Fenprof quer testes nas escolas de 2.º/3.º ciclo e secundário antes do regresso ao ensino presencial

Paulo Novais / Lusa

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defendeu hoje que os testes à covid-19 nas escolas ainda encerradas devem ser realizados antes do regresso ao ensino presencial e não como aconteceu nas creches e 1.º ciclo.

O secretário-geral da Fenprof pediu “que se altere o calendário de testagem” a professores e funcionários dos 2.º e 3.º ciclos assim como do ensino secundário, para que se saiba se há funcionários infetados antes de as escolas reabrirem.

Mário Nogueira falou de manhã à porta de uma escola do 1.º ciclo, em Lisboa, que hoje retomou o ensino presencial depois de mais de um mês de portas encerradas.

As creches e escolas do pré-escolar e 1.º ciclo voltaram hoje a receber os mais novos, mas a campanha de testagem à covid-19 a educadores, professores e funcionários de estabelecimentos públicos e privados começa na terça-feira.

“O ensino está a regressar ao seu habitat natural, que é a escola, mas deveriam ter aproveitado este período para terem sido tomadas medidas que não foram. Os testes, que vão começar a ser realizados amanhã, deveriam ter sido realizados até hoje. A apresentação deveria já ter considerado as situações de infeção, para que não entrassem na escola”, defendeu Mário Nogueira, em declarações aos jornalistas.

O secretário-geral da Fenprof disse esperar que a situação não se repita na reabertura dos restantes níveis de ensino: Os alunos dos 2.º e 3.º ciclos regressam ao ensino presencial depois das férias da Páscoa, em 5 de abril, e os estudantes do secundário em 19 de abril.

“Que se altere ainda o calendário de testagem, quer para dia 5 quer para dia 19 de abril, para que se antecipe e não sejam a partir do dia da apresentação. Isso ainda é possível porque ainda estamos em março”, defendeu.

O dirigente sindical acusou ainda o Ministério da Educação de não ter “reforçado as medidas de segurança sanitária”, através da contratação de mais assistentes operacionais que garantissem “uma limpeza e desinfeção mais aprofundada”, e da redução de alunos por turma que permitiria maior distanciamento nas salas de aula.

Quanto à vacinação de professores e pessoal não docente, que o ministro da Educação anunciou hoje que seria iniciada no fim de semana de 20 e 21 de março, Mário Nogueira disse preferir “esperar para ver”.

“Vamos ver. O Ministério da Educação agora diz que começa no fim de semana mas veremos se não vai ser como os computadores”, criticou, referindo-se ao facto de os docentes estarem a utilizar equipamento próprio para dar aulas através das plataformas digitais.

“O ministério nem sequer respondeu à questão que colocámos do cumprimento da lei do Código do Trabalho, no que toca ao fornecimento de equipamentos, à manutenção e a todas as despesas inerentes ao trabalho a distância, que ainda está por resolver”, acusou.

Ainda sobre a vacinação da comunidade escolar, Mário Nogueira disse esperar que arranque o “mais rapidamente possível” até porque “é uma forma, como dizem a UNESCO e a UNICEF, que as escolas abram e não voltem a fechar”.

“Preocupa-nos porque basta olhar para o que se está a passar nos países à nossa volta para percebermos que os casos de infeção já estão a disparar. Há já quem fale numa quarta vaga e isso seria uma tragédia do ponto de vista da aprendizagem dos alunos que as escolas tivessem que voltar a fechar”.

Mário Nogueira lembrou ainda todo o processo desencadeado pela Fenprof para conhecer os casos de covid-19 nas escolas no primeiro período letivo, considerando que ”não se soube exatamente o que realmente aconteceu em cada escola”.

Só depois de uma decisão judicial, os professores tiveram acesso ao número de casos de infeção entre os elementos da comunidade escolar: “Foi preciso ir a tribunal para saber que eram quase três mil escolas onde esteve a covid-19″, recordou, considerando que “houve falta de transparência”.

No dia em que arranca o desconfinamento, que será feito de forma faseada, Mário Nogueira lembrou ainda todos os “professores e educadores que nunca saíram das escolas”, que se mantiveram abertas durante o ensino à distância para acolher os filhos de trabalhadores essenciais no combate à pandemia ou os alunos que as escolas consideraram que deveriam manter-se na escola.

Os alunos mais novos regressaram hoje à escola depois de mais de um mês em casa, numa paragem das aulas presenciais que começou no final de janeiro com duas semanas de pausa letiva e continuou a 8 de fevereiro com o ensino à distância.

Na quinta-feira, o Conselho de Ministros decidiu reabrir as escolas de forma faseada, começando hoje pelos mais novos. Em 5 de abril será a vez dos alunos dos 2.º e 3.º ciclos e, duas semanas depois, serão os estudantes do secundário a regressar à escola.

A Ordem dos Psicólogos também quer que sejam criadas “equipas de intervenção em crise”, que “articuladas com os psicólogos das escolas”, possam fazer uma “monitorização sistemática dos alunos” para perceber como está a sua saúde psicológica.

O apelo é feito por Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, que defende ainda que “pais, educadores e docentes” também sejam envolvidos, pois estão igualmente cansados e desgastados.

Contactado pelo Expresso, o Ministério da Educação lembrou que “dos cerca de 900 técnicos especializados” cuja contratação foi autorizada em setembro de 2020, “perto de 300 são psicólogos”.

  ZAP // Lusa

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