Festival “afro-feminista” gera polémica em França

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Anne Hidalgo, Presidente da Câmara de Paris

Anne Hidalgo, Presidente da Câmara de Paris

Um festival planeado para este verão em Paris e reservado principalmente às mulheres negras desencadeou uma polémica, com a presidente da Câmara da capital francesa a defender a proibição de um evento “interdito aos brancos”.

Programado para acontecer de 28 a 30 de julho, o Nyansapo apresenta-se como um “festival afro-feminista europeu”. De acordo com o site do evento, é organizado em diversas áreas, incluindo um espaço “não misto mulheres negras (80% do festival)”, outro “não misto pessoas negras” e um “aberto a todos”.

“Exijo a proibição deste festival,” disse a presidente da capital francesa numa mensagem no Twitter. Anne Hidalgo advertiu também que pondera acusar “os promotores deste festival de discriminação” e condenou “firmemente a organização em Paris deste evento ‘interdito a brancos’”.

Apoiando esta posição, a organização antirracista SOS Racismo considerou este festival como uma “falha – senão uma abominação – porque se baseia na separação étnica”.

A associação Licra também se pronunciou, considerando que Rosa Parks, a mulher negra que se recusou a ceder o lugar no autocarro a um homem branco e que foi símbolo da defesa dos direitos dos negros, “deve estar a dar voltas ao caixão”, cita a AFP.

A polémica começou depois de, na sexta-feira passada, Wallerand de Saint-Justum, membro do partido de extrema-direita Frente Nacional, ter questionado a presidente da Câmara de Paris sobre o evento.

A coletividade Mwasi, que organiza o festival, reagiu dizendo que está a ser “alvo de uma campanha de desinformação e falsas notícias orquestrada pela extrema direita” e argumenta que “o festival é aberto a todos”, só que “alguns workshops é que são não mistos”.

“Estamos tristes por ver certas associações anti-racismo serem manipuladas desta forma”, lê-se num comunicado publicado no site da La Generale, centro cultural onde se vai realizar o evento.

Nas redes sociais, já surgiu a hashtag #JeSoutiensMwasi para defender a realização deste festival.

Esta segunda-feira, a autarca da capital francesa escreveu no Twitter que, “graças à sua intervenção”, foi encontrada uma “solução clara” com os organizadores do evento. “O festival será num local público e, por isso, aberto a todos. Os ateliês não mistos serão realizados num ambiente estritamente privado”.

ZAP // Lusa

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