Hotel processa sobreviventes do tiroteio de Las Vegas

Bill Hughes / Las Vegas News Bureau / HANDOUT / EPA

A empresa que detém o hotel Mandalay Bay, em Las Vegas –  onde Stephen Paddock disparou sobre uma multidão num festival de música country –, processou mil de vítimas do ataque, argumentando não ter “qualquer tipo de responsabilidade”.

O tiroteio, em 1 de outubro do ano passado, foi considerado o “mais mortífero dos EUA“, tendo feito 59 mortos – entre os quais o atirador – e mais de 500 feridos.

Segundo o The Guardian, a MGM Resorts International apresentou duas ações judiciais contra as vítimas, uma no estado do Nevada e outra na Califórnia, argumentando que “não tem qualquer tipo de responsabilidade” para com as vítimas ou familiares das pessoas que morreram no tiroteio.

Os processos da MGM surgem em resposta às centenas de vítimas que, nos últimos meses, acusaram o hotel ou ameaçaram que o iam fazer, apontando falhas de segurança.

Segundo a AFP, o grupo, que detém uma dezena de grandes hotéis-casino em Las Vegas, procura uma solução “rápida” para os milhares de processos dos sobreviventes ou familiares das vítimas, que já recorreram à Justiça para apurar a responsabilidade do Mandalay Bay no massacre.

Segundo o hotel, os processos não pretendem obter qualquer compensação financeira das cerca de 2.500 pessoas que acusam o grupo MGM de negligência, apenas procura que desistam dos processos.

O grupo sustenta a sua atuação na lei federal de Segurança, conhecida como Safety Act, que isenta de responsabilidade por atos de terrorismo ou tiroteios em massa as instituições que utilizam serviços de segurança certificados pelo departamento de Segurança Nacional.

Desta forma, a MGM quer que um tribunal declare que a lei dos EUA “impede qualquer atribuição de responsabilidade” à empresa “por ferimentos decorrentes ou relacionados com o ataque de Paddock”.

O advogado Robert Eglet, que representa algumas vítimas, qualificou as ações da MGM Resorts como “a coisa mais escandalosa que viu em 30 anos de carreira” e esclareceu que a empresa contratada para o festival Route 91 – a CSC – “não proporcionava segurança para o Mandalay Bay” durante ou antes do tiroteio.

O grupo de apoio às vítimas Route 91 Strong disse estar “profundamente triste” com a ação da MGM contra muitas vítimas que permanecem traumatizadas e, inclusive, “à beira do suicídio”, e outras que “perderam os seus empregos e as suas casas”.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Duas estupidezes mostram que nem sempre a uma coisa errada, se opõe uma coisa certa. Em primeiro lugar, colocar as culpas no Hotel é uma velhaquice… Uma tentativa oportunista de ir buscar dinheiro a algum lado, tirando lucro de uma desgraça. Para isso há seguros de vida e de acidentes pessoais, não é agora meter culpas em quem não as tem. Se eu quiser matar alguém com uma naifada no gasganete, não há segurança que me impeça. Saio de casa com uma faca de cozinha debaixo da roupa, entro num hotel e espeto-a no gasganete pretendido. O mesmo com uma arma de fogo, nos EUA sobretudo. As pessoas que passam por uma coisa má, acham sempre que isso tem de ser compensado com dinheiro. Como o autor da “coisa má” não vai pagar nada, eles viram-se para um qualquer… Ou o Estado, ou neste caso, o próprio hotel.

    Por outro lado é outra estupidez estar a querer evitar essa injustiça com outra injustiça. Também não se pode processar pessoas que já foram vítimas de um tiroteio, pelo tiroteio em si. O Hotel só tem de negar responsabilidade e que se defender em tribunal, porque de facto, não tem qualquer responsabilidade e se não deve não teme. Agora usar “a melhor defesa é o ataque”, faz o hotel perder totalmente a razão… E isso ainda se irá virar contra ele porque os Juízes não verão isto como boa fé.

  2. Estar pronto a defender a parte mais forte não te torna a parte mais forte, MIGUEL Queirós, de bem intencionado o teu comentário não tem nada.

    • O Miguel não defendeu a parte mais forte, nem a mais fraca, foi razoável e honesto na sua analise.
      Desde quando se deve de atacar uma pessoa ou entidade porque é o mais forte?

      Eu pelo menos, acho que as culpas são a quem as merece, e neste caso o Hotel (e outros promotores) não tem como evitar estes acontecimentos a menos que não os façam!!!
      O Luciano pode ter a certeza de uma coisa, se os promotores deixarem de promover estes espetáculos, quem perde somos todos.

      Pessoalmente, sou contra essa mentalidade mesquinha que so porque é a “parte mais forte” deve de ser a culpada e sem direito a defesa.

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