Farense 0-1 Sporting | Beto e Adán gigantes em noite de recorde leonino

O Sporting sofreu bastante para levar os três pontos na visita ao Farense. O líder do campeonato marcou um golo, por Pedro Gonçalves, dominou durante a primeira parte, mas na segunda deixou os algarvios criarem muito perigo, chegando mesmo a marcar, num lance anulado por fora-de-jogo.

As duas equipas criaram situações suficientes para que o marcador registasse outro volume no final, mas os dois guarda-redes, Beto e Antonio Adán, foram gigantes nas balizas. O Sporting chegou ao 27º jogo seguido sem perder no campeonato português, um recorde na História do emblema de Alvalade.

O jogo explicado em números

  • Rúben Amorim, que ficou na bancada por castigo, fez algumas alterações no “onze” inicial, em comparação com a partida ante o Famalicão. Luís Neto deu o seu lugar a Gonçalo Inácio, Feddal ficou de fora e entrou Matheus Reis e, na frente, Tiago Tomás saiu e entrou Daniel Bragança, com ideia de reforçar a zona do meio-campo. Os algarvios fizeram apenas uma mudança em relação à derrota com o Marítimo, entrando Licá para a vaga de Madi Queta.
  • O Farense começou bem, pressionante e sem medo, mas a primeira ocasião pertenceu ao Sporting. Aos nove minutos, João Mário fugiu pela direita, rematou cruzado, mas Beto estirou-se e desviou a bola para canto. No primeiro quarto-de-hora o Sporting teve 58% de posse de bola e dois remates, um enquadrado, com 82% de eficácia de passe. Os algarvios tinham também dois disparos (desenquadrados), só menos uma acção com bola na área (3-4), mas pecavam no passe (63% certos).
  • Aos 27 minutos, “Pote” cruzou da direita, Paulinho cabeceou para trás, servindo João Mário, mas o médio voltou a não acertar com o remate, apesar de estar em excelente posição. Os números à meia-hora pouco tinham mudado, com destaque, porém, para os duelos aéreos ofensivos, com o emblema de Faro a registar 70% ganhos.
  • João Palhinha, com 5.8, registava o melhor rating do jogo, sendo de realçar, pela negativa, o facto de não haver qualquer jogador com mais de 6.0. Esta não estava a ser uma partida para grande rasgos individuais, mas sim de muita luta, pelo que a qualidade do futebol deixava muito a desejar.
  • Sebastián Coates, aos 35 minutos, cabeceou com selo de golo, na sequência de um canto da esquerda, mas Beto realizou uma defesa espectacular. Só que pouco depois o “leão” marcou mesmo. Livre da direita, lance confuso na área, a bola sobrou para Pedro Gonçalves, que rematou com potência para o 1-0, sem hipóteses para Beto. Ao quinto remate, terceiro enquadrado, o Sporting dava cor ao marcador.
  • Vantagem leonina ao descanso que acaba por assentar bem nas incidências da partida.
  • O Farense entrou bem no jogo, pressionou e criou problemas na frente, em especial nos lances pelo ar, e até somou mais uma acção com bola na área do “leão” (12) do que o visitante do outro lado.
  • Contudo, a equipa da casa foi pouco eficaz no remate, enquanto o Sporting teve mais bola, mais remates, enquadrou três e criou expected goals (xG) suficientes para justificar o golo.
  • O melhor em campo era Pedro Gonçalves, com um GoalPoint Rating de 6.5, com um golo, um passe para finalização, quatro passes ofensivos valiosos e também dois duelos aéreos ofensivos ganhos em quatro.
  • O primeiro enquadrado do Farense chegou logo no arranque do segundo tempo, aos 47 minutos, por Eduardo Mancha, a cabecear com muito perigo para defesa de Antonio Adán. E aos 50 minutos, num contra-ataque em superioridade numérica, Pedro Gonçalves serviu Paulinho, mas este, em vez de rematar para golo, tentou servir João Mário e a jogada gorou-se.
  • Na resposta, aos 53, Pedro Henrique, sozinho na grande área, rematou quase em cima de Adán, mas o espanhol fez uma das defesas da época – daquelas que valem tanto como um golo. O mesmo aconteceu do outro lado. Aos 57 minutos, grande lance do Sporting, a bola chegou a Paulinho que rematou à entrada da pequena área. Beto voou para uma parada “impossível”.
  • O jogo melhorou muito na segunda parte, com lances de parada e resposta, ocasiões de golo e dois guarda-redes com prestações de grande nível. No primeiro quarto-de-hora após o descanso o Sporting continuou a ter mais bola (56% de posse), registou três remates, um enquadrado, mas os algarvios melhoraram também na frente, com dois disparos, ambos com boa direcção. E nesta fase as duas equipas equiparavam-se na qualidade do passe (73%-75% de eficácia).
  • Pelos 70 minutos já o Sporting havia recuperado o controlo dos acontecimentos, estancando os lances de ataque do Farense, que nunca mais conseguiu importunar Adán. Mas do outro lado as ocasiões de perigo também não surgiam. O “leão” tinha 55% de posse no segundo tempo, cinco remates, só um enquadrado, o Farense não passava dos seus dois remates, e os da casa começavam a desguarnecer a sua defesa, na procura do empate.
  • Aos 81 minutos, o recém-entrado Miguel Bandarra colocou a bola na baliza leonina, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo, e aos 84, Brian Mansilla rematou com selo de golo para mais uma defesa enorme de Adán. O Farense terminou o jogo completamente em cima do Sporting, que se foi fechando como pôde, mas os algarvios voltaram a rematar e a criar perigo sem conseguirem marcar. O “leão” não se queixou e somou mais três pontos fundamentais, num belo jogo de futebol.

