pessoa!…

    • Quando diz “esta gente” refere-se a quem, exatamente? Contra a proprietária dos abrigos clandestinos? A Câmara de Santo Tirso? A GNR? O Ministério Público? O PAN? Aos que conseguiram salvar alguns dos animais? Ou aos que aqui comentam contra esta barbaridade? Se é este o caso, por acaso sabe se sou a favor ou contra o aborto? O atento tem toda a razão no seu comentário. Não será você que nuns casos é a favor da Vida e noutros não? Porque vem para aqui misturar alhos com bugalhos e trocar uns pelos outros? Se quer discutir a questão do aborto procure notícias a esse respeito. É cada uma…

    • Ó Ogívia, é com a observação de como uma sociedade trata dos seus coabitantes mais fracos e vulneráveis, é que se pode ver o grau de civilização desta sociedade. Felizmente não se tratou de crianças abandonados, mas cães e gatos há muito são estimados companheiros do homem e o afecto vem dos dois lados. Assim sendo, podes perceber a dor que tu não sentes, mas nem toda gente é igual.
      Sim, Felizmente não foram crianças abortadas que sofreram estes maus tratos. Quem tenha perdido um filho por aborto, espontâneo ou não, sei que esta alguém, mesmo que não gostar de animais, irá trazer o trauma para sempre consigo. Felizmente somos seres sensíveis, não é?

  7. A Luz da Lei 27/2016, a proibição de eutanásiar animais em centros de recolha devidamente legais (que nem sempre o são), leva ao aumento de superpopulação em “canis” e as inaceitáveis condições em que são albergados os Animais. Portanto por um lado a occisão de Animais devido a superlotação e as consequências que dela decorre é afastada por Lei, e a permissividade de deter Animais vergonhosamente mal tratados com conhecimento das Câmaras Municipais e Autoridades Veterinárias tornou-se digamos “aceitável”. Não sei o que mais desumano será, deter Animais em sofrimento e mal tratados até morrerem, ou acabar com o mesmo, com uma injecção letal rápida e indolor !!!!….. Neste caso que não é de hoje, reflecte uma estrondosa hipocrisia e desumanidade por parte dos Legisladores, com o rabo bem assentado em Lisboa. Resta saber quem beneficia com esta pouca vergonha !!!

  8. O ZAP usa um lápis azul completamente irracional. Não comento mais aqui. Já sei que isto vai sair mas é só porque vocês acham piada. Mas são só vocês.

        • Isso deve estar escrito (só) na tua bíblia mas já te dei a resposta mais acima. Se passar no crivo. Não percebo é como as tuas mer*** passam sempre apesar de nunca serem mais do que insultozinhos. Começo a suspeitar que és da casa.

          • Oh coitadinho… tu és tipo os ciganos: eles são sempre as vítimas e os polícias são todos maus!…
            .
            “Começo a suspeitar que és da casa.”
            Sou da casa, sou… até nessas boquinhas se notam as tuas limitações…

  9. Muito melhor deixar entrar essas pessoas que protestam…. talvez estivessem agora no silêncio e as pessoas não fossem tão sacrificadas pela “massacre da informação de certos meios de comunicação, como a peste chinesa Wuhan-400… Pior que a peste é o massacre da informação das tvsbosta… corruptas.

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