Governo espanhol não entrega Leopoldo López às autoridades venezuelanas

Miguel Gutierrez / EPA

Leopoldo López, um dos líderes da oposição na Venezuela

O Governo espanhol anunciou na quinta-feira que não vai entregar às autoridades o opositor venezuelano Leopoldo López, que está na Embaixada de Espanha em Caracas, depois de o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela ter emitido um mandado de detenção.

“O Governo não pretende de modo algum entregar Leopoldo López às autoridades venezuelanas ou retirá-lo da residência do embaixador”, referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol em comunicado, avançou o Sapo.

O documento acrescentava que será encontrada uma solução “o mais rápido possível”, salientando que Leopoldo López, líder do partido da oposição venezuelana Vontade Popular, a sua mulher e a sua filha, de 15 meses, estão na residência do embaixador espanhol em Caracas por vontade própria e como “convidados”.

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano deu indicações à polícia para deter o opositor, por este ter violado os termos da sua prisão domiciliária, tendo o mesmo se refugiado na embaixada espanhola, depois de ter passado pela chilena.

Miguel Gutierrez / EPA

Juan Guaidó com Leopoldo López

“O tribunal decidiu emitir um mandado de detenção ao Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (SEBIN), visando Leopoldo López”, referiu em comunicado o Supremo, sobre a decisão tomada por um tribunal inferior.

Leopoldo López, que cumpria uma pena de quase 14 anos em regime de prisão domiciliária por liderar protestos contra o Governo em 2014, foi libertado na terça-feira por militares, devido a “um indulto presidencial” de Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela, já reconhecido por mais de 50 países.

O líder do Vontade Popular apareceu no exterior de uma base militar em Caracas com Juan Guaidó, que instou os militares a derrubarem o Presidente do país, Nicolás Maduro. O autoproclamado Presidente desencadeou na madrugada de terça-feira um ato de força contra o regime, em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

O regime de Nicolás Maduro, que tem o apoio da Rússia, além de Cuba, Irão, Turquia e alguns outros países, ripostou considerando que estava em curso uma tentativa de golpe de Estado e não houve progressos na situação, aparentemente dominada pelo regime.

“Intervenção militar é opção constitucional”

Leopoldo López disse nesta sexta-feira à agência Efe que uma intervenção militar na Venezuela é uma opção que se mantém como uma alternativa no quadro constitucional, segundo informou o Sapo.

“Nós não excluímos nenhum cenário e a Constituição prevê essa possibilidade. Espero que não tenhamos de chegar a esse ponto, mas não o excluímos, porque é constitucional, porque a liberdade é para todos”, disse líder do partido Vontade Popular. Para o preso político, só a “conquista da liberdade” pode resolver os problemas do país.

O opositor declarou ainda que os venezuelanos vão acabar com a “usurpação” do poder por parte de Nicolás Maduro e recordou que o autoproclamado chefe de Estado Juan Guaidó é reconhecido por 58 países. “Não houve uma coligação internacional a favor da liberdade com tanto apoio desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou.

Leopoldo López referiu que “não há nada” que impeça a oposição de utilizar a Constituição para alcançar a liberdade, sublinhando que uma “grande parte” das Forças Armadas estão ao lado dos manifestantes.

O líder do Vontade Popular acredita que a barreira mais importante que “deve ser derrubada é o medo” que, disse, começou a “cair” na terça-feira, altura em que dirigiu com Juan Guaidó o chamamento ao levantamento militar.

Na entrevista, não revelou os nomes dos “destacados elementos do chavismo” com quem estabeleceu conversações, mas indicou que Nicolás Maduro está rodeado de pessoas que querem que o líder abandone o poder.

Apesar de não descartar a possibilidade de uma intervenção militar internacional, insiste que “tem de ser um processo pacífico e que não recorra à violência”. Questionado sobre o chamamento de 30 de abril, respondeu que nesse disse foi enviada uma mensagem forte aos funcionários ativos e com capacidade de agir.

“Hoje [Nicolás] Maduro não pode confiar nem sequer em quem lhe serve o café. Ele sabe que aqueles que compõe o círculo mais próximo estão em contacto connosco, a todos os níveis, e sabe que tem de fingir que está a controlar a situação”, reiterou.

Taísa Pagno TP, ZAP //

 

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