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Filipinas. Emigrantes regressam ao seu país devido à pandemia e reinventam as suas profissões

lucianf/ Flickr

O coronavírus chegou e destruiu vidas e postos de trabalho em todo o mundo,  Contudo, para os emigrantes filipinos desistir não é solução. São muitos os que regressam ao seu país de origem e lá encontram alternativas para sobreviver.

Mais de 2 milhões de filipinos vão todos os anos trabalhar para fora do seu país em busca de melhores condições de vida. Mas, à medida que o coronavírus devastou a economia mundial, muitos perderam o emprego no estrangeiro.

Segundo o The Washington Post, em fevereiro cerca de 170 mil trabalhadores emigrados voltaram às Filipinas. Agora, os retornados estão a reorganizar as suas vidas, mas vêm-se obrigados a aceitar uma diminuição de poder, e das perspetivas económicas das famílias.

Antes de as Filipinas terem imposto quarentena obrigatória, em março, Bong Florentino, um engenheiro de software, e Yllang Montenegro, uma empregada de hotel, já planeavam regressar do Japão para o seu país, onde deixaram os seus filhos.

Em abril, com o fim do contrato de aluguer do apartamento onde viviam em Osaka, o casal esperava regressar a casa mas o voo de regresso foi cancelado. De repente, sem um teto e sem emprego, acabaram em Kobe, a trabalhar como ajudantes de cozinha. O casal filipino ficou preso durante três meses antes de poder regressar ao seu país em julho.

Florentino estima que um engenheiro de software sénior nas Filipinas ganhe cerca de 1200 dólares por mês – menos da metade do que ganhava no Japão. O filipino teme que as empresas possam achar que o salário é alto demais, e por isso receia não encontrar um emprego em Manila, mas diz que está disposto a negociar. “Todos precisamos de precisa ganhar a vida”, disse ele.

Através da utilização de uma caixa de produtos de higiene e ferramentas, está a sustentar a sua família. Enquanto procura emprego, vende o material online. Fora de casa, a sua esposa, Tess, vende roupas de segunda mão. Trinidad assume que “não é como antes, quando o pagamento era contínuo e certo”.

Recentemente, Trinidad e alguns vizinhos dividiram dinheiro para comprar um porco. O filipino ganhou algum dinheiro com a venda da sua parte da carne de porco – o suficiente para sobreviver um pouco melhor. “O ser humano inventa todo o tipo coisas para sobreviver”, conta Trinidad.

Jennifer Burdeos também passou por uma situação onde decidiu reinventar a sua profissão. Burdeos preprava bebidas e entretia os convidados a bordo de um navio de luxo, mas tudo acabou muito rápido durante a pandemia.

Sem trabalho, Burdeos montou uma loja de “sari-sari”, uma lojinha de esquina que vende comida e outros produtos em pequenas quantidades. Mas Jennifer sentia falta do seu trabalho habitual, então decidiu investir no que gosta de fazer e abriu um negócio de chá com leite online.

Apesar de estar a gostar da experiência, Jennifer espera voltar ao mar em breve, embora sonhe voltar para as Filipinas quando o seu filho, que agora tem 12 anos, estiver na faculdade.

  ZAP //

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