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Idade da reforma desce pela primeira vez em 2023 (e pode continuar a descer)

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A mortalidade directa e indirecta associada à pandemia de covid-19 está a influenciar a esperança média de vida e vai determinar uma descida na idade da reforma em 2023, o que será inédito em Portugal. Mas a tendência será para descer ainda mais em 2024.

Em 2014, a decisão do Governo de Passos Coelho de aumentar a idade da reforma dos 65 anos para os 66 anos de idade, motivou muita contestação.

A medida tomada em plena intervenção da Troika foi o início de uma tendência de subida motivada pelo aumento na esperança média de vida.

Assim, em 2022, a idade de reforma deverá atingir os 66 anos e sete meses.

Mas o aumento da mortalidade nestes tempos de pandemia de covid-19, sobretudo entre as pessoas mais idosas, vai levar a uma descida inédita em 2023, como atesta o Expresso.

Assim, a idade da reforma deverá ficar-se pelos 66 anos e quatro meses em 2023, ou seja, “menos dois meses do que este ano e menos três meses face a 2022”, como aponta o Expresso.

Mas em 2024, deverá haver nova redução, situando-se então nos 66 anos de idade, segundo cálculos de especialistas consultados por este semanário.

Trata-se da primeira vez que a idade da reforma cai em Portugal, pelo menos, desde que há indicadores do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), ou seja, 1999, como avança ainda o mesmo jornal.

“A mortalidade, mesmo sem covid, está acima da média”, refere ao Expresso o professor Jorge Bravo da Information Management School da Universidade Nova de Lisboa (NOVA IMS).

Neste período de pandemia, muitos diagnósticos ficaram por realizar, além de terem sido adiadas cirurgias, tratamentos e consultas médicas.

Assim, Jorge Bravo nota que, para já, existe uma “grande incógnita para os próximos anos” para saber “como vai evoluir a mortalidade indirecta, devido à falta de assistência médica e adiamento de diagnósticos durante a pandemia”.

Também o economista Armindo Silva, ex-director da Comissão Europeia na área do emprego e da protecção social, fala ao Expresso do efeito desta “mortalidade não covid” e salienta que vai também “depender da severidade da gripe este ano e da famosa capacidade de resiliência do Serviço Nacional de Saúde à pandemia”.

“A tendência aponta para uma redução da esperança de vida aos 65 anos que não é pontual, logo, para uma diminuição da idade da reforma que também não é pontual“, afiança Armindo Silva ao mesmo semanário.

 

  ZAP //

3 Comments

  1. Trabalhar até aos 66 anos… mas quando nos candidatamos a um emprego e temos 45 ou mais é quase impossível conseguir..- só querem jovens!
    Rídiculo

  2. Gostava de ver o Passos Coelho trabalhar até aos 66 anos e 7 mêses mas no duro não nos gabinetes governos do PSD nunca mais

  3. Se e a idade da reforma é regularmente actualizada em função da esperança media de vida após os 65 anos (publicada pelo INE) e se este valor é bastante diferente entre os géneros (masculino e feminino) – porque razão é que a idade da reforma é igual para os elementos de ambos os géneros?

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