Gil Vicente 0-2 Benfica | Águia sofre mas canta de galo

Em mais uma exibição pobre, à semelhança do que tem ocorrido em grande parte das vezes esta temporada, o Benfica sofreu, mas conseguiu vencer neste domingo o Gil Vicente, num duelo relativo à 10ª jornada da Liga NOS.

Com o triunfo, construído à base de um autogolo de Rodrigo e um tento de de Everton “Cebolinha”, os vice-campeões nacionais voltam a ficar a dois pontos do líder Sporting. Por seu turno, o Gil, que ficou reduzido a dez elementos a partir dos 44 minutos, somaram a primeira derrota desde que Ricardo Soares assumiu o leme, contabilizando nove pontos.

 

O jogo explicado em números

  • Do lado gilista, e em relação ao empate frente ao Moreirense da última ronda, saltaram do “onze” Rúben Fernandes, João Afonso e Renan Oliveira e entram Léautey, Talocha e Vítor Carvalho, que se estreou a titular no campeonato. Algumas notas de destaque no “onze” desenhado por Jorge Jesus: Vlachodimos, Grimaldo, Pedrinho e Seferovic foram as novidades, numa equipa que continuou a ter Jardel e Weigl.
  • O arranque do encontro decorreu a um ritmo morno, o Benfica assumia a iniciativa (66% da posse), ao passo que o Gil (dois remates, ambos desenquadrados) espreitava os lances de contra-ataque ou de bola parada. Neste período, as duas situações de maior perigo pertenceram a Darwin Núñez que, aos 15 minutos, falhou as medidas e a força de um chapéu e aos 17 atirou à figura de Denis.
  • Mais incisiva na recuperação da bola, a “águia” começava a aproximar-se com mais regularidade às imediações da área gilista. Ao minuto 24, Everton atirou com força, mas o guardião deteve o esférico, e cinco minutos volvidos, Darwin “sentou” Talocha no relvado, mas em vez de rematar preferiu assistir Seferovic, permitindo o corte de Joel na “hora H”.
  • Os homens de Jorge Jesus tinham 61% da posse, cinco remates – três dos quais no alvo -, duas faltas, um acerto de 85% no capítulo do passe (135 certos em 159 feitos) e 33 perdas de bola. Por sua vez, o Gil amealhava três tiros, ambos desenquadrados, três faltas cometidas e 121 passes feitos e 94 certos (eficácia de 76%). Ao minuto 32, Denis acumulava a melhor pontuação com um GoalPoint Rating de 6.3. Na folha de registos do guarda-redes estavam três intervenções, todas feitas a remates na área.
  • Aos 35 minutos, na sequência de um livre, Vertonghen, em boa posição, atirou por cima da baliza naquela que foi sexta tentativa da equipa em alvejar o alvo. O perigo voltou a rondar quando à passagem do minuto 37 Gilberto rematou e Denis mostrou reflexos, evitando males maiores para a sua equipa. Antes de a bola chegar à baliza, esta ainda desviou na cabeça de Talocha. E aos 40, o guarda-redes do Gil Vicente voltou a ser determinante ao deter um cabeceamento de Vertonghen. Na resposta, Vítor Carvalho ficou a escassos centímetros de abrir a contagem.

