Um dos maiores hospitais de Lisboa vai ficar sem radiologistas à noite no apoio à urgência

Mário Cruz / Lusa

A partir de junho, o Hospital de São José vai deixar de ter especialistas em radiologia durante a noite, da meia-noite às 8 da manhã.

A Ordem dos Médicos e o Sindicato Independente dos Médicos denunciaram, esta quarta-feira, que o Hospital de São José, em Lisboa, vai deixar de ter, a partir de junho, um médico radiologista no local durante o período noturno.

“Segundo um despacho interno, a radiologia e neurorradiologia, entre as 00h00 e as 08h00, vão ter técnicos a efetuar os exames, que depois vão ser avaliados por um médico via telemedicina. Durante este período não estará um radiologista no local”, disse à Lusa Alexandre Valentim Lourenço, do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos.

Este representante referiu ainda que esta é uma decisão “impensável de ser tomada“, num hospital que tem uma das maiores urgências do país.

“Este é um hospital de fim de linha, que recebe doentes de outros locais quando estes não têm capacidade de resposta. É impensável mandar os exames para uma empresa no exterior e este facto pode causar graves distúrbios”, alertou.

Alexandre Valentim Lourenço espera que esta situação seja resolvida e salientou que nas conversas que manteve, percebeu que “os colegas estão muito preocupados”.

“O hospital fica sem uma das suas principais armas de diagnóstico. Muitas vezes, a análise efetuada aos exames entre o médico e o médico radiologista levam a decisões que podem salvar vidas”, frisou.

Em comunicado, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) também condena a situação prevista, salientando que pode “pôr em risco os doentes e a potenciar a possibilidade de erro médico”. “Os exames são executados por técnicos e avaliados via telemedicina por um médico, quem sabe se a centenas de quilómetros”, refere.

“O SIM considera escandaloso que seja candidamente assumido pela Direção do Serviço de Radiologia do Hospital S. José essa ausência de recursos humanos médicos durante a noite. E compreende e louva a preocupação e indignação dos médicos responsáveis das equipas de urgência”, frisa, considerando que esta é uma situação “que se repete em Lisboa e em muitas outras zonas do país”.

A demora do diagnóstico, eventuais falhas na interpretação do exame médico e na posterior intervenção clínica são algumas das possíveis consequências desta decisão.

Hospital de São José desvaloriza críticas

O Hospital de São José desvalorizou as críticas e realçou que esta é uma prática que acontece em vários hospitais, quer em Portugal quer a nível internacional. “Trata-se de uma boa prática de recursos humanos”, acrescenta o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), em resposta à Renascença.

O hospital garante ainda que não haverá “prejuízo para os utentes nem quaisquer perdas de tempo ou qualidade face aos relatórios de exames produzidos pelos médicos residentes”.

Além disso, explica que os profissionais exteriores ao hospital que vão realizar os relatórios de exames “ficam disponíveis, por contrato, a prestar todos os esclarecimentos adicionais que forem considerados necessários”, pode ainda ler-se no esclarecimento do CHLC.

ZAP // Lusa

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