Francisco Mendes da Silva: O Chega “põe em causa todo o regime”

Francisco Mendes da Silva / Facebook

Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política nacional do CDS

Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política nacional do CDS-PP, defende que a direita “vai ter de se entender” para poder ir a eleições e governar.

Em entrevista ao jornal Público, Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política nacional do CDS, defende que a direita “vai ter de se entender” para poder ir a eleições e governar. No entanto, o advogado exclui o Chega de André Ventura.

Em relação à derrota do CDS nestas eleições legislativas, Mendes da Silva atribui a culpa a razões internas e externas. “É óbvio que o PSD e o CDS não iam ficar incólumes dos anos da troika. Desde logo porque fizeram o que tiveram de fazer e isso causou uma grande desconfiança do eleitorado. Houve também outras razões que não têm a ver só com o PSD e o CDS. O PS, de facto, colonizou o discurso da direita. Quando vemos os princípios que Mário Centeno impôs à governação do PS percebemos que quem ganhou o combate ideológico foi a direita”, afirmou.

As culpas são estendidas também a Assunção Cristas e à estratégia escolhida pelo partido para lidar com a crise dos professores, uma das grandes mazelas do ano corrente. Aliás, quando questionado sobre o que aconteceu desde fevereiro (altura em que o CDS estava com 9, 10% nas sondagens), o centrista respondeu: “Aconteceu a crise dos professores.”

“Não sei se foi um erro da medida em si se foi a gestão. O CDS tomou demasiado as dores. Hoje em dia o CDS é visto como mais culpado do que o PSD. Não é só culpa da crise dos professores mas de uma campanha que foi muito focada num eleitorado que se achava fixo”, explicou o responsável.

Sobre potenciais candidatos à liderança, Francisco Mendes da Silva deixou claro que estará “do lado de alguém que consiga e que queira fazer do CDS o que sempre quis ser: que é um partido que federa as várias tendências da direita democrática”.

O João Almeida é a pessoa que conheço melhor, tenho uma história de vida política, sou amigo dele há 20 anos, acho que ele tem condições. O Filipe Lobo d’Ávila também. Tenho uma boa amizade com ele, mas não sei tanto o que ele pensa”, disse, vendo com bons olhos uma candidatura de Almeida à liderança do partido.

Mas para Francisco Mendes da Silva, a direita só vai para o Governo se for unida – “e aqui afasto por razões ideológicas o Chega“. No entender do centrista, o Chega é uma preocupação e “vai crescer”. Questionado sobre se o CDS vai confrontar eleitoralmente o partido de Ventura, Mendes da Silva respondeu: “o CDS e todos os outros”.

O problema é todo o regime que fica posto em causa, de facto, pelo advento deste partido”, rematou.

ZAP //

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