Família real britânica sob fogo. Trabalhistas pedem que príncipe André fique sem títulos e fundação de príncipe Carlos está a ser investigada pela polícia

Lukas Coch / EPA

Acordo com a mulher que acusa o filho da rainha de violação não inclui uma admissão de culpa, servindo apenas para pôr termo à queixa.

O acordo que o príncipe André, filho da rainha Isabel II, assinou com Virginia Giuffre, que o acusa de abuso sexual, não acalmou os ânimos daqueles que exigem que lhe sejam retirados todo os títulos reais. Os apelos surgem de vários quadrantes, nomeadamente dos representantes do partido trabalhista na Câmara dos Comuns. Rachael Maskell, representante da região de York Central (que integra o ducado de André), prometeu que iria seguir um “conjunto de caminhos” no parlamento para atingir tal objetivo, sem excluir uma emenda na legislação.

A deputado explicou que espera que o príncipe prescinda voluntariamente da sua associação com a região, mas que os seus esforços iriam continuar no Parlamento, caso o filho da rainha optasse por abdicar do título ou não. Caso o processo avance, corre o risco de adensar ainda mais as polémicas em torno do jubileu de prata da rainha, comemorado este ano no que será um fim-de-semana de quatro dias. Tal como lembra o The Guardian, qualquer nova lei que surja terá que ser naturalmente aprovada pelos deputados da Câmara dos Comuns e dos Lordes e posteriormente validada ela rainha.

A casa real britânica não revelou detalhes do acordo, mas os meios de comunicação social ingleses realçam que este não contempla qualquer tipo de admissão de culpa em relação às alegações feitas por Virginia Giuffre e que o príncipe recusou repetidamente. Em janeiro, a rainha já havia retirado os títulos militares aos seu filho, o que não foi suficiente para a contestação acalmar. Rachael Maskell revelou que, a propósito da decisão da monarca, a sua caixa de correio encheu-se de pedidos para que agisse no sentido de que o príncipe também ficasse sem os seus títulos reais.

Esta não é a única dor de cabeça para a rainha de 95 anos. Hoje, foi também conhecida uma investigação da polícia britânica à fundação do príncipe Carlos por suspeitas de atribuição de prémios e de honras a um empresário saudita a troco de donativos. O caso foi inicialmente revelado em setembro pelo Sunday Times, numa nitícia que fazia referência às transferências de milhares de libras para pessoas envolvidas em projetos que tinham o apoio do herdeiro da coroa britânica.

“A equipa especial de inquérito levou a cabo um processo de avaliação que incluiu o contacto daqueles que se acredita que tenham informações relevantes. Essa avaliação determinou a abertura de uma investigação“, informou a Polícia Metropolitana, num comunicado publicado na sua página de Facebook.

Ainda segundo o The Guardian, o empresário em causa é o bilionário Mahfouz Marei Mubarak bin Mahfouz, que já terá feito doações em valores superiores a mais de 1,5 milhões de libras (cerca de 1,79 milhões de euros). Em 2016, foi-lhe atribuído o título de Comandante da Ordem do Império Britânico e o seu nome foi atribuído a uma floresta na Escócia. Até agora, a Prince’s Fundation disse apenas que “seria inapropriado comentar uma investigação em curso”.

  ZAP //

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