Hong Kong teme que China queira acabar com a autonomia do território

(cv) RTHK

O alto-representante do Governo central para o território, Luo Huining

A assembleia legislativa de Hong Kong está paralisada devido a uma luta entre os representantes de Pequim e a oposição pró-democracia. Com eleições marcadas, o Governo chinês terá iniciado uma ofensiva que ameaça a autonomia da região.

Segundo um artigo do Público divulgado na quarta-feira, que cita a Reuters, vários juízes indicaram que a pressão estende-se nos campos político, executivo e judicial. As diretivas enviadas por Pequim, através da controlada imprensa estatal, é de que os manifestantes pró-democracia detidos não devem ser “absolvidos”.

“Se o formigueiro que corrói o papel do Estado de direito não for removido, o dique da segurança nacional será destruído e o bem-estar de todos os residentes de Hong Kong ficará danificado”, afirmou o alto-representante do Governo central para o território, Luo Huining, nomeado em janeiro.

Considerando que muitas pessoas “têm um conceito de segurança nacional muito fraco”, Luo Huining defendeu a aprovação no parlamento local do artigo 23 da Constituição da região administrativa, pendente desde 2003. Este artigo permite a criação de leis que “proíbam qualquer ato de traição, secessão, sedição, subversão contra o Governo popular central ou roubo de segredos de Estado”.

Na quarta-feira, a líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, indicou que “surgiram [no território] ações extremistas que estão próximas do terrorismo, incluindo bombas artesanais, posse de armas de fogo e ataques a agentes da polícia”, que considera como ameaças à segurança nacional.

Referiu ainda, num discurso gravado para assinalar o Dia da Educação para a Segurança Nacional, que os meses de protestos anti-governo desafiaram o Estado de direito e puseram em perigo a segurança pública. “Se estes atos ilegais não forem restringidos com eficácia é possível que a segurança nacional se veja ameaçada”, disse.

O Observador avançou que, em Hong Kong, já se preparam para uma maior intervenção do Governo central na nomeação de juízes, depois de vários magistrados pró-Pequim terem manifestado o seu descontentamento pelas duas mais recentes nomeações.

“Estamos preocupados de que estejam a perder a paciência e encontrem maneiras de apertar os parafusos”, afirmou um dos juízes, que falou com a Reuters sob a condição de anonimato. Um porta-voz de Carrie Lam negou essa afirmação, referindo que Pequim continua a aplicar o princípio de um país, dois sistemas.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Mais cedo ou mais tarde acontecerá, é o destino de quem é pequeno e vítima da desenfreada gula colonialista das grandes potências, o colonialismo não terminou, mudou simplesmente de estratégia ao abrigo de outros capotes mais disfarçados.

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