Força Aérea desmente tentativa de salvamento no acidente com C-130

Becky Paget / Wikimedia

Avião militar de carga C-130

A Força Aérea nega as notícias avançadas por alguns meios, que davam conta de que dois dos militares teriam morrido a tentar salvar outro que seguia na aeronave que se incendiou na Base do Montijo.

O avião C-130H que se incendiou segunda-feira na base aérea do Montijo, provocando a morte a três dos sete tripulantes, “imobilizou-se fora da pista” durante a corrida de descolagem e a tripulação não chegou a reportar qualquer emergência.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a Força Aérea Portuguesa avançou algumas conclusões preliminares da Comissão Central de Investigação ao acidente, esclarecendo que a “aeronave imobilizou-se fora da pista, incendiando-se de imediato, o que resultou na sua perda total”.

“O acidente ocorreu durante uma missão de treino para qualificação da tripulação, ainda na corrida de descolagem, sem que esta se tenha verificado”, refere a FAP.

Da parte da tripulação, “não houve reporte de qualquer situação de emergência”.

A FAP afirmou que “os quatro militares que conseguiram sair da aeronave fizeram-no pelos seus próprios meios, não tendo em qualquer momento regressado ao avião“.

Posteriormente, foi “confirmada a presença de três vítimas mortais no interior” do avião.

A FAP acrescenta que da investigação “não resultou ainda qualquer conclusão” sobre a causa do acidente.

O ponto da situação divulgado indica também que o militar com lesões graves continua internado no Hospital de São José, em Lisboa, “encontrando-se estabilizado” mas mantém “o prognóstico reservado”.

Quanto aos três feridos ligeiros, assistidos no Hospital das Forças Armadas, receberam alta hospitalar durante a tarde de terça-feira.

O inquérito, conduzido pela Comissão Central de Investigação, visa apurar os factos através da preservação de evidências, desde logo na pista e nos destroços do avião e da recolha de testemunhos por parte da tripulação sobrevivente (quatro militares), disse à Lusa o coronel Rui Roque, porta-voz do ramo.

A peritagem de componentes, a cativação e análise das comunicações e ainda a avaliação das condições meteorológicas que se faziam sentir no local e na altura do acidente são outros passos necessários ao inquérito, adiantou.

Se for necessário, acrescentou, é possível recorrer a especialistas externos às Forças Armadas em áreas específicas quer nacionais, quer estrangeiros.

O acidente sofrido pelo C-130H foi o primeiro com vítimas mortais na história desta classe de aeronaves ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

Seguindo os procedimentos legais, por ter ocorrido dentro do perímetro das instalações militares e dado terem-se registado três vítimas mortais, a Polícia Judiciária Militar foi notificada, indicou.

/Lusa

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