Human Rights Watch acusa governo italiano de dificultar acesso ao aborto durante pandemia

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) acusou esta quinta-feira o governo italiano de ter dificultado o acesso ao aborto legal e de colocar a saúde e as vidas das mulheres em perigo durante a pandemia.

“O fracasso do Governo em garantir vias para assegurar cuidados médicos essenciais e sensíveis durante a pandemia causou interrupções nos serviços de aborto e impediu algumas mulheres de realizarem o aborto dentro do prazo legal, exacerbando as antigas barreiras ao aborto legal e seguro em Itália”, criticou a ONG em comunicado.

“Mulheres e adolescentes em Itália tiveram de enfrentar obstáculos às vezes insuperáveis para aceder a cuidados de saúde sexual e reprodutiva de que precisavam durante um período de crise”, disse Hillary Margolis, da HRW, citada pela agência Lusa.

Para a ONG internacional, “a pandemia de covid-19 sublinhou apenas o sistema labiríntico italiano no acesso ao aborto e demonstrou como as restrições desajustadas do país causaram danos, em vez de fornecerem proteção”.

Entre maio e julho deste ano, a HRW entrevistou 17 médicos, académicos e ativistas de direitos das mulheres, bem como cinco mulheres que procuraram o aborto ou cuidados relacionados, após o início do surto em fevereiro.

A ONG lembrou que o aborto é legal em Itália durante os primeiros 90 dias de gravidez por razões de saúde, económicas, sociais ou pessoais.

“No entanto, requisitos onerosos e o uso alargado de ‘objeções de consciência’ por parte do pessoal médico para negar assistência deixaram mulheres adultas e adolescentes em dificuldades para encontrarem serviços dentro do prazo legal, geralmente exigindo visitas a várias instalações em Itália ou no exterior – movimento dificultado pelas proibições de viagens locais e internacionais”, continuou a organização.

Algumas instalações suspenderam mesmo os serviços de aborto durante a pandemia ou a equipa ginecológica foi transferida para os cuidados a prestar no combate à covid-19, salientou a HRW.

// Lusa

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