Netflix e Spotify tinham acesso a mensagens privadas dos utilizadores do Facebook

Presidência do Peru

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg

Afinal, as mensagens privadas do Facebook não são assim tão privadas. Várias empresas tiveram acesso a estes e outros dados pessoais dos utilizadores da rede social de Mark Zuckerberg.

Uma investigação do jornal norte-americano New York Times, publicada esta terça-feira e baseada em relatórios e documentos internos da empresa de Zuckerberg, adianta que o Facebook deu, durante anos, acesso às mensagens privadas dos seus utilizadores a empresas como o Netflix e o Spotify – que as podiam ler e até apagar.

Além disso, o Facebook permitiu que o motor de busca da Microsoft, o Bing, visse o nome de todos os amigos de alguém no site. A empresa fundada por Mark Zuckerberg confirma e afirma que tudo foi feito com o consentimento dos utilizadores.

Os acordos terão sido criados para ajudar grandes empresas a integrar melhor os seus serviços com o Facebook, com o objetivo de oferecer uma “personalização instantânea“. Na prática, os utilizadores que associassem o seu perfil de Facebook ao motor de busca da Microsoft passavam a ver resultados sobre as preferências dos amigos – ao mesmo tempo que o Facebook chegava a mais utilizadores e via aumentar as suas receitas com publicidade.

“A maioria destes serviços já não existe”, lê-se na resposta da rede social ao jornal norte-americano, assinada por Konstantinos Papamiltiadis, diretor de desenvolvimento de plataformas e programas.

O Facebook adianta que o processo de “personalização instantânea” terminou em 2014, numa altura em que começavam a emergir as preocupações com o acesso aos dados dos utilizadores por parte das empresas.

“Para ser claro: nenhuma destas parcerias ou funcionalidades dava acesso à informação sem a autorização das pessoas”, refere Papamiltiadis, reiterando que a rede social sempre respeitou as regras da FCT, a autoridade de concorrência nos Estados Unidos.

A rede social defende-se afirmando que o objetivo era “ajudar as pessoas”, dado que estes acordos permitiam aos utilizadores “ter mais experiências sociais – como ver recomendações dos seus amigos do Facebook – em outras aplicações e sites populares”.

No entanto, 2014 não foi o fim: várias componentes do serviço de “personalização instantânea” continuaram a funcionar depois desse ano, denuncia o New York Times. O Facebook falhou em restringir o acesso a algumas interfaces de programação de aplicações, ou desligar mecanismos que os parceiros tinham para chegar aos dados dos seus utilizadores.

Mas este assunto não é novo. No início do mês, foram tornados públicos, no âmbito de uma investigação do Parlamento britânico, emails privados trocados entre Mark Zuckerberg e os seus trabalhadores, que davam conta da existência de acordos especiais entre o Facebook e várias empresas. Na altura, contudo, não havia detalhes.

A empresa tem vindo a assegurar que nunca vendeu dados pessoais de utilizadores. No entanto, estas parcerias demonstram que, indiretamente, os dados das contas eram muito importantes para manter vivas estas parcerias – como é o caso das pesquisas no Yelp, através da informação partilhada pelos amigos.

O New York Times põe a descoberto o facto de o Facebook não ter garantido a proteção dos dados dos seus utilizadores. Ainda assim, a empresa de Zuckerberg afirma que “não há provas nem informação” que os dados pessoais tenham sido violados.

“Não há quaisquer provas de que os dados tenham sido mal utilizados ou abusados desde que o programa de personalização fechou”, garante a rede social.

“Não somos do tipo de nos metermos em mensagens diretas”

O Netflix desmarca-se desta situação, dizendo que nunca utilizou estas funcionalidades. “O Netflix nunca pediu, usou, ou acedeu a mensagens privadas de ninguém. Não somos do tipo de nos metermos em mensagens diretas.”

Através de um e-mail enviado à redação do ZAP, a Netflix reitera esta posição. “Ao longo dos anos, procurámos diversas formas de tornar a Netflix mais social. Um exemplo disto foi uma funcionalidade que lançámos em 2014, que permitia aos subscritores recomendar séries e filmes aos seus amigos do Facebook através do Messenger ou da Netflix”, explica.

“Nunca foi muito popular pelo que descontinuámos essa funcionalidade em 2015. Em nenhum momento acedemos às mensagens privadas das pessoas no Facebook, nem pedimos permissão para tal”, refere a Netflix.

Em declarações ao Público, um porta-voz da Microsoft nota que “no decorrer da nossa relação com o Facebook, respeitámos sempre as opções dos utilizadores relativamente a definições de privacidade”.

O Spotify não respondeu às perguntas do diário até à hora de publicação do artigo, mas a investigação do New York Times frisa que o acesso às mensagens privadas foi também dado a esta empresa: o objetivo era permitir enviar mensagens do Messenger a partir do Spotify, sem ter de abrir o Facebook.

O nível de monitorização que o Facebook fazia das empresas com quem tinha acordos não é conhecido. Todavia, a rede social sublinha que “os parceiros de integração [como o Netflix e o Spotify] tiveram de ter autorização das pessoas” para aceder aos dados”.

Ainda assim, o Facebook baixa os braços e admite que não devia “ter deixado as interfaces de programação de aplicações a funcionar depois de encerrar a funcionalidade de personalização instantânea”. A empresa está agora a tentar resolver este problema, passando a pente fino todos os parceiros e a informação a que podem ter acesso.

Liliana Malainho LM, ZAP //

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