Pela primeira vez, Governo alemão terá tantas mulheres como homens

Clemens Bilan / EPA

Olaf Scholz, o novo chanceler da Alemanha

Os partidos SPD, Verdes e Liberais assinaram, esta terça-feira, o acordo de coligação que permitirá ao social-democrata Olaf Scholz ser investido na quarta-feira como o nono chanceler da Alemanha em 72 anos.

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As negociações produziram “muito bons resultados, que nos ajudarão a organizar o progresso neste país, e é por isso que é bom que hoje possamos assinar o acordo de coligação para a formação deste governo”, disse Olaf Scholz, citado pela agência EFE.

“Se a boa cooperação que funcionou enquanto estávamos a formar o Governo continuar a funcionar, será um momento muito, muito bom para as tarefas que temos pela frente”, acrescentou, segundo a agência Associated Press.

O acordo de coligação “Ousar Mais Progresso”, de 177 páginas, foi assinado no Museu Futurium de Berlim.

Os esforços para travar as alterações climáticas são uma prioridade máxima para este novo Executivo, particularmente para os Verdes. Outras prioridades incluem a modernização da maior economia da Europa e a introdução de políticas sociais mais liberais.

No imediato, o novo governo enfrenta a tarefa de lidar com a pandemia de covid-19, como reconheceu Schulz, que vai suceder à democrata-cristã Angela Merkel.

A pandemia “vai exigir toda a nossa força e energia”, afirmou o futuro chanceler, nomeado pelo Partido Social Democrata da Alemanha (SPD).

O co-presidente dos Verdes e futuro ministro da Economia e do Clima, Robert Habeck, salientou que os três partidos formaram “um Governo para o povo na Alemanha”, embora sejam “reconhecíveis nas suas diferenças”.

Além da pandemia, Habeck salientou como objetivo fundamental combinar “neutralidade climática e prosperidade” na nação industrial líder da Europa e quarta maior economia do mundo.

A co-presidente dos Verdes e ministra dos Negócios Estrangeiros designada, Annalena Baerbock, disse que cabe aos três partidos concretizar o acordo de coligação com “perspetiva, pragmatismo e, sobretudo, com muita paixão”, segundo a EFE.

O novo ministro das Finanças e líder dos liberais do FDP, Christian Lindner, salientou que o novo Governo quer começar a “trabalhar no progresso” já a partir desta semana. Mas “não temos ilusões, enfrentamos grandes desafios”, acrescentou, citado pela AP.

Oito ministérios serão ocupados por mulheres

Segundo a Deutsche Welle, trata-se do primeiro Governo distribuído de igual forma entre mulheres e homens: oito pastas serão ocupadas por mulheres e outras oito por homens. Ou seja, 50% de mulheres num Executivo, o maior da história da Alemanha.

“A paridade é importante para mim e é por isso que haverá oito homens e oito mulheres entre os 16 ministros”, disse Scholz, citado pela AFP.

Além da já referida Annalena Baerbock, que ficará responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, pela primeira vez, o Ministério do Interior será liderado por uma mulher, a também social-democrata Nancy Faeser. A nomeação da jurista, atualmente líder da bancada do SPD no estado de Hesse, foi considerada uma surpresa, de acordo com a DW.

O Ministério da Defesa ficará a cargo de Christine Lambrecht. A social-democrata, até agora ministra da Justiça, será a terceira mulher a ocupar este posto de forma consecutiva, sucedendo a Ursula von der Leyen e a Annegret Kramp-Karrenbauer.

Já a atual ministra do Ambiente, Svenja Schulze, também do SPD, irá trocar de pasta e vai ficar responsável pelo Ministério da Cooperação e Desenvolvimento. Já a pasta da Família, Mulher e Juventude terá o comando da social-democrata Anne Spiegel.

Steffi Lemke será responsável pelo Ministério do Ambiente, Proteção Ambiental, Segurança Nuclear e Proteção ao Consumidor e Klara Geywitz ficará com o novo Ministério da Habitação. Por fim, Bettina Stark-Watzinger, do FDP, ficará à frente do Ministério da Educação e Pesquisa.

No setor da Cultura e dos Media, será também uma mulher a ficar ao leme, Claudia Roth, dos Verdes, embora neste caso não haja estatuto de ministério.

Epidemiologista com a pasta da Saúde

O epidemiologista Karl Lauterbach será o novo ministro da Saúde. O social-democrata ganhou notoriedade nacional ao insistir na televisão que eram necessárias medidas mais severas para conter a disseminação do novo coronavírus.

O alemão apelou à obrigatoriedade da vacinação, restrições mais duras contra não-vacinados e o encerramento total de bares e discotecas, o que o tornou alvo de ataques nas redes sociais de ativistas contra as vacinas.

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Segundo a Deutsche Welle, será também a primeira vez que a Alemanha terá um ministro com raízes turcas. Cem Özdemir, dos Verdes, será ser o novo titular da pasta da Agricultura.

Scholz confirmou, esta segunda-feira, que Hubertus Heil continuará como ministro do Trabalho e Assuntos Sociais, enquanto o ministro da Chancelaria será Wolfgang Schmidt, considerado o seu homem de confiança e que também já era esperado para o cargo.

Por fim, Volker Wissing foi nomeado para os Transportes e Digitalização, enquanto Marco Buschmann ficará com a pasta da Justiça.

De acordo com a DW, este novo Governo alemão tem uma média de idades de 50,4 anos, menor do que as médias de todos os quatro governos anteriores liderados por Merkel. O mandato mais recente de Merkel teve uma média de idades de 51,4 anos.

  ZAP // Lusa

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