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Na Venezuela, um gangue construiu um campo de basebol atrás das grades

(dr) Google Maps

Prisão de Tocorón, localizada no estado de Aragua, na Venezuela

Um luxuoso estádio de basebol foi descoberto numa prisão venezuelana. Ao que tudo indica, parece ter sido construído por membros de um gangue.

A descoberta do campo de basebol é algo chocante num país que foi devastado por uma crise económica e que viu a hiperinflação tornar a sua moeda praticamente inútil. O estádio, muito melhor do que alguns da liga profissional do país, foi descoberto na prisão de Tocorón, localizada no estado de Aragua, na Venezuela.

Segundo a Vice, esta instalação desportiva parece ter sido construída por membros do gangue Tren de Aragua, detidos neste estabelecimento prisional venezuelano, e é uma chamada de atenção para o crescente poder económico e autonomia dos grupos criminosos no sistema penitenciário da Venezuela.

Num vídeo publicado por um utilizador no Twitter, que rapidamente se tornou viral, é possível ver o relvado perfeitamente cuidado, um sistema de iluminação de qualidade e o nome daquele que é um dos maiores gangues penitenciários do país. “A casa dos príncipes. O estádio, pai. Um verdadeiro estádio à noite”, ouve-se no vídeo.

O estádio é visível no Google Maps e fica no interior da prisão. “Este espaço era usado anteriormente para treino de softball, depois foi reconstruído por esta organização criminosa”, confirmaram funcionários de segurança da prisão ao Runrunes, um site de notícias venezuelano. “Eles até colocaram relva artificial.”

De acordo com familiares, o terreno não é acessível a todos os detidos: só para quem tem lugar de destaque na hierarquia da quadrilha.

Ao contrário do que seria de esperar, esteve projeto não é segredo. A transferência e entrada de materiais na prisão eram do conhecimento dos moradores de Maracay, capital do estado de Aragua, um reflexo de como os grupos criminosos são poderosos e dominam o sistema prisional na Venezuela.

Tren de Aragua é, atualmente, o gangue mais poderoso da Venezuela, presente em pelo menos dez estados do país. Um dos líderes é Héctor Guerrero, apelidado de El Niño, que escapou desta prisão em 2012, antes de ser detido novamente em 2013.

O grupo criminoso está estabelecido em cinco outros países latino-americanos: Colômbia, Peru, Brasil, Chile e Equador.

  Liliana Malainho, ZAP //

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