Hong Kong volta à normalidade, entre promessas de diálogo e duras críticas da China

Ritchie B. Tongo / EPA

Polícias de Hong Kong depois da invasão dos manifestantes ao Parlamento

A chefe do Governo de Hong Kong lamentou a invasão dos manifestantes ao Parlamento, mas mostrou-se disposta a dialogar. A China, por sua vez, condenou duramente este episódio e a imprensa estatal quebrou finalmente o seu silêncio.

Numa conferência de imprensa, a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, condenou os manifestantes que invadiram e vandalizaram esta segunda-feira a sede do Parlamento, desejando que a sociedade volte ao normal o mais rapidamente possível.

A chefe do Executivo disse sentir-se zangada e triste com a violência e o caos causado pelo protesto sem precedentes, mas mostrou-se disposta a dialogar com todos os setores, inclusivamente com a juventude que tem liderado os protestos.

No entanto, a governante voltou a não dar qualquer indicação de que irá retirar definitivamente a lei da extradição que está na génese das quatro manifestações expressivas que se realizaram este mês.

Proposta em fevereiro, as alterações permitiriam que Lam e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Os manifestantes temem que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.

A ocupação da assembleia ocorreu no 22º aniversário do retorno de Hong Kong à China. Centenas de manifestantes partiram vidros e destruíram gradeamento para entrar na sede do Conselho Legislativo. Uma vez lá dentro, pintaram ‘slogans’ nas paredes, reviraram arquivos nos escritórios e espalharam documentos no chão.

Ao final da noite, e depois de vários avisos aos manifestantes que insistiram em manter-se junto ao edifício e dentro das instalações, a polícia interveio finalmente. Imagens transmitidas pela televisão mostram os polícias protegidos por equipamentos anti-motim a carregarem sobre os manifestantes.

Os manifestantes acabaram por dispersar e, nas ruas desertas, restaram apenas capacetes, máscaras e chapéus de chuva num perímetro completamente controlado pela polícia que, às 04h00 locais (21h00 em Lisboa), começou também a desmobilizar.

China condena invasão e imprensa quebra silêncio

O Governo chinês condenou hoje veementemente a invasão da Assembleia de Hong Kong e reafirmou o seu apoio às autoridades da antiga colónia britânica na investigação criminal contra os “perpetradores da violência”.

“Estes atos graves e ilegais anulam o Estado de Direito e minam a ordem social e os principais interesses de Hong Kong”, afirmou, em comunicado, o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado.

“O Governo central apoia firmemente a investigação das autoridades de Hong Kong para estabelecer uma responsabilidade criminal sobre os autores da violência”. A mesma nota apela a que se restaure a ordem social o “mais rapidamente possível”.

A nota foi reproduzida pela imprensa estatal chinesa, que publicou ainda imagens da polícia a dispersar os manifestantes, quebrando assim o silêncio sobre os protestos.

A decisão de noticiar as manifestações, e a publicação de um editorial a atacar os manifestantes, publicado num jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), pode indicar que Pequim se prepara para adotar uma postura mais dura.

Os protestos violentos representam um desafio para o Presidente chinês, Xi Jinping, que até à data deixou a chefe do Executivo de Hong Kong lidar com a crise política sozinha.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP // Lusa

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