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Sem racismo que o trave, George é o primeiro candidato presidencial negro da Nicarágua

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Miguel Andres / Wikimedia

George Henriquez, candidato presidencial em Nicarágua.

George Henríquez está a fazer história na luta pelos direitos das populações negras e indígenas na Costa Atlântica. O nicaraguense é o primeiro candidato presidencial negro do país.

Henríquez tornou-se um alvo da polícia, uma vez que é um dos principais ativistas no crescente movimento de oposição ao atual Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

“Tenho a polícia constantemente em minha casa, durante a manhã, durante a tarde, durante a noite”, disse Henríquez numa entrevista por telefone à Vice. “E eles têm estas espingardas e AKs, ficam em frente a minha casa a garantir que eu não apareço para ajudar nalgum protesto ou assim”.

No entanto, em vez de se assustar com o assédio policial, Henríquez ainda fica mais motivado.

Em janeiro, anunciou que competiria contra outros líderes da oposição na corrida para selecionar um único candidato e desafiar Ortega nas eleições de 7 de novembro.

A visibilidade que a sua ambição traz à população afro-descendente há muito marginalizada da Nicarágua pode ajudar a quebrar preconceitos contra a sua comunidade.

Para se perceber um pouco a dimensão do preconceito, quando Henríquez anunciou a sua candidatura, José Manuel Urbina, aliado de um partido de direita, publicou uma fotografia de Henríquez no Facebook com a descrição: “Candidaturas: A Nova Pandemia”.

“Que bárbaro! Que vulgar! Agora, até um primo do Bob Marley está a concorrer à presidência”, escreveu Urbina.

As suas rastas, brincos e roupas descontraídas batem de frente com o racismo estrutural que existe no país. Muitos pensam que pelo seu visual, George Henríquez não será um candidato sério, embora este tenha um mestrado em Género, Etnia e Cidadania Intercultural.

“Há racismo contra a população negra. Há racismo contra a população indígena. Há racismo contra a área geográfica a que se pertence”, disse Henríquez.

Para estas eleições, a oposição permanece dividida. Seis partidos reuniram-se para criar uma coligação de oposição e vão escolher um único candidato para concorrer contra o presidente, com Henríquez a representar inicialmente o partido indígena YATAMA.

Mas o processo de seleção foi marcado por lutas internas e o YATAMA saiu da coligação. Apesar de tudo, Henríquez não vacilou e permanece na corrida como independente.

  Daniel Costa, ZAP //

1 Comment

  1. mestrado em Género, Etnia e Cidadania interctural. Que três… só falta feminismo. Ou seja, mais um activista marxista que não faz nada e quer tudo.

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