Faltam 45 mil trabalhadores no setor do turismo. Há hotéis que podem fechar no verão

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Hotéis pedem que o Governo facilite a contratação de imigrantes para combater a falta de mão-de-obra no setor. Há hotéis que podem fechar no verão.

A retoma do turismo no verão está em risco devido à falta de mão-de-obra no setor. Em declarações ao Diário de Notícias, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, pede que o Governo facilite a contratação de mão-de-obra estrangeira.

“Os hotéis estão a recorrer imensamente a horas extraordinárias. Os trabalhadores sentem esse peso porque os que estão, trabalham mais. Esta é uma situação que não se aguenta muito tempo”, diz a vice-presidente da AHP.

Estão previstas taxas de ocupação dos hotéis portugueses de pelo menos 59% entre junho e setembro. O problema é que há uma escassez de mão-de-obra de 45 mil trabalhadores no turismo, 15 mil só na hotelaria.

“A hotelaria é muito exigente e só há uma forma de equilibrar isto, é haver mais trabalhadores”, disse a responsável da AHP. “É necessário agilizar os procedimentos e ter uma via verde para a imigração. Os outros países também se estão a mexer para ter um pacote para cativar imigrantes”.

A subida dos preços e os recordes da inflação são outras das preocupações dos hotéis com o verão à porta.

“A inflação é refletida sobre consumidor. Os preços aumentariam sempre, mais que não fosse, pela razão da inflação. Daí os hoteleiros dizerem que o peço médio será superior porque não há outro remédio. Isto, aliado aos custos salariais e à procura do mercado, vai fazer com que os preços subam. Se os preços subirem entre 8% e 10% não estranharia”, disse Cristina Siza Vieira.

Hélder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) diz que se trata de um problema antigo no setor, sem solução aparente. Foram anunciadas cerca de 6 mil vagas de emprego na região algarvia, mas foram preenchidas menos de dez.

“Estamos a ter muitas dificuldades na contratação das pessoas. A operação de verão está a arrancar coxa”, diz Alexandre Marto, presidente executivo do Fátima Hotels Group, citado pela CNN Portugal.

“Temos sentido muita dificuldade em arranjar colaboradores. Se não houver azar, temos o problema resolvido. Conseguimos equipas mínimas para garantir a operação de verão”, disse também Luís Alves de Sousa, diretor-geral dos Hotéis Heritage.

Segundo a estação televisiva, como resultado, há unidades hoteleiras a ponderar fechar serviços no verão devido à falta de mão-de-obra.

O setor do alojamento e restauração tinha no final de 2021 um salário médio de 881 euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Para os hoteleiros, o problema está na questão dos horários. As funções onde o horário repartido é uma realidade são os mais difíceis de preencher.

  Daniel Costa, ZAP //

16 Comments

  1. Não é só no turismo que faltam trabalhadores. É praticamente em todas as atividades. E é pelo menos curioso que neste cenário, o Governo tenha vindo falar da semana de trabalho de 4 dias. É mesmo de quem não sabe o que se passa na economia real. Uma vergonha!

      • Iluminado não és tu, certamente! De resto o teu comentário demonstra bem que tens visto pouca luz nos últimos tempos. Provavelmente tem-te passado muita coisa ao lado. Vivemos num país em que a maioria das pessoas não quer fazer determinadas funções. São desprestigiantes e as pessoas não as querem fazer. Quem está a assegurar muitas dessas funções (lares, atendimento na restauração, limpezas na hotelaria…) são estrangeiros (Moldavos, Ucranianos, Brasileiros,…). E na indústria aconteceu em parte o mesmo (muito embora aí o problema resulte da incapacidade de atrair os mais jovens para profissões como técnicos CNC, soldadores, serralheiros…). Querem todos um canudo.
        Mas enfim, isto não é o teu campeonato, como o teu comentário bem revela.

  2. Diminuam as margens de lucro, aumentando não os preços ao consumidor, mas sim os dos salários dos funcionários e verão que eles logo aparecem.

    • Que palermice completa. Crie uma empresa, implemente o que diz e depois volte cá. Penso que não durará sequer um mês. Enfim.

    • E que tal pagarmos salários ao nível do Luxemburgo mas continuando os cafés e restaurantes a cobrarem menos de um euro por um café? Parace-me uma boa opção. Assim é que a economia lá vai.

  3. não é dificil cativar as pessoas, da parte dos patroes, basta dar qualidade de vida, folgas fixas, horarios de 8 horas, vencimentos melhores! o governo pode ajudar todos os sectores com politicas de redução da carga fiscal serias como reduzir descontos para que a pessoa não passe a vda a trabalhar para os descontos.

  4. Acho uma piada enorme virem para a praça pública queixarem-se, e só contarem metade das coisas.
    Já foi aqui dito e qualquer pessoa com 2 palmos de testa sabe isso, ofereçam um bom ordenado por mês e boas condições de trabalho que até fazem fila á porta do hotel.

    • Então, força nisso! Crie uma empresa e demonstre a todos os “patrões” que são umas bestas e que é possível pagar salários ao nível do melhor da Europa. Força nisso! Estarei cá para aplaudir! Não se fique pelas palavras. O país precisa de pessoas como o Balelas, cheios de vontade. Assim, não lhe passe depressa toda essa vontade.

  5. Paguem decentemente. Quem decide não trabalhar em Hoteis é porque tem alternativas mais bem pagas e com melhores condições! Deixem de fingir que não percebem o porquê!

  6. Os sacanas só querem pagar salários baixos para depois andarem a passear nos seus pópós xptós.

    À medida que as pessoas se vão apercebendo do ‘esquema’, ou vão trabalhar para o estrangeiro, ou ficam a mamar os subsídos que trabalhar por truta e meia não compensa nem ao menino jesus.

  7. Engraçado todos estes comentários. Querem todos que se paguem salários melhores e tudo o mais. Mas depois quando vão às compras querem pagar o mínimo possível. Têm de me explicar como é que depois é possível um hotel no Algarve pedir 1000 euros por 7 dias em agosto a pagar por exemplo às funcionárias de limpeza 1000 euros (mais todos os encargos que levariam esse custo para quase 1500 euros / mês) com os preços de energia que existem hoje em dia e tudo o mais.

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