3 mil milhões: “rombo” em Portugal com as novas tarifas de Trump

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Presidente dos EUA anunciou tarifas de 30% sobre todos os produtos da União Europeia e do México. “Vamos perder o mercado”.

Ainda não é definitivo, mas no sábado passado Donald Trump anunciou novas tarifas. Desta vez, os portugueses estão mais atentos: tarifas de 30% sobre todos os produtos da União Europeia e do México, a partir de 1 de Agosto.

Na carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump explica que estas tarifas são aplicadas independentemente de todas as tarifas sectoriais.

O presidente dos EUA justifica esta decisão: há um “desequilíbrio comercial” entre os EUA e a União Europeia, com prejuízo para o seu país, assegura.

A relação comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia representa 30% do comércio mundial.

O comissário do Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, já disse nesta segunda-feira que essas tarifas seriam sinónimo de acabar com o comércio entre europeus e norte-americanos.

Para já, a União Europeia vai continuar a negociar com os EUA. Se não houver bom resultado, serão aplicadas taxas retaliatórias de 21 mil milhões de euros.

Portugal também sofre

Caso se confirmem, estas tarifas serão um “rombo” na economia portuguesa, avisa o especialista em economia Pedro Sousa Carvalho. É um valor “elevado e absurdo” para muitos produtores, que provavelmente deixarão de vender para os EUA – porque deixa de ser rentável, avisa, na Antena 1.

Francisco Pavão, produtor de azeite, é um exemplo. 20% das suas exportações seguem para os EUA. Agora, o cenário será outro: “Vai obrigar-nos a focar noutros mercados, a investir noutros mercados. Com estas tarifas, possivelmente vamos perder o mercado dos EUA”.

O vinho também é um mercado atento. O segundo maior destino das exportações de vinho português é mesmo os EUA, com um volume de negócios de mais de 100 milhões de euros num ano. Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, avisou que o vinho vai ficar mais barato “para acomodar as tarifas, e isso será muito negativo para o sector”.

Álvaro Mendonça e Moura, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, também falou à RTP e traçou o cenário: “Haverá concentração dos produtores europeus nos mesmos mercados, maior competição em menos mercados”.

Paulo Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, tem noção de que o sector passará a “procurar novas oportunidades de negócios em mercados mais longínquos“. E vê nestas tarifas uma notícia “pessimista”, não só para o calçado, como para a economia mundial.

Voltando a Pedro Sousa Carvalho, e a números concretos, com as novas tarifas os consumidores dos EUA teriam de pagar mais 128 mil milhões de euros por ano para fazerem as compras que já fazem de produtos vindos da Europa.

Em relação a Portugal, o impacto seria “gigantesco”: encolheria o PIB em 3 mil milhões de euros por ano.

Para o especialista, resta “fazer figas” para que as tarifas não se confirmem e Donald Trump recue na sua decisão.

ZAP //

13 Comments

  1. Adoro esta foto ” icónica” do Sr. 1º do Governo , de mãos erguidas a rezar para que tudo continue a acontecer en Portugal como está , já que nos Serviços Sociais tudo funciona as mil maravilhas ! …..

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    • Ao que parece os Servicos Sociais até cortam Subsidios a gente a viver com agua até o nariz.
      Funciona tudo muito bem, pelo menos no Papel e na Conversa.
      PT é uma miseria e não disso.

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    • Diz o Altissimo “Quem anda com Deus, não anda só”.
      É facto. quando se reza.
      E é o caminho da Salvação.
      Agora, há muito que não terão salvação, esses que desprezam os outros por exemplo.

  2. Finalmente o NEGOCIO CHINA, vai activar o ALARME VERMELHO. Está tudo destruido, e o pouco mercado que resta vai ser destruido…

    Os pessimos politicos vão destruir completamente a EUROPA.

  3. Engraçado, só estão vendo esse lado, fui imigrante durante 8 anos nos Estados unidos e sempre que enviava alguma coisas para meu filho, na altura com 5/6 anos lembro-me de que para levantar encomendas por exemplo “roupa” minha ex mulher chegou a pagar mais caro do que o valor de custo…nunca ninguém se queixou, o vinho portugues algumas marcas o valor era igual em Portugal ..vim num voo uma vez em que o avião nao vinha cheio, e a Tap por 1.5kgs a mais cobrou-me 155$ as tarifas sempre existiram

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  4. Cada País tem o direito de impor as taxas que acha conveniente. Os industriais e agricultores portugueses só têm que procurar outros mercados ou até o próprio mercado português pode beneficiar de modo a que os industriais e os agricultores coloque os produtos no mercado português mais baratos, mas cabe ao governo criar condições para se fiscalize, especialmente, os hipermercados para que não haja aproveitamento.

  5. Os “grandes” Gestores/Administradores, pagos a peso de outro tem de ter a capacidade de dar volta à situação. Novos Mercados, Baixar Preços, e por ultimo adequar a produção à Procura do Mercado.
    Simples, não percebo o alarido das Catastrofes.

  6. É só choraminguice. E então a Europa não importa nada dos EUA? Reciprocidade exige-se. E lutar por outros mercados também

  7. lá vai o preço do azeite e vinho subir para compensar a quebra nas exportações… o azeite então quando subiu pela crise encapotada que aqui não se passava… a exportação de azeite aumenta de ano para ano … e mesmo assim o preço não volta ao que era…

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