Guterres diz que a crise climática é o maior obstáculo para a paz mundial

André Kosters / Lusa

O ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

No Paquistão, o quinto país mais ameaçado pelos efeitos das mudanças climáticas, o secretário-geral das Nações Unidas destacou a questão da água como o maior perigo para o país.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse este domingo que a crise climática é o maior obstáculo à paz mundial, durante a visita ao Paquistão, um país em conflito com a Índia por causa do uso da água.

“A crise climática é talvez o maior obstáculo à paz, estabilidade e prosperidade globais”, disse Guterres, durante uma conferência sobre desenvolvimento sustentável, no seu primeiro evento público em Islamabad, onde chegou hoje para uma visita oficial.

O Paquistão é o quinto país mais ameaçado pelos efeitos das mudanças climáticas, em particular pelo degelo, inundações e desertificação, segundo relatórios de organizações ambientais.

Além destas ameaças, Guterres destacou a questão da água como o maior perigo para o Paquistão, lembrando que 80% dos seus lençóis é destinado à agricultura, que emprega 40% da população ativa.

De resto, o problema da água tem criado tensões com a Índia, já que os dois países compartilham os leitos de seis rios, não se entendendo relativamente à gestão destes recursos hídricos.

Guterres lembrou que era o primeiro-ministro de Portugal, quando assinou com Espanha um acordo, em 1998, para gerir a água dos rios que os dois países europeus compartilham.

“Este exemplo mostra que é possível uma cooperação eficaz para resolver esse género de problemas”, explicou o secretário-geral da ONU.

António Guterres, que tem apelado para ações mais vigorosas para enfrentar a emergência climática, acrescentou que “paz, prosperidade, dignidade e direitos humanos para todas as pessoas são o objetivo do desenvolvimento sustentável”.

Guterres destacou a importância do desenvolvimento sustentável para todos os países e comunidades, já que os efeitos das mudanças climáticas não respeitam fronteiras.

“Nenhum país pode dizer que é imune aos seus efeitos (da mudança climática)”, disse o secretário-geral, lamentando que o “ritmo da mudança seja lento”, quando se procura alcançar metas de desenvolvimento sustentável.

Durante a palestra, Guterres deu o exemplo do próprio Paquistão, país pelo qual desenvolveu afinidade durante as suas muitas visitas como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), entre 2005 e 2015.

“É injusto que o Paquistão esteja na vanguarda do impacto negativo das mudanças climáticas. O Paquistão contribuiu pouco para o problema“, disse Guterres.

Além da conferência sobre mudanças climáticas, Guterres participou numa reunião com refugiados do Afeganistão, Iémen e Tajiquistão que estão em solo paquistanês.

“A minha primeira reunião no Paquistão: gerações de refugiados afegãos que compartilharam histórias emocionantes, as suas esperanças e os seus sonhos”, escreveu o líder da ONU na sua conta da rede social Twitter.

Na segunda-feira, Guterres participará numa conferência que assinala o 40.º aniversário da chegada de refugiados afegãos ao Paquistão, estará presente no início de uma campanha de vacinação contra a poliomielite, um grave problema neste país asiático, e visitará um templo sikh aberto aos peregrinos oriundos da Índia.

// Lusa

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