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Greve dos taxistas em Espanha sem fim à vista

Mário Cruz / Lusa

O trânsito no centro das maiores cidades espanholas continua muito condicionado pela greve dos taxistas, sem fim à vista, contra a proliferação de veículos de aluguer com condutores da Uber e Cabify.

O Governo espanhol pediu, esta terça-feira, “responsabilidade” aos grevistas porque, segundo o ministro responsável pelos transportes, José Luís Ábalos, “prestam um serviço público”.

Por seu lado, os taxistas solicitaram ao Executivo “um novo gesto”, que lhes dê “mais certezas” sobre o futuro do setor e que possa justificar o fim da greve.

Um responsável da associação de veículos de aluguer com condutor pediu também hoje ao Governo espanhol para não ceder à “chantagem” dos taxistas, ao mesmo tempo que lamentava “a debilidade” que parece ter o Executivo perante os grevistas.

Milhares de táxis passaram a sua quarta noite consecutiva estacionados nas avenidas do centro de Barcelona e várias dezenas dormiram em tendas no famoso Paseo de la Castellana de Madrid, em frente ao Ministério do Fomento [Economia].

Os taxistas de Madrid mantêm desde segunda-feira o que consideram ser os serviços mínimos, aceitando apenas transportar, e de forma gratuita, pessoas de idade, doentes, mulheres grávidas ou pessoas com mobilidade reduzida.

Outras cidades espanholas, como Valência, Málaga ou Bilbau, também estão a ser afetadas por este movimento de protesto que começou no final da semana passada e que está a afetar milhares de turistas que se deslocam a Espanha nesta época de verão.

Os taxistas defendem que a gestão das licenças para os veículos com condutor, que operam principalmente através das plataformas informáticas Uber e Cabify, passem do Governo central para as comunidades autónomas e municípios que, segundo eles, são quem enfrenta os problemas de circulação, mobilidade e meio ambiente.

Pedem ainda que, assim como está estipulado, esses veículos regressem à sua base quando acabam um serviço e não circulem ou fiquem estacionados à espera de novos clientes, e ainda que não haja mais do que uma licença por cada 30 táxis, como a lei prevê.

O protesto dos taxistas começou na quinta-feira da semana passada, mas uma decisão do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC), conhecida na sexta-feira, que manteve suspenso o regulamento metropolitano que restringe a concessão daquelas licenças, levou à intensificação dos protestos nesse dia.

Taxistas portugueses solidários com colegas espanhóis

Esta terça-feira, dezenas de taxistas estavam parados no Aeroporto de Lisboa, sem transportar passageiros, em solidariedade com os colegas espanhóis.

O protesto pretende demonstrar solidariedade para com os taxistas de Espanha, a que se juntaram hoje quatro carros e 10 motoristas que foram na segunda-feira de Portugal.

Os táxis que estavam parados à frente da fila no Aeroporto tinha duas faixas, onde estava escrito “fuerza hermanos” e “estamos con ustedes”. A fila de táxis estava parada, sem bloquear o trânsito, que estava a ser controlado por agentes da PSP.

“Nós só queremos passar o recado e a mensagem aos nossos governantes que nós não estamos a dormir e o que está a acontecer em Espanha pode acontecer em Portugal“, disse António Ribeiro, um dos taxistas que deu a cara pelo protesto, realçando que este é um protesto “ordeiro, solidário de taxistas independentes” de sindicatos ou organizações representativas.

O mesmo taxista realçou que, dos cerca de 300 taxistas que operam no aeroporto, apenas cerca de uma centena continua a fazer serviços, “uma espécie de serviços mínimos, para manter o transporte de passageiros, que poderá ser mais demorado”.

No mesmo dia, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou a lei que regula a atividade das plataformas de transportes como a Uber. A Federação Portuguesa do Táxi (FPT) já se pronunciou acerca deste assunto, afirmando que “lamenta” a decisão do Presidente da República.

“Com surpresa e desalento, a FPT não encontra coerência nesta promulgação, tendo em conta o enquadramento feito pelo próprio Presidente da República para justificar o seu veto na primeira proposta aprovada pelo parlamento”, escreveu a FPT numa nota enviada às redações.

  ZAP // Lusa

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