 

Luís Forra / Lusa

O melhor em campo GoalPoint

Os jogadores mais decisivos na partida até podem ter sido os dois guarda-redes, mas olhando para o desempenho objectivo, ninguém foi mais competente que Pedro Gonçalves.

Melhor em campo com um GoalPoint Rating de 6.9, “Pote” fez o único golo do encontro, mas não se ficou por aí.

Além de dois passes para finalização, somou seis passes ofensivos valiosos e quatro acções com bola na área contrária, ambos máximos do jogo, e apesar da sua baixa estatura ganhou quatro de seis duelos aéreos ofensivos.

 

  • César Martins 6.9 – Com apenas menos uma centésima que Pedro Gonçalves terminou o central do Farense. O brasileiro ganhou três de quatro duelos aéreos ofensivos, recuperou oito vezes a posse de bola e somou nove alívios, máximo do jogo.
  • Beto 6.8 – Vamos aos guarda-redes, começando pelo da casa. O internacional português fez “apenas” três defesas, todas a remates na sua grande área, duas a menos de oito metros. E quando foi chamado a intervir foi verdadeiramente decisivo. Só ao remate de Paulinho, o guardião dos algarvios travou expected goals de 0,44. Impressionante.
  • Antonio Adán 6.2 – O caro leitor pode estranhar o rating do espanhol, mas tem razão de ser, pois alguns dos lances em que foi espectacular acabaram anulados pelo árbitro por esta ou aquela razão e, nesses casos, as acções não entram na contabilidade estatística. Se entrassem estaríamos perante uma nota bem mais alta. Ainda assim, Adán fez três defesas (todas a remates na sua área), duas verdadeiramente notáveis, e foi um dos responsáveis pelo nulo do lado algarvio.
  • João Palhinha 6.4 – Mais um belo jogo do “trinco” leonino. Não tão bem no passe (69% de eficácia), ainda assim completou sete de nove longos, registou cinco variações de flanco (máximo da partida) e ainda somou três desarmes e ganhou cinco de oito duelos aéreos defensivos.
  • Ryan Gauld 6.1 – A inteligência do jogo do escocês nota-se em cada decisão que toma. Gauld criou uma ocasião flagrante, correspondente a 0,7 expected assists (xA), somou o máximo (por larga margem) de passes para finalização (6) e ainda registou seis recuperações de posse.
  • João Mário 6.0 – O médio fez um jogo em crescendo e, quando saiu, estava a pegar na batuta do “leão”. Nos 69 minutos que esteve em campo criou uma ocasião flagrante (0,5 xA) em dois passes para finalização, somou quatro acções com bola na área contrária e completou duas de quatro tentativas de drible. Não fosse uma flagrante desperdiçada e teria sido um dos melhores em campo.

 

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