Fundo soberano angolano garante que todas as operações são feitas de “forma legítima”

FSDEA

Filomeno “Zenú” dos Santos, filho do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

A administração do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que gere ativos do Estado de Angola de cinco mil milhões de dólares, garantiu esta quarta-feira que todas as operações que realiza são feitas de “forma legítima”, ao abrigo dos “mais altos padrões regulatórios”.

A posição da administração, liderada por José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, surge em resposta às denúncias sobre o recurso do FSDEA a paraísos fiscais, divulgadas através de documentos revelados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), no âmbito da investigação Paradise Papers.

“O FSDEA possui políticas e procedimentos rigorosos para garantir que todas as transações e investimentos realizados na sua carteira atendam aos mais altos padrões regulatórios. Além disso, o FSDEA divulga resultados auditados de forma independente sobre os seus investimentos em ‘private equity’ e valores mobiliários internacionais”, refere o fundo angolano, em comunicado a que a Lusa teve acesso.

Em causa, nos documentos revelados pelo CIJI, estão dúvidas nas relações entre o FSDEA e a empresa suíça Quantum Global, de Jean-Claude Bastos de Morais – alegadamente sócio de José Filomeno dos Santos em vários negócios em Angola -, empresa especializada na gestão de ativos, tida como responsável por parte dos investimentos do fundo nas Ilhas Maurícias.

Segundo o jornal suíço Le Matin Dimanche, que revelou documentos dos Paradise Papers, dos cinco mil milhões de dólares (4.300 milhões de euros) atribuídos inicialmente pelo Estado ao FSDEA, cerca de três mil milhões (2.500 milhões de euros) terão sido investidos em sete fundos de investimento nas Maurícias, através da Quantum Global.

A Quantum Global, revela ainda o jornal suíço, receberá entre dois a 2,5 por cento do capital por ano, o que desde 2015 corresponderá a um valor entre 60 e 70 milhões de dólares (50 a 60 milhões de euros) anuais.

“Todos os investimentos em ‘private equity’ executados são obrigados a cumprir os requisitos das diretrizes de investimento definidas pelo conselho de administração do FSDEA e aprovado pela Comissão de Serviços Financeiros da República das Maurícias para cada investimento coletivo”, refere, por seu turno, a administração.

Acrescenta o comunicado que os resultados auditados mais recentes, com um resultado positivo de 44 milhões de dólares (perto de 37 milhões de euros), “mostram ganhos líquidos significativos, que foram derivados principalmente de investimentos em ‘private equity'”.

“Este é um testemunho da implementação bem-sucedida da política do FSDEA, apesar do difícil contexto que a economia angolana tem experienciado desde 2014″, sublinha ainda a administração.

A nova investigação do consórcio jornalístico divulgou mais de 13,4 milhões de documentos, incluindo pormenores sobre como a Rainha Isabel II, conselheiros do Presidente norte-americano, multinacionais como a gigante mineira Glencore e celebridades como Bono Vox e Madonna estão entre os mais ricos do mundo que têm usado estruturas offshore para contornar as suas obrigações fiscais ou fazer pagamentos questionáveis.

Os suíços do Le Matin Dimanche, que integram esta investigação, referem a construção de um arranha-céus na capital angolana, apenas no projeto, num terreno de uma empresa detida pelo empresário Jean-Claude Bastos de Morais, como um dos exemplos das dúvidas nas relações entre o FSDEA e o Quantum Global.

Neste caso, a investigação jornalística aponta que o FSDEA terá assegurado 157 milhões de dólares para a construção do edifício e uma segunda empresa do mesmo empresário Bastos de Morais terá assumido a direção de projeto e a conceção de uma parte daquela torre, destinada a escritórios.

Além dos escritórios na Suíça, a Quantum Global tem em África o mercado central, estando presente em Luanda e nas Ilhas Maurícias.

// Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

Procurador do MP investigado por ajudar traficante a fugir da prisão

Carlos Figueira, procurador do Ministério Público de Lisboa, está a ser investigado pela Polícia Judiciária por corrupção. O magistrado é suspeito de ter ajudado um traficante a fugir da prisão. Um procurador do Tribunal de Execução …

Refugiados em greve de fome por falta de condições em campo bósnio

Centenas de refugiados de um campo improvisado em Vucjak, na Bósnia, estão em greve de fome pelo segundo dia consecutivo para protestar contra a situação degradante em que se encontram. Os refugiados no campo improvisado …

Ex-aliada de Bolsonaro denuncia grupo difusor de notícias falsas ligado ao Presidente

A deputada brasileira Joice Hasselmann, ex-líder do Governo de Jair Bolsonaro no congresso, denunciou na quarta-feira a atuação de um grupo difusor de "fake news" (notícias falsas) ligado ao atual Presidente, Jair Bolsonaro, e que …

Banco BiG: EUA e China vão chegar a acordo, mas não será duradouro

No "Outlook" para 2020, os analistas do banco BiG defendem que será improvável que Estados Unidos e China cheguem a um consenso suficiente para reverter as taxas aduaneiras impostas. De acordo com os analistas do banco …

Alemanha expulsa dois diplomatas russos. Rússia vai tomar medidas

Dois diplomatas russos, acusados pelo Ministério Público alemão de falta de cooperação na investigação de um homicídio, foram expulsos da Alemanha. A Rússia já reagiu e avisou que tomará medidas. Esta quarta-feira, a Alemanha expulsou "com …

Segurança Social demora quase cinco meses a pagar pensões

Em 2018, os beneficiários da Segurança Social tiveram de esperar, em média, 147 dias - cerca de cinco meses -, entre o dia que se aposentaram e o momento que começaram a receber a pensão …

Empresas fechadas e 28 mil despedimentos. Setor têxtil pode atravessar crise

Até 2025, a indústria têxtil em Portugal pode ver um terço das empresas a fecharem e 28 mil trabalhadores a serem despedidos. Este é o pior cenário equacionado no setor nos próximos anos. O setor da …

Ministério Público arquiva queixa de Aguiar-Branco contra Ana Gomes por difamação

Aguiar Branco tinha levantado um processo de difamação a Ana Gomes por declarações sobre alegadas ligações entre o seu escritório de advogados e o grupo Martifer. O Ministério Público (MP) arquivou a queixa apresentada pelo ex-ministro …

66 louvores a funcionários. Centeno é o ministro mais "agradecido" de todo o Governo

Mário Centeno e os seus secretários de Estado publicaram em Diário da República 66 louvores. O seu gabinete garante que não há qualquer significado político associado - nem mesmo uma despedida anunciada. O louvor é dado …

Os glaciares da Nova Zelândia estão a mudar de cor

À medida que o Hemisfério Sul entra no verão, acontece uma temporada catastrófica de incêndios florestais na costa leste da Austrália. Há casas destruídas, coalas a morrer e um fumo espesso que cobre o estado …