Hospital no Quénia é inundado por pedidos de pessoas que querem vender um dos seus rins

O desespero perante a inflação e o aumento do custo de vida tem levado muitos quenianos a chegar ao extremo de querer vender um órgão.

É um sinal do desespero causado pelos tempos de inflação que vivemos. Um hospital no Quénia já teve de emitir um aviso público para que mais ninguém se dirija às suas instalações na esperança de conseguir vender um rim em troca de dinheiro.

A situação económica precária de muitos quenianos foi ainda mais agravada pela guerra na Ucrânia, que causou uma escalada de inflação, que está agora no pico dos últimos dois anos principalmente devido ao aumento dos preços dos combustíveis e da comida.

O conflito na Europa, que pôs frente a frente dois dos maiores produtores de cereais do mundo, também está a agravar o cenário devido aos bloqueios no escoamento de trigo para os países que dependem deste produto, sendo muitos destes em África e no Médio Oriente, escreve a VICE.

Face a estes problemas, o Hospital Nacional Kenyatta revelou numa publicação no Facebook que “Quanto posso receber pelo meu rim?” se tornou a pergunta mais enviada aos serviços. O hospital lembra que a venda de órgãos é ilegal.

“Por favor lembre-se que a venda de órgãos é estritamente proibida e ilegal. Apenas os podem doar de livre vontade”, relembra o hospital.

No mês passado, o presidente do Quénia Uhuru Kenyatta anunciou um aumento de 12% no salário mínimo como uma forma de colmatar os efeitos da subida dos preços e a perda de poder de compra. No entanto, a medida não entrou em vigor.

Num discurso recente perante a União Africana, o presidente da Ucrânia usou o impacto da guerra nos países africanos como uma forma de pedir ajuda e apoio. “Esta guerra pode parecer-vos distante, mas os preços da comida que estão a subir catastroficamente já a trouxeram para as casas de milhões de famílias africanas“, sublinhou Volodymyr Zelenskyy.

  ZAP //

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