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Foi “quase por acaso” que se criaram os hotéis perfeitos para a era covid. Agora, podem salvar o turismo

Arquitetura medieval, cidades desertas e campos longínquos – o que parecem ser os ingredientes perfeitos de um filme, pode ser a receita secreta do hotel perfeito da era covid. Em Itália são cada vez mais os turistas que os procuram.

Desde a década de 90, que Itália é pioneira num modelo de turismo conhecido como “Albergo Diffuso” – o que envolve a instalação de um hotel completo em vários edifícios de uma vila abandonada.

A maioria dessas aldeias centenárias sofreu bastante com a deslocação da população para as grandes cidades – o mesmo problema que inspirou muitas aldeias italianas a vender casas por quase nada.

Os empreendedores viram então uma oportunidade para tornarem as cidades fantasma em acomodações luxuosas, onde os hóspedes podem ficar nos seus próprios edifícios, mas ao mesmo tempo podem ir comer num restaurante chique ou frequentar um SPA instalado em outra parte da vila.

À medida que as viagens comecem a ser novamente admitidas (sobretudo agora com a perspetiva de uma vacina) é provável que muitos turistas ainda prefiram hotéis que ofereçam distanciamento social, que é precisamente um fator onde estes hotéis italianos se destacam.

Na década de 1990, o empresário Daniele Kihlgren tropeçou na cidade-fortaleza medieval de Santo Stefano di Sessanio, na região italiana de Abruzzo, onde as montanhas Campo Imperatore são conhecidas como “Pequeno Tibete” por causa das vistas.

Kihlgren, que cresceu no norte da Itália, foi ter à cidade “quase por acaso”.
“Passei anos a procurar lugares como estes, onde a paisagem não havia sido corrompida”, revela à CNN.

Depois de encontrar o local perfeito, o empresário  começou a trabalhar nos seus objetivos.
A atitude empreendedora foi o primeiro passo na criação da Sextantio, uma marca hoteleira dispersa que tem localização em Matera, a cidade do sul da Itália esculpida numa rocha sólida.

Em Santo Stefano di Sessanio, uma aldeia aparentemente congelada no tempo, Sextantio oferece piqueniques no topo da montanha com pães, queijos, vinhos, frutas e carnes curadas locais. A própria aldeia ainda se assemelha a um cenário tradicional, com um café na praça, moradores a produzir produtos artesanais e um empregado de mesa que, ao servir as iguarias locais, explica como os produz.

Outros hóteis seguiram o mesmo modelo, e agora existem 150 alojamentos deste tipo  espalhados por todo o país.

Com o impacto devastador da pandemia no turismo de Itália, estes hóteis provavelmente irão desempenhar um papel vital para ajudar a revitalizar o setor.

A capacidade deste modelo de hotel atender às necessidades dos turistas da era pós-covid, sem a necessidade de fazer mudanças significativas foi recentemente destacada num artigo publicado pelo Canadian Centre of Science and Education.

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No início deste mês, a região de Abruzzo foi oficialmente marcada como “zona vermelha”, o que significa que os turistas estão proibidos de entrar lá. Contudo, o hotel já tinha algumas reservas e muitos dos turistas que por lá passaram admitiram sentir-se mais seguros no local do que propriamente em casa.

Marisa Ragi, proprietária do Al Vecchio Convento Albergo Diffuso no vila de Portico di Romagna, na região da Emilia Romagna, no norte da Itália, mostra-se otimista ao explicar o estado atual dos seus negócios.

“Desde meados de julho, quando Itália começou a sair do confinamento até agora, tivemos muitos italianos que nos salvaram”. Ragi acrescenta que recebeu muitos hóspedes “mas depois fomos forçados a fechar. Trabalhamos mais nos últimos dois meses do que nos últimos 20 anos”, destaca.

Também Andrea Ciarroca, proprietária do Residence Il Palazzo, em Santo Stefano di Sessanio, diz que o seu estabelecimento conseguiu contrariar a tendência de queda observada pelos hotéis tradicionais durante o verão deste ano.

A empreendedora continua confiante no futuro: “Neste verão tivemos um crescimento do turismo, acho que vai haver uma percentagem de pessoas que vão querer voltar à natureza, passear pelas aldeias e pelas montanhas”.

  ZAP //

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