Hugo Delgado / Lusa

  • E em cima do descanso, rude golpe para os “galos”, quando Ygor Nogueira travou Darwin em falta, foi admoestado com o segundo cartão amarelo no espaço de cinco minutos e deixou o emblema de Barcelos reduzido dez elementos.
  • Nenhum golo foi apontado ao cabo dos primeiros 47 minutos do encontro. Após um início lento e previsível, o Benfica assumiu o comando e foi gizando uma série de ocasiões, ora por más decisões no momento do passe final ou do remate, ora pelas defesas de Denis, o nulo ia prosseguindo.
  • Por sua vez, o Gil espreitou o golo aos 42 minutos, num cabeceamento de Vítor Carvalho, e uma má abordagem de Ygor Nogueira deixou a equipa com menos um jogador. Autor de cinco defesas, três das quais em remates dentro da área, e demonstrando muita segurança, Denis foi o melhor elemento nesta fase com um GoalPoint Rating de 6.7.
  • Pertenceram aos gilistas as melhores situações de golo no reinício, três no espaço de poucos segundos: Lucas Mineiro primeiro cabeceou e obrigou Vlachodimos a excelente defesa, depois o camisola 25 viu a trave deter um tiro de cabeça e, a terminar, Lourency desferiu um “míssil” e valeu ao Benfica a rapidez do guarda-redes grego. Não obstante ter mais um jogador, a equipa de JJ voltava a denotar as mesmas lacunas de sempre, pouca intensidade na recuperação pós-perda, muita passividade nos lances de 1×1, ou seja, um conjunto lento, previsível, sem dinâmica com a bola nos pés e nada reactivo a defender.
  • E numa rara presença na área contrária, os “encarnados” conseguiram marcar aos 59 minutos. Gilberto cruzou para a zona do segundo poste, Everton cabeceou e Rodrigo, na tentativa de cortar a bola, acabou por colocá-la no interior da baliza. Os gilistas ameaçaram, mas quem inaugurou a contenda foram os forasteiros.
  • E o Gil voltou a ameaçar mesmo estando a actuar com dez elementos. Samuel Lino atirou e Vlachodimos defendeu, a bola sobrou para Lourency que, com a baliza à mercê, não logrou chegar ao empate. Nota para Grimaldo e Odysseas (defesa monstruosa) que conseguiram condicionar a decisão do camisola “7”. Aos 64 minutos, a equipa da casa tinha 12 remates, sendo que sete (cinco enquadrados) foram feitos nesta etapa complementar.
  • Os “gilistas” falhavam e as “águias” marcavam. Ao minuto 65, Seferovic cruzou a preceito e Everton, sem marcação na zona do segundo poste, só teve de encostar e assinar o 2-0.
  • Com o 2-0, a formação de Barcelos só voltou a ameaçar aos 80, na sequência de um livre lateral, enquanto Jorge Jesus foi gerindo a equipa com algumas substituições. Um dado que poderá deixar o técnico com (mais) dores de cabeça o facto de o Gil ter tido mais remates na segunda parte, foram oito (cinco enquadrados), contra apenas dois dos visitantes.
  • Olhando para os dados históricos, esta foi a quinta vitória consecutiva do Benfica diante do Gil Vicente, que não marcou qualquer golo nestes confrontos. O melhor resultado dos gilistas ante os “encarnados” foi um empate (1-1) que ocorreu na época 2013/14.

 

Hugo Delgado / Lusa

O melhor em campo GoalPoint

Longe de ter sido brilhante, Everton, o reforço que custou 20 milhões de euros, acabou por estar presente nos dois lances que fizeram a diferença no marcador e teve um GoalPoint Rating de 8.2.

Além disso, que não foi pouco, rematou em três ocasiões, duas das quais em direcção ao alvo, gizou três passes para finalização, orquestrou quatro passes valiosos (decisões certos feitas a menos de 25 metros da baliza), oito acções com a bola dentro da área do Gil (máximo igualado por Darwin) a ainda fez nove passes progressivos certos.

Apesar de tudo, faltou mais criatividade e outra imprevisibilidade por parte do internacional brasileiro nas suas acções, pois quase sempre opta por lances em que explora as diagonais da esquerda para o corredor central, indo parcas vezes à linha lateral para cruzar.

Jogadores em foco

  • Vlachodimos 7.3 – Como se diz “salvador” em grego? De regresso à baliza, voltou a dizer que o “onze” do Benfica terá de ser ter composto por ele e mais dez elementos. Só teve um susto na etapa inicial, mas nos segundos 45 minutos foi mais uma vez o porto seguro, com um sem fim de defesas. O minuto 63 exemplifica na perfeição a “performance” do guardião, primeiro defendeu um remate de Samuel Lino e, instantes depois, voou e negou a felicidade a Lourency. Ao todo foram cinco intervenções.
  • Lourency 6.5 – Foi o jogador que mais vezes tentou rematar (quatro ao todo, sendo que dois foram enquadrados), fez ainda dois passes para finalização, cinco recuperações de bola e três desarmes. E tão cedo não irá esquecer-se do minuto 63…
  • Denis 6.5 – Adiou como conseguiu o golo forasteiro com excelentes defesas (cinco ao todo) e apenas não conseguiu deter a “traição” de Rodrigo e o cabeceamento mortífero de Everton.
  • Gilberto 6.4 – Nos 65 minutos em que actuou, realizou um remate, dois passes para finalização, três cruzamentos, quatro passes progressivos correctos, venceu os dois duelos aéreos ofensivos em que participou e recuperou por seis vezes a posse. A melhorar, os dribles (dois certos em cinco feitos).
  • Lucas Mineiro 5.8 – Primeiro Vlachodimos e depois a trave. O médio brasileiro esteve próximo de marcar em dois cantos consecutivos. E ainda foi importante na manobra do conjunto de Barcelos, com seis duelos aéreos ofensivos ganhos, duas recuperações de bola e três desarmes.
  • Darwin Núñez 5.0 – Muito perdulário e pouco assertivo na decisão. O uruguaio rematou três vezes, falhou metade dos 14 passes feitos, apenas foi feliz num dos quatro dribles realizados, teve dois maus controlos do esférico e registou 13 perdas de bola.
  • Ygor Nogueira 4.1 – Imprudente, acabou por abusar da agressividade e foi punido com uma expulsão escusada, no final da primeira parte.

 

Resumo

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