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Implante neural permite que pessoas paralisadas escrevam. Basta imaginar as letras

F. Willett et al. / Nature 2021 / E rika Woodrum

Pela primeira vez, uma equipa de investigadores descodificou os sinais neurais associados à escrita de letras e, em seguida, exibiu versões digitadas dessas letras em tempo real.

Quando uma lesão ou doença priva uma pessoa da capacidade de se mover, a atividade neural do cérebro para caminhar, pegar numa chávena ou dizer uma frase permanece.

Algumas pessoas que perderam o uso das mãos conseguem usar um computador com reconhecimento de fala. Para aqueles que têm dificuldade em falar, os cientistas têm desenvolvido outras formas de os ajudar a comunicar.

Os cientistas estão a explorar várias formas de as pessoas com deficiência conseguirem comunicar com os seus pensamentos. Agora, pela primeira vez, uma equipa de investigadores decifrou a atividade cerebral associada à tentativa de escrever cartas à mão.

A equipa trabalhou com um participante de 65 anos que teve uma lesão medular que o deixou paralisado do pescoço para baixo. Jaimie Henderson, um neurocirurgião da Universidade de Stanford, implantou dois minúsculos sensores na parte do cérebro que controla a mão e o braço.

Usando sinais que os sensores captaram de neurónios individuais quando o homem se imaginou a escrever, um algoritmo de aprendizagem de máquina reconheceu os padrões que o cérebro produzia com cada letra. Entretanto, o sistema exibia o texto numa tela – em tempo real.

Segundo um comunicado, o participante escreveu 90 caracteres por minuto – mais do dobro do recorde anterior de digitação com esta “interface cérebro-computador”.

Este interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) chamado “Brain-to-Text” é tão rápido porque cada letra elicia um padrão de atividade altamente distinto, tornando relativamente fácil para o algoritmo distingui-los uns dos outros, afirmou o neurocientista Frank Willett.

Segundo Krishna Shenoy, investigadora do Howard Hughes Medical Institute da Universidade de Stanford, esta inovação poderia, com mais desenvolvimento, permitir que pessoas com paralisia digitassem rapidamente sem usar as mãos.

A equipa prevê o uso de tentativa de escrita à mão para entrada de texto como parte de um sistema mais abrangente que também inclui navegar, apontar e clicar.

Em seguida, a equipa pretende trabalhar com um participante que não consegue falar, como alguém com esclerose lateral amiotrófica, um distúrbio neurológico degenerativo que resulta na perda de movimento e fala.

O estudo foi publicado este mês na revista cientifica Nature.

  Maria Campos, ZAP //

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