Família processou o fabricante da bala que matou a filha e foi condenada a pagar 200 mil dolares

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Lonnie e Sandy Phillips, pais de uma das vítimas do Massacre de Aurora

Lonnie e Sandy Phillips, pais de uma das vítimas do Massacre de Aurora

 “Perdemos a nossa filha num ataque, e agora ainda por cima devemos 203 mil dólares a quem forneceu as balas ao assassino”. É desta forma que Lonnie e Sandy Phillips descrem a tragédia em que vivem há três anos.

A filha do casal, Jessica Ghawi, foi uma das 12 vítimas do massacre no cinema de Aurora, no Colorado, EUA, durante a sessão de estreia do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Renasce.

O assassino, James Holmes, que disparou contra os jovens que se encontravam no cinema, foi condenado a 12 sentenças de prisão perpétua.

Durante o julgamento, as provas apresentadas mostraram que foram registados 240 marcas de impactos de fragmentos de munições.

Assim, os pais de Jessica decidiram processar as quatro empresas online – entre as quais, a Lucky Gunner – onde Holmes tinha comprado as balas.

Mas o tribunal determinou que a Lucky Gunner não pode ser considerada responsável pelas acções de Holmes, e ordenou que os pais da vítima pagassem os custos do processo judicial.

São estas custas judiciais que ascendem a 203 mil dólares, cerca de 181 mil euros.

Revolta

“Decidimos avançar para a Justiça porque achamos revoltante que estas empresas tenham vendido um verdadeiro arsenal a um homem perigoso, sem ter nenhum informação sobre ele e sem fazer nenhum esforço para saber se era um assassino perigoso, como era o caso”, afirmaram os pais de Jessica, numa nota enviada ao Huffington Post.

“Estas empresas criam os seus negócios para que gente como este assassino possa armar-se, com apenas um clique no rato. Nós queríamos mudar isso, e ainda queremos”, declaram Lonnie e Sandy Phillips.

O casal escreve ainda que o objectivo do processo não era obter dinheiro e lamenta o facto de as leis federais e estaduais acabarem por proteger empresas como a Lucky Gunner em acções judiciais.

O casal critica ainda o facto de a empresa não ter de arcar com os custos do processo e, em vez disso, poder usar o dinheiro que vão receber de volta para apoiar grupos que defendem o uso de armas, como a National Rifle Association.

A Lucky Gunner, por seu lado, afirma que o seu objectivo no processo foi o de “proteger o seu negócio e a Segunda Emenda, que defende o direito dos americanos de comprar e vender munições através da internet”.

ZAP / BBC

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6 COMENTÁRIOS

  1. Pois é… é uma faca de dois legumes como dizia o outro. Tanto serve para abastecer assassinos, como pode servir para defesa pessoal. Não cabe à empresa de balas nem de armas averiguar se este ou aquele é assassino ou não, pois é um negócio legal… Eles querem é vender.

  2. Na América usas-se e abusa-se deste tipo de processos de pedidos de indemnização. Instauram-nos pelos motivos mais inimagináveis e muitos deles terminam com decisões surreais para quem vive deste outro lado do Atlântico. Pelo que me parece, desta vez, a decisão foi mais à moda da Europa.

  3. mas…em dezembro de 1971, quando foi aprovada, já havia internet para essas vendas ????????????????????????????????

  4. É bem feito!!
    Estes americanos!… estão mal habituados e gostam de processar tudo e todos e exigir indemnizações milionárias (sem qualquer sentido)!…
    Como neste caso; queriam ficar ricos mas a estupidez foi tanta que as contas saíram ao contrario!!
    Que sirva de exemplo!